Tudo começou com um atraso. Um pequeno detalhe que, pra qualquer outra mulher, poderia significar esperança. Mas pra mim… significava medo. Quando percebi que já eram duas semanas, minhas mãos começaram a suar. A ideia de estar grávida de Otávio me fez sentir um frio na alma. Eu sabia o que ele seria capaz de fazer se descobrisse. Naquela casa, eu não podia sair. Não podia atender o telefone, nem abrir a janela. Cada passo que eu dava parecia ecoar como um crime. O controle dele era total — o tipo de prisão que vem com luxo, mas mata do mesmo jeito. Mas eu tinha Marta. Ela era a única pessoa que ainda me olhava como gente. Uma mulher de quarenta e poucos anos, cabelos grisalhos presos em coque, mãos marcadas pelo tempo. Tinha um jeito calmo, olhar de quem já tinha visto o pior e ainda a

