A porta do escritório ainda nem tinha esfriado do toque de Marcos quando Otávio voltou para trás da mesa. O silêncio que ficou depois da saída do advogado era pesado, denso, quase confortável. Ele sabia exatamente o que tinha acabado de colocar em movimento. As flores já estavam sendo providenciadas. O aviso já estava a caminho. Agora faltava garantir olhos onde ele não podia estar. Otávio puxou o celular do bolso do paletó, caminhou lentamente até a poltrona de couro e se sentou. Abriu a lista de contatos sem pressa, como quem escolhe uma ferramenta. Parou em um nome salvo de forma simples demais para alguém como ele. Debby. Ele respirou fundo antes de ligar. Não por nervosismo, mas por desprezo contido. O telefone chamou duas vezes. — Alô? — a voz veio desconfiada, arrastada. —

