A noite estava mais quente do que o normal, e Clara sentia como se o ar estivesse mais denso à medida que os minutos passavam.
A tensão entre ela e Lucas nunca havia sido tão palpável, e ela sabia que estava caminhando para um ponto sem volta.
Cada olhar, cada palavra dita entre eles, era um jogo que ela sabia que não controlava mais.
Ele a possuía, de uma maneira que ela nunca havia imaginado.
Nos dias que se seguiram àquela conversa intensa, Lucas não parecia dar um passo em falso.
Ele a observava de longe, seus olhos sempre atentos, como se cada movimento dela fosse uma carta que ele estivesse esperando para jogar.
Clara tentava se concentrar no trabalho, mas não havia como ignorar a presença constante de Lucas, pairando no ar, mesmo quando ele não estava fisicamente por perto.
Ele estava em todos os lugares. Ela podia senti-lo.
Ele estava observando cada passo que ela dava.
E naquela noite, ele apareceu de forma inesperada.
Clara estava em sua casa, sozinha, depois de um longo dia de trabalho, quando o som da campainha a fez pular.
Quando ela abriu a porta, Lucas estava ali, com aquele sorriso enigmático, a expressão dominadora e aquele olhar penetrante que sempre a deixava sem palavras.
— Eu sabia que você estava em casa. — Ele disse, a voz baixa e controlada. Não havia questionamento ali, apenas uma certeza inquietante.
Ele sabia que ela estava sozinha. Ele sabia que ela não podia escapar dele.
Clara tentou manter a compostura, mas uma onda de insegurança a invadiu.
Ele estava tão próximo, tão real, que não havia mais como negar a atração, a tensão, o desejo.
— Por que você está aqui, Lucas? — Clara perguntou, tentando esconder o tremor na voz.
Mas ele não respondeu diretamente.
Lucas entrou sem ser convidado, e Clara não teve coragem de protestar.
Ele sabia como fazer com que ela se calasse, como moldar a situação a seu favor.
Ela sentiu o calor do corpo dele preenchendo o ambiente, tornando o ar espesso, carregado de algo difícil de definir.
— Não se faça de difícil, Clara. — Ele sussurrou, aproximando-se dela, cada passo calculado, cada movimento como se estivesse brincando com a situação.
Como se soubesse que, mais cedo ou mais tarde, ela cederia.
Clara tentou se afastar, mas ele a alcançou em segundos, pegando seu braço com força e puxando-a para mais perto.
O movimento foi rápido, tão imprevisto que ela não teve tempo de reagir.
— Você sabe o que acontece quando desafia minhas regras, não sabe?
— Ele disse, sua voz mais baixa agora, com uma ameaça velada, mas clara o suficiente para que Clara entendesse. Ela não estava mais no controle.
O toque dele em seu braço foi forte, dominador, e, por um momento, Clara ficou paralisada, sentindo a energia entre eles crescer de forma avassaladora.
O desejo a consumia, mas havia algo mais ali, algo perigoso, como se ela estivesse entrando em um território onde as regras já não se aplicavam.
— O que você quer, Lucas? — Clara murmurou, sabendo que estava entrando em um terreno arriscado, mas não conseguindo se afastar.
Lucas a olhou fixamente, seus olhos negros penetrando profundamente nela. Ele a estudava, como se estivesse tentando adivinhar o que ela faria a seguir.
E então, com um sorriso de predador, ele falou.
— Você tem ideia do que acontece quando você me desobedece? — Ele sussurrou, a voz tão baixa que parecia um segredo, uma promessa.
A tensão entre eles crescia, a linha entre o desejo e o medo começava a se borrar.
Clara engoliu em seco, sentindo o peso das palavras dele. Ela sabia que ele não estava brincando.
— Eu não sou sua, Lucas. — Ela tentou, com mais firmeza, embora sentisse seu corpo traí-la, ansioso por mais.
Lucas sorriu novamente, mas desta vez, o sorriso não foi de satisfação.
Foi mais como um aviso, uma ameaça implícita.
— Você está completamente errada, Clara, você é minha, desde o momento que olhou para mim daquele jeito, você já era minha.
— Ele a puxou ainda mais para perto, até que seus corpos estivessem quase colados.
O calor de sua pele era insuportável, e Clara sentiu o choque de sensações invadir seus sentidos.
A pressão em seu peito aumentou, a confusão se instalou em sua mente.
O desejo estava ali, queimando intensamente, mas havia algo mais,
— E se você continuar jogando contra mim, vai descobrir o que significa realmente ser minha.
— A ameaça foi clara, mas o tom de sua voz continuou calmo, quase divertido. Era como se ele estivesse esperando para ver até onde ela chegaria.
Clara olhou para ele, tentando encontrar alguma maneira de responder, mas as palavras não escapavam da sua mente.
Ela estava sendo consumida por ele, pela sua possessividade em seus olhos, pela ameaça nas suas palavras, e com isso uma dúvida começa a surgir nela.
Ela queria lutar contra isso, queria gritar e dizer que não estava disposta a se submeter a nada disso, mas algo dentro dela a impedia.
Ela sentia o controle que ele tinha sobre ela, mas também sentia que estava se perdendo.
Lucas percebeu a luta interna dela e deu um passo atrás, mas não antes de deixá-la sentir sua presença em cada fibra de seu corpo.
— Você tem uma escolha, Clara. — Ele disse, a voz mais suave, mas ainda carregada de poder.
— Você pode se afastar e nunca mais me ver, ou pode se entregar a isso que já é inevitável para nós.
Clara estava em silêncio, suas mãos tremendo levemente.
Ela não sabia mais o que fazer, o que pensar.
Mas uma coisa era certa, ela estava sendo arrastada para algo que ela não conseguiria, mas escapar.
E ele já a havia marcado. E, agora, ela precisava decidir até onde estava disposta a ir por todo esse desejo.