O Morro da Babilônia nunca parava completamente. Mesmo de madrugada, sempre havia um rádio chiando, um portão rangendo, um cachorro latindo ao longe. Mas naquela noite, o som era outro. Era um silêncio tenso, pesado, como se o morro inteiro estivesse prendendo a respiração. Debby sentiu isso antes mesmo de entender o motivo. Ela estava sentada no degrau de uma casa velha, perto da curva que dava acesso à rua do postinho, quando percebeu que o fluxo de gente não seguia o padrão comum. Não era festa. Não era operação. Não era enterro. As pessoas subiam devagar, algumas apressadas demais, outras rezando em silêncio. — Tem coisa acontecendo — murmurou, mais para si do que para o mundo. Ela levantou o olhar no momento em que viu Jéssica surgir da viela, o rosto fechado, os passos rápidos

