Clara não conseguia parar de olhar para a tela de seu celular, os dedos tremendo ligeiramente enquanto o número desconhecido continuava a brilhar em sua tela.
A mensagem parecia simples, mas o tom ameaçador a fazia sentir como se estivesse sendo observada a cada passo que dava.
Ela olhou ao redor da sala, sentindo um calafrio subir pela espinha.
Era como se alguém estivesse ali, em cada canto, esperando para dar o próximo movimento.
Ela se afastou da janela, puxando as cortinas com pressa, como se isso fosse impedir qualquer observador invisível.
Ela estava começando a se perder na paranoia.
Não havia ninguém ali, não havia sinais óbvios de que alguém estivesse realmente vigiando-a.
Mas algo dentro dela dizia que não era uma sensação normal. Algo estava errado. Algo muito maior estava em jogo.
Os olhos dela foram automaticamente atraídos para o celular novamente, e ela deslizou os dedos pela tela, tentando se manter calma, mas o medo estava ali, incontrolável, espalhando-se por cada célula de seu corpo.
"Eu sei onde você está. E eu sei o que você fez." A frase ecoava em sua mente, como um eco que não parava de se repetir.
A mensagem parecia tão simples, mas cada palavra tinha um peso, uma ameaça implícita.
— Quem é você? — Clara murmurou para si mesma, sentindo sua respiração ficar mais pesada à medida que sua mente tentava entender o que estava acontecendo.
Quem sabia o que havia acontecido entre ela e Lucas? Quem estava tão intimamente envolvido no jogo deles a ponto de conhecê-la tão bem, de saber exatamente onde ela estava, de sentir-se capaz de me ameaçar dessa maneira?
Ela levantou-se, seus pés descalços tocando o piso frio do apartamento.
O que mais a incomodava não era apenas o mistério da mensagem.
Era o fato de que Lucas ainda não tinha dado notícias, e a situação começava a se tornar ainda mais angustiante.
Ele sempre quer controlar tudo, sempre sabia onde estava e o que estava fazendo. Agora ele estava fora do alcance, e ela se via mais perdida do que nunca.
Clara não tinha respostas, mas a sensação de estar sendo observada não desaparecia.
Ela tentou ignorá-la, mas quando foi até a cozinha para beber algo, algo a fez parar abruptamente. Uma sombra, uma figura no reflexo da janela.
Seus olhos se arregalaram e ela se virou rapidamente, mas não havia nada ali.
Nada além do vazio do apartamento que ela conhecia tão bem.
O que a fez parar foi a sensação, o calafrio na nuca, como se alguém estivesse atrás dela, esperando o momento certo para se revelar.
A tensão era insuportável. Alguém estava observando.
Ela não sabia se era Lucas, ou talvez alguém mais, alguém que soubera de tudo o que havia acontecido, alguém que estava agora jogando o jogo da maneira mais c***l possível.
Clara não podia mais ignorar essa sensação que ela estava a sentir.
Ela sabia que havia algo mais, algo perigoso, e talvez estivesse se aproximando de algo que não conseguiria controlar.
Quando Clara pensou que as coisas não podiam ficar mais confusas, uma carta apareceu em sua porta.
Simplesmente estava lá, encostada contra a madeira.
Ela olhou ao redor, sentindo os batimentos do coração acelerar.
Era uma carta sem remetente, sem qualquer identificação.
Ela hesitou por um momento, o medo apertando seu peito, mas a curiosidade a consumia.
Ela pegou a carta, observando o envelope sem qualquer marca.
A carta dentro estava escrita à mão, a caligrafia impecável, quase como se tivesse sido escrita por alguém com uma intenção muito cuidadosa.
Com a respiração suspensa, Clara abriu a carta. As palavras dentro eram poucas, mas tinham um peso que fez seu corpo gelar.
"Você sabe onde Lucas está. E agora, você vai pagar por isso."
O sangue de Clara parecia ter sido drenado de seu corpo. O que isso significava? Como alguém sabia que ela sabia de Lucas? E o que ela tinha feito? Ela realmente sabia onde ele estava? Ou aquilo era mais uma tentativa de confundi-la, de deixá-la em um jogo psicológico ainda mais torturante?
Ela deixou a carta cair de suas mãos, os dedos agora completamente dormentes. Era demais.
A mensagem, a sensação de ser vigiada, a ausência de Lucas. Tudo isso estava empurrando Clara para um abismo, e ela não sabia mais em quem confiar, nem no que estava acontecendo.
Clara saiu de casa, com a necessidade de clareza a consumindo.
Ela precisava descobrir quem estava por trás disso, quem estava observando cada movimento seu, quem estava manipulando as peças no jogo.
Ela não podia mais ficar parada, esperando para ser caçada. Ela precisava entender as regras desse jogo antes que fosse tarde demais.
Com os olhos atentos a cada esquina, Clara começou sua busca.
Mas quanto mais procurava, mais ela sentia que estava sendo observada.
Cada movimento seu parecia ser antecipado, cada palavra que ela dizia parecia ser ouvida por alguém.
E mesmo quando ela olhava para trás, não havia ninguém ali.
Mas a sensação de estar sendo seguida nunca a abandonava.
Enquanto ela caminhava pela rua, seu celular vibrou novamente.
Ela o pegou sem pensar, o medo crescendo a cada segundo. Era uma nova mensagem, sem número, como as anteriores.
Ela a abriu com mãos trêmulas, e as palavras fizeram seu coração quase parar.
Você está mais perto do que imagina. Ele não está mais onde você pensa. E agora, você é minha.
A mensagem era clara. Alguém estava controlando tudo, e Lucas não estava onde ela pensava.
Ele estava mais perto, mais perto do que ela poderia imaginar.