CAPÍTULO 23

629 Words
Clara sentia o peso da ameaça se espalhar pelo ar como uma sombra sufocante. O nome de Gabriel agora era um fantasma entre ela e Lucas, um lembrete de que eles estavam sendo observados, caçados. Lucas não soltou o rosto dela. Seu olhar era uma mistura de desejo e fúria. — Você entende o que isso significa, não é? — Sua voz saiu baixa, mas carregada de intensidade. Clara assentiu devagar. — Ele não está brincando. Lucas aproximou-se ainda mais, seu polegar roçando o lábio inferior dela. — E eu também não. Antes que ela pudesse reagir, os lábios dele tomaram os dela em um beijo intenso, cheio de posse e necessidade. Não era apenas desejo, era um aviso. Um juramento silencioso de que ele a protegeria a qualquer custo. Quando se separaram, ambos estavam ofegantes. Mas não havia tempo para se perder um no outro agora. O telefone de Lucas vibrou novamente. Ele pegou o aparelho e estreitou os olhos ao ler a mensagem. Vamos brincar? Eu já comecei. Olhe para fora. Lucas foi até a janela e sentiu o sangue ferver. Lá embaixo, encostado em um carro preto, Gabriel Monteiro estava parado, sorrindo. — Filho da p**a — Lucas rosnou, cerrando os punhos. Clara se aproximou, e o coração dela disparou ao ver aquele homem. Alto, vestido com um terno escuro, cabelo loiro bem alinhado e um olhar afiado como lâminas. Ele parecia perigoso, mas o que a fez estremecer foi o sorriso. Um sorriso de quem sabia que estava no controle do jogo. Gabriel ergueu a mão e fez um gesto tranquilo de aceno, como se estivesse cumprimentando velhos amigos. Em seguida, pegou o celular e digitou algo. O telefone de Lucas vibrou novamente. Espero que esteja pronto. Porque eu estou apenas começando. Clara sentia o coração martelar contra o peito enquanto olhava pela janela. Gabriel Monteiro estava ali, observando-os com aquele sorriso calculado, como se soubesse exatamente quais botões apertar para desestabilizar Lucas. Lucas segurava o celular com força, os nós dos dedos brancos de tanta tensão. O silêncio entre eles era pesado, até que Clara finalmente quebrou: — Você precisa me contar a verdade, Lucas. Toda a verdade. Ele virou-se para ela lentamente, o olhar tempestuoso. — Eu já te disse o que importa. Clara cruzou os braços, sem desviar o olhar. — Você me disse o que queria que eu soubesse. Mas isso, isso é mais do que um problema do seu passado. É o nosso presente agora. Lucas passou a mão pelo rosto, visivelmente irritado. — Gabriel e eu crescemos juntos. Mas ele escolheu um caminho que eu não podia seguir. — O que isso significa? — Clara insistiu. Lucas hesitou. Então, desviou o olhar. — Significa que ele fez coisas, coisas que eu não podia ignorar. Coisas que me forçaram a cortar laços com ele. Clara estreitou os olhos. — E o que ele fez? O silêncio de Lucas foi suficiente para fazê-la entender. Ele não ia contar tudo. Não agora. Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha. — Você ainda está me escondendo algo. Lucas se aproximou rapidamente, segurando o rosto dela entre as mãos. — Eu estou protegendo você, Clara. Isso é tudo o que importa. Ela queria acreditar Queria confiar nele cegamente. Mas algo lhe dizia que Lucas estava segurando partes importantes dessa história. E com Gabriel agora na jogada, cada mentira ou meia verdade poderia custar caro. Lá embaixo, Gabriel pegou um cigarro e acendeu calmamente, como se estivesse esperando. Jogando a cabeça levemente para trás, ele soprou a fumaça no ar e pegou o celular novamente. Logo depois, o telefone de Clara vibrou. Seu sangue gelou ao ver a mensagem. Ele te contou a parte em que me traiu? Ou continua escondendo os detalhes mais sórdidos?
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