Eu já sabia. Desde o momento em que ouvi o portão bater com força e os passos pesados de Otávio ecoando pelo corredor, eu já sabia o que estava por vir. Ele não precisava dizer nada. Bastava o som do paletó sendo jogado no sofá e o barulho do copo de uísque sendo preenchido. Quando Otávio chegava daquele jeito, o inferno vinha junto. Fiquei parada na cozinha, fingindo que arrumava algo, tentando controlar o tremor nas mãos. Marta, que lavava a louça, me lançou um olhar rápido, apreensivo. — Ele tá diferente hoje — sussurrou, quase sem mexer os lábios. — Eu sei — respondi, num fio de voz. A porta da cozinha se abriu com um estrondo. — Sofia! — ele gritou, com o tom que fazia meu corpo inteiro encolher. — Onde você estava quando eu te liguei? Engoli seco. — Eu… eu devia estar n

