CAPÍTULO 18

877 Words
O dia seguinte à noite de entrega era silencioso, mais silencioso do que Clara imaginava que seria. Ela acordou sozinha, no lugar que deveria ser o mais seguro e reconfortante de sua vida, mas algo estava diferente. Os lençóis ainda estavam marcados pela sua presença, mas o cheiro de Lucas havia desaparecido. Ele havia sumido como uma sombra que desaparece ao primeiro toque da luz do dia. Clara sentiu uma pontada de desorientação quando se levantou da cama, sua cabeça pesada de sono e desejos não resolvidos. O que tinha sido tão real na noite anterior parecia agora estar escapando entre seus dedos, como areia, dissolvendo-se ao primeiro sinal de lucidez. Ela se sentiu vazia, como se um pedaço de si mesma tivesse sido arrancado durante a noite, e aquele vazio que a consumia lentamente. Ela pegou o celular, sua mão trêmula ao desbloquear a tela. Nenhuma mensagem de Lucas. Nenhuma ligação. Nada. Ele não a procurara. Não parecia haver qualquer sinal de que ele soubera o quanto ela precisava dele, o quanto ele havia se tornado uma obsessão em sua mente. Clara estava tentando convencer a si mesma de que a ausência dele era temporária, mas uma sensação inquietante de abandono começou a crescer dentro dela. O dia avançou, mas Clara não conseguia se concentrar em nada. Ela tentava retomar a normalidade, como se fosse possível apagar a intensidade da noite anterior, mas tudo parecia fora de lugar. Cada lembrança de Lucas era como um golpe no peito, uma lembrança de algo que ela não podia mais ter. Quando chegou a tarde, o telefone de Clara finalmente tocou. Ela olhou para o número, mas não era Lucas. Era um número desconhecido. Ela hesitou por um momento, o medo se espalhando pela sua pele, mas atendeu. — Clara. — A voz do outro lado da linha era calma, mas havia uma tensão inegável nela. Eu não sei como te dizer isso, mas... Lucas desapareceu. O coração de Clara deu um salto no peito. Desapareceu? O que isso significava? Como alguém como Lucas poderia simplesmente desaparecer? Ele sempre esteve no controle, sempre soubera o que queria, onde estava. Não era possível que ele simplesmente sumisse. — O que você está dizendo? Onde ele está? — Clara perguntou, sua voz mais aguda do que ela gostaria de admitir. A pessoa na linha suspirou, parecendo pesar suas palavras antes de falar. — Ele desapareceu ontem à noite, Clara. Não deu explicações, não deixou nenhum sinal. O que sabemos é que ele estava com você. Precisamos saber se você viu algo, se você sabe de alguma coisa. Clara sentiu seu estômago revirar. Ele estava com ela. Ele tinha estado ali, na cama, dominando-a, possuindo-a. E agora ele estava fora de alcance, desaparecido. — Eu não sei de nada. — Clara mentiu, sentindo as palavras saírem de sua boca como se fosse veneno. Ela sabia que algo estava errado, mas não podia admitir para ninguém, nem para si mesma, o que realmente havia acontecido. Ela desligou o telefone e se apoiou na mesa ao lado, suas mãos tremendo. Onde ele estava? Por que não havia dado sinais? O que acontecera depois da noite deles juntos? Clara não conseguia pensar com clareza, sua mente girando em uma espiral de incertezas e medos. Clara não sabia o que fazer, mas algo dentro dela dizia que Lucas não iria simplesmente desaparecer sem deixar uma pista. Ele sempre foi meticuloso, controlado. Se ele quisesse se afastar, ele faria isso de forma que não deixaria dúvidas. Mas o que mais a perturbava era que, mesmo que ele fosse possessivo e controlador, ele nunca a havia deixado sem avisar. Não havia sequer uma mensagem, uma explicação. Nada. Ela não podia esperar mais. Clara precisava encontrá-lo. Mas onde ele poderia estar? O que ele estava fazendo? Por que ele a havia deixado no escuro? Ela começou a procurar por qualquer coisa que pudesse indicar o paradeiro de Lucas. Começou com a última vez que o viu, a última coisa que ele disse. Você não pode fugir de mim. Aquela frase ecoava em sua mente. Era como se ele soubesse que ela nunca seria capaz de escapar, mas agora, ele a deixava aqui, com o vazio tomando conta de tudo. Sua obsessão por ele, que até então a impulsionar a se entregar sem pensar, agora a impulsionava a procurá-lo, a buscá-lo a qualquer custo. Ela precisava de respostas. Precisava saber o que ele estava fazendo, por que ele a havia deixado assim, sem um rastro, sem um aviso. Clara estava perdida em seus próprios pensamentos quando algo no celular chamou sua atenção. Uma mensagem, vinda de um número desconhecido. Ela hesitou por um segundo, sentindo o medo apertar seu peito, mas decidiu abrir. "Eu sei onde você está. E eu sei o que você fez." O estômago de Clara afundou. Isso não era uma coincidência. Era uma ameaça, uma provocação, uma mensagem que a fazia questionar sua sanidade e suas escolhas. Ela olhou para a tela, sentindo a pressão aumentar, e percebeu que agora o jogo havia mudado completamente. Não era mais apenas sobre Lucas e seu poder sobre ela. Algo muito mais sombrio estava em jogo, e Clara estava no centro disso, sem saber o que esperar a seguir.
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