Clara sentia seu coração acelerar a cada passo, a cada olhar suspeito que lançava sobre as ruas vazias.
Ela estava sendo seguida, era óbvio agora.
Mas o que mais a angustiava não era o fato de que alguém estava vigiando-a, mas a intensa sensação de que ela estava sendo controlada.
Não apenas fisicamente, mas emocionalmente.
O ciúme que a consumia era um veneno invisível, uma força irresistível e implacável.
Ela caminhou até o café onde se encontraria com uma amiga, tentando encontrar um pouco de normalidade, tentando se afastar dos pensamentos insanos que a assolavam.
Mas a cada momento, o sentimento de ser observada se tornava mais palpável, mais real. E, então, quando menos esperava, o viu.
Lucas estava ali, parado na esquina do café, com seus olhos fixos nela, com um olhar que parecia carregar toda a intensidade de uma tempestade prestes a estourar.
Ele não parecia surpreso de vê-la, mas ela estava completamente estupefata.
Clara engoliu em seco, sentindo a pressão aumentar.
O que ele estava fazendo ali?
Como ele sabia que ela estaria naquele café?
Ele estava vigiando-a também?
Lucas a observava com um misto de possessividade e algo mais profundo.
Quando ela começou a andar em direção a ele, seus passos se arrastavam, como se a distância entre ela e ele fosse uma corda tensa prestes a arrebentar.
Ele não sorria. Não a saudava com a familiaridade de antes.
Ele estava diferente. E essa diferença a aterrorizava.
— Você não me respondeu, Clara. — Sua voz, carregada de uma tensão inegável, fez Clara parar no meio do caminho. Ela não conseguia mais se mover.
Ele estava a observando, estudando cada reação sua como se estivesse esperando o momento exato para puxá-la para dentro do seu mundo novamente.
Clara tentou manter a calma, mas o nervosismo a invadiu como uma onda furiosa.
— Onde você estava? — ela perguntou, sua voz baixa, mas firme, tentando manter algum controle.
A dor da ausência dele, a incerteza de tudo o que havia acontecido, a afligiam mais do que ela estava disposta a admitir.
Lucas se aproximou dela com passos lentos, seus olhos nunca deixando os dela.
Quando ficou a poucos centímetros de distância, ele a tocou, sua mão se posando sobre a cintura dela de uma forma possessiva, como se fosse um lembrete de quem ela realmente pertencia.
— Onde eu estava? — ele repetiu, quase com desdém.
“Você não sabe? Eu estava o tempo todo observando você, Clara. Cada movimento, cada respiração sua.”
Ela sentiu um calafrio percorrer sua espinha, e as palavras dele a cortaram de uma maneira que ela não esperava.
Ele estava vigiando-a.
A ideia de que ele a controlava não a assustava tanto quanto deveria.
Havia algo nele, algo tão dominante, que ela não sabia se queria ou temia estar sob seu olhar constante.
Ele segurou seu queixo com firmeza, obrigando-a a encará-lo nos olhos.
Seu olhar estava carregado de possessividade, e o ciúme parecia ter tomado conta dele, como se ele fosse uma fera prestes a devorar tudo ao seu redor.
— Você acha que pode sair por aí, como se nada tivesse acontecido entre nós? Como se tudo fosse simples e inofensivo?
— Lucas rosnou, suas palavras, uma mistura de raiva e desejo.
“Você é minha, Clara. E eu vou te mostrar o que acontece quando você tenta fugir de mim.”
O tom de voz dele a fez estremecer, mas, em vez de afastá-lo, ela se viu ainda mais atraída.
O jogo que ele estava propondo a envolvia de uma maneira que ela não sabia mais como escapar.
Ela estava completamente à mercê dele, e ele sabia disso.
Clara tentou se soltar, mas Lucas a segurou com mais força, suas mãos agora em seu pescoço, os dedos apertando suavemente, como se quisesse marcar seu território de maneira explícita.
Ele estava se tornando ainda mais possessivo, mais obscuro do que ela jamais imaginara.
A linha entre desejo e medo estava ficando cada vez mais tênue, e o ciúme dele queimava com uma intensidade que ela não sabia como lidar com isso.
— Não pense que você pode sair por aí e esconder o que está acontecendo entre nós. Você não pode mais.
Eu não vou deixar você escapar.
— As palavras dele eram uma ameaça, mas, ao mesmo tempo, um convite tentador.
O controle estava todo em suas mãos, e Clara sabia que ele faria o que fosse necessário para garantir que ela permanecesse ali, ao lado dele.
Clara não sabia como reagir.
A raiva e a atração a confundiam, e ela sentiu uma onda de êxtase misturada com a culpa.
Era errado, mas tudo o que ele dizia e fazia a envolvia de uma forma que ela não conseguia mais distinguir do que era certo ou errado.
Ela estava perdida em seus sentimentos, em sua própria obsessão por ele.
Ele a puxou ainda mais para perto, seus lábios quase tocando os dela, e Clara sentiu a eletricidade no ar, a tensão crescendo, consumindo-os.
O beijo que se aproximava estava sendo forjado por essa possessividade, por esse desejo implacável que Lucas tinha sobre ela.
— Eu não posso ficar longe de você, Clara. Não posso deixar você ir. Você pertence a mim. Só a mim.
Ela não respondeu, mas o olhar nos olhos dela falava mais do que mil palavras poderiam expressar.
Clara sabia que Lucas a dominava, que ele estava jogando um jogo perigoso de posse e ciúmes, e ela não sabia mais se queria ser a vítima ou a cúmplice.
Mas uma coisa era certa: ela não conseguiria mais escapar dele, não importava o que acontecesse.