A madrugada tinha descido sobre o Morro da Babilônia como um manto espesso, silencioso e respeitoso. Não era aquele silêncio de abandono — era o tipo de quietude que só existe quando algo importante demais aconteceu e o mundo, mesmo sem saber explicar, decide falar mais baixo. As luzes espalhadas pelas casas piscavam com suavidade, os rádios dos vapores murmuravam códigos curtos, quase sussurrados, e até os cachorros pareciam deitados mais atentos, como se soubessem que ali, naquela noite, uma nova vida tinha chegado. No quarto simples do postinho, a luz amarelada permanecia acesa, filtrada por uma luminária pequena ao lado da cama. Não era forte demais. Não era fraca. Era perfeita para não assustar a recém-nascida e para não cansar os olhos de Sofia, que ainda tentava entender o própri

