O fim de tarde caía lento sobre o Morro da Babilônia, tingindo o céu de laranja queimado e rosa sujo. O vento trazia cheiro de comida, de terra quente e de pólvora antiga — aquela que nunca some de vez. A casa de Imperador estava em silêncio, um silêncio incomum demais para um lugar que normalmente pulsava comando, vozes no rádio e passos firmes. Na sala, Sofia estava sentada no sofá grande, os pés apoiados em uma almofada, a barriga enorme marcando o tecido leve do vestido. Renata caminhava de um lado para o outro, nervosa, mordendo o canto da unha, como fazia sempre que precisava falar algo importante. Imperador observava as duas em silêncio, recostado na parede perto da janela, braços cruzados, postura dura. Caíque estava sentado na outra ponta da sala, atento, mas deixando que Sofia

