Descer o morro logo cedo sempre foi um ritual: o corpo já sabe onde pisar, conhece cada buraco, cada viela, cada canto que pode virar perigo ou apenas rotina. Eu estava tão imersa nos meus pensamentos — preocupada com Sofia, com Marta, com o risco que tudo aquilo carregava — que quase não percebi o mundo ao redor engatar no ritmo normal da Babilônia. O sol ainda estava preguiçoso, surgindo por trás das casas amontoadas, tingindo tudo de dourado. O cheiro de café vindo das janelas misturava com o de poeira seca, e eu, como sempre, vestia meu uniforme simples, o mesmo de todos os dias: calça jeans, camiseta branca e uma mochila gastinha que já devia ter se aposentado. Quando virei numa das descidas, vi Caíque lá embaixo. Ele estava encostado na moto, braço cruzado, a postura relaxada de q

