Clara sentia as palavras de Gabriel queimarem em sua mente. "Ele te contou a parte em que me traiu?"
Lucas ainda segurava o rosto dela, seus olhos fixos nos dela, tentando decifrar sua reação.
Mas Clara não conseguia esconder a onda de desconfiança que começava a crescer.
— O que ele quis dizer com isso, Lucas? — Sua voz saiu mais fraca do que queria.
Lucas fechou os olhos por um segundo, como se estivesse reunindo forças.
Quando voltou a encará-la, havia algo sombrio em seu olhar.
— Ele está manipulando você. Ele sempre foi bom nisso.
Clara se afastou, sentindo um aperto no peito.
— Isso não responde a minha pergunta. Você me traiu, Lucas? Ou traiu ele?
A tensão no ar se tornou quase insuportável. Lucas passou a mão pelos cabelos, visivelmente frustrado.
— Eu fiz o que precisava fazer.
O silêncio entre eles foi pior do que qualquer grito.
Clara sentiu um nó se formar em sua garganta.
— Você está escondendo coisas de mim… — sussurrou, balançando a cabeça.
Lucas se aproximou, tentando tocá-la, mas ela recuou.
— Clara, não faça isso.
Ela riu sem humor, os olhos marejados.
— Eu? Eu não estou fazendo nada, Lucas. Você que está me afastando com suas meias verdades.
O telefone dela vibrou novamente.
Com mãos trêmulas, Clara olhou para a tela.
Gabriel: Ele já te contou sobre a noite em que me destruiu? Ou ainda está bancando o herói?
Seus dedos apertaram o aparelho com força.
Ela levantou o olhar para Lucas, que agora parecia furioso ao perceber que Gabriel ainda estava em contato com ela.
— Não leia isso. — A voz dele saiu tensa, quase desesperada.
Mas era tarde demais.
Clara abriu a mensagem, e o que viu fez seu mundo desmoronar.
Uma foto.
Lucas e Gabriel, lado a lado, anos atrás.
Mas o que chamou sua atenção foi o fundo da imagem, uma cena caótica, com sangue no chão e algo que parecia muito pior acontecendo atrás deles.
Seu coração se partiu.
Ela ergueu os olhos para Lucas, agora enxergando-o de um jeito completamente diferente.
— Quem é você de verdade? — perguntou, a voz embargada.
Lucas deu um passo em direção a ela, mas Clara já estava indo embora.
E pela primeira vez, ele sentiu que realmente poderia perdê-la.
Clara caminhava apressada pela rua escura, sentindo o vento frio cortar sua pele.
Seus pensamentos estavam em desordem, o peito apertado por uma dor que ela nunca havia sentido antes. Quem era Lucas, afinal?
Cada vez que olhava para a foto enviada por Gabriel, sentia um peso insuportável em seu coração.
Havia sangue, havia algo que Lucas nunca lhe contara.
Algo grande e algo perigoso.
— Clara!
A voz dele ecoou pela noite, carregada de desespero e autoridade. Mas ela não parou, não dessa vez, não.
Passos rápidos ecoaram atrás dela.
Antes que pudesse reagir, um braço forte a puxou, virando-a contra um corpo quente e familiar.
— Me solta, Lucas! — Sua voz saiu entrecortada, cheia de mágoa.
— Não até você me ouvir.
Ela lutou, mas ele a segurou com mais força, como se estivesse segurando algo precioso que escapava por entre os dedos.
Seus olhos estavam intensos, dominados por um turbilhão de emoções.
— Eu nunca quis te machucar, Clara. — Sua voz era baixa, quase um sussurro.
— Mas você precisa confiar em mim.
Ela riu amargamente, os olhos marejados.
— Como eu posso confiar em você depois disso? Depois de ver aquilo?
Lucas apertou a mandíbula, sua respiração acelerada.
— Eu fiz coisas das quais não me orgulho.
Mas tudo o que eu fiz, foi para proteger as pessoas que eu amo.
Clara sentiu uma lágrima rolar pelo rosto.
— Você mentiu para mim, desde o começo.
Ele fechou os olhos por um segundo, como se estivesse suportando uma dor insuportável.
Então, quando os abriu, havia algo quebrado neles.
— Se você quiser ir embora vá.
O silêncio entre eles foi cortante.
Mas então, antes que Clara pudesse processar suas palavras, Lucas segurou seu rosto e a beijou.
Não foi um beijo calmo.
Foi desesperado, possessivo, como se ele estivesse gravando seu gosto na memória, Como se aquele fosse o último.
Ela tentou resistir, mas o corpo dela já pertencia a ele.
O beijo era a ruína deles.
E ambos sabiam disso.