Otávio não dormiu naquela noite. A casa de alto padrão estava em silêncio absoluto, quebrado apenas pelo som distante da cidade que nunca parava. Ele caminhava de um lado para o outro no escritório, ainda vestido com a roupa social do dia, como se o tempo tivesse congelado desde que Marcos saíra com a pasta de fotos debaixo do braço. As imagens de Renata insistiam em voltar à mente. A menina atrás do balcão da loja. A postura discreta. O olhar atento demais para alguém que só dobrava roupas. Otávio serviu mais um dedo de uísque, mas novamente não bebeu. O copo ficou esquecido sobre a mesa de vidro. — Emprego… — murmurou. — Todo mundo acha que é intocável quando precisa dele. Ele parou diante da janela e encarou o reflexo do próprio rosto no vidro escuro. Estava calmo. Frio. Era a

