A casa estava silenciosa demais para um morro que nunca dormia de verdade. O som distante de funk vinha abafado, perdido entre becos, mas ali dentro só se ouvia o estalo seco da lata de cerveja sendo aberta pela terceira vez naquela noite. Imperador estava de pé na cozinha, encostado na pia, a camisa escura grudada no corpo pelo calor e pela tensão. A arma descansava na mão direita como se fosse uma extensão dele — algo tão natural que ele nem percebeu quando a levou junto ao entrar na cozinha. Bebia sem pressa, mas cada gole parecia empurrar a raiva um pouco mais para dentro do peito, onde já não cabia mais nada. Caíque já tinha saído fazia gum tempo. A casa, grande demais para dois, agora parecia vazia e pesada. Na sala, Sofia estava sentada no sofá, as pernas recolhidas, os braços en

