O luxo não era mais um refúgio; era uma ironia c***l. O quarto principal da nossa nova mansão era a materialização de todos os "cuidados" de Otávio. O colchão king-size era uma ilha de seda e cetim, ladeada por mesas de cabeceira de mogno antigo. O ar estava pesado com o perfume doce das orquídeas brancas e o cheiro enjoativo das velas de baunilha. Tudo ali gritava romance e celebração. Eu, porém, estava sentada na ponta da cama, sentindo o peso do vestido de noiva como se fosse uma cota de chumbo. Eu, Sofia, dezoito anos e estava prestes a entregar a última parte de mim que Otávio ainda não possuía. O corpo estava exausto pela tensão do dia, mas a mente estava em alerta máximo. A dor na minha alma era imensa, mas eu tentava me agarrar à última ilusão: a de que, após o casamento, ele se

