CAP 17 - LUCAS E IOLANDA PARTE 2

2509 Words
Lucas estava prestando atenção em Lúcio, sobre o que lhe dizia, a respeito de seu amor por Iolanda. Tudo aquilo realmente fazia sentido. Ele se comovia com o fato de representar a casa de Deus. Estar sempre lá para quem precisasse. Isso nunca acontece em uma família...portas abertas para quem precisasse. Ele argumenta isso com o irmão. Lúcio enfatiza: - Pois talvez seja hora de iniciar uma família assim, receptiva para a comunidade. Não perca o que pode ter com Iolanda por se limitar aos padrões sociais. Talvez a sociedade, a comunidade precisa exatamente de pessoas, famílias que se importem com o todo. Lucas: - Temo que as pessoas não me procurem mais, sendo um homem comum e não um sacerdote. Lúcio: - Vai acontecer, sim. Agora outras vão aceitar e entender e isso faz parte da transformação no mundo. Nem todos aceitam tudo...o que não impede de tentarmos mudar o que está errado. - ele pára um pouco e diz: - Tudo na vida tem um preço, meu irmão. Nem sempre podemos ter tudo… agora o que realmente está pensando em seu coração? É mais fácil imaginar sua vida, como homem de Deus, perdendo Iolanda, que por certo irá seguir com sua vida, ou se imaginar com Iolanda e não ser mais um sacerdote, mas ajudar mesmo assim as pessoas?Em uma opção você tem que escolher entre ela e ajudar ao próximo, em outra opção pode ter os dois… Aquelas palavras realmente calaram fundo em Lucas. Falando daquele jeito não tinha nem o que pensar. Lúcio ainda diz: - Querendo, começar agora a construção de uma casa para vocês, ou pode vir morar aqui com todos. Lucas até respira mais fundo. Ele começa a se imaginar casado com ela. Seria uma vida diferente, mas lhe parecia muito mais cheia de encantos. Imaginar sua vida sem ela era impossível, porém se imaginar ao lado dela, ajudando a todos da comunidade, mesmo não podendo praticar os sacramentos ou a missa, isso mesmo assim era mais aceitável. Ele parecia estar decidido. Lucas: - Agora me diga, meu irmão, o que lhe está afligindo? Lúcio estava visivelmente abatido. Ele não comentava com ninguém sobre investigar a morte de seus pais. Geralmente tomava decisões sozinho. Não desabafava, não pedia conselhos, não perguntava opiniões, ia lá a fazia...mas antes pensava muito. Lúcio era observador e cauteloso. Ele fica um pouco quieto...pensando no que dizer, como dizer...se devia dizer... Lucio respira fundo e inicia seu desabafo, mesmo sabendo poder ouvir críticas: - Ando investigando a morte de nossos pais, sozinho. Lucas sabia que o momento era de ouvir. Lúcio segue: - Estou tentando me aproximar do senhor Nicolau. Lembra de tudo que o papai falou na véspera do incêndio? Lucas: - Que ele havia descoberto algo do senador e exporia a todos… Lúcio: - Eu realmente creio que nossos pais foram mortos. Lucas: - E está tentando aproximar-se? Lúcio: - Ganhar a confiança, ver o que esse homem tanto esconde. Lucas: - Para isso talvez tenha que mentir ser quem não é. Você realmente consegue ser assim? Lúcio coloca a mão na testa, demonstrando cansaço e confusão. Ele então responde: - Não sei se consigo. Tive que me calar várias vezes já e isso me destruiu por dentro. Lucas: - Se papai descobriu de outra forma, talvez você também consiga. Lúcio: - Papai tinha contatos dentro da política. Creio que foi uma dessas alianças que proporcionou tais conhecimentos. Para se obter tais informações sujas, somente estando disposto a se sujar, o que papai, certamente, não o fez. Deve conhecer alguém dessa estirpe. Lucas: - Já pensou em entrar para a política? Lúcio: - Isso me faz entrar no segundo assunto...o qual eu realmente busco um conselho… Lucas - Para você pedir um conselho deve ser algo sério mesmo. Lúcio: - Muito. Você bem sabe o que Amália representa para mim. Lucas faz sim com a cabeça. Já acompanhava o interesse do irmão pela moça há algum tempo. Lúcio: - Pois bem, não me sinto bem em ocultar dela minha real intenção, ao me aproximar do seu pai. Temo que ela descubra e confunda o que sinto por ela, com interesse em me aproximar...como se estivesse a usando para tal fim. Lucas: - O que seria plausível e ela não te conhecendo tão bem… Lúcio: - Pode afastá-la de mim para sempre. Angélica senta-se ao seu lado. Lúcio sente um calafrio. Lucas levanta-se e fecha a janela. Angélica se afasta dizendo: - Exatamente isso que aconteceu, meu amor. Precisa evitar tudo isso...Conte-me tudo...antes que eu descubra da pior maneira possível…a verdade, amor...sempre a verdade. Lúcio estava um pouco atordoado. Era como se Angélica conseguisse uma conexão com ele. O frio passa e ele continua: - E o pior é que Amália me pediu para não entrar para a política. Lucas não entende direito. Ele diz: - Ela explicou o motivo? Lúcio: - Não...Agora não sei o que fazer...quero e devo achar os culpados da morte de nossos pais. Lucas: - E se foi um acidente? Lúcio: - Sabemos que papai e mamãe eram cuidadosos. Algo está errado em tudo isso. Não confio em nada do que falaram...sabemos que até Júlio é aliado do senador. Infelizmente nossa cidade está abandonada no que se refere à justiça dos homens. Lucas: - Ainda bem que Pedro parece se interessar por isso. Lúcio: - Creio que terá um futuro brilhante e poderá mudar as coisas. Terá meu total apoio, mas ainda é novinho, pode mudar de ideia. Lucas: - Francisco irá para outra área, como Mateo...talvez Micael… Lúcio: - Espero que ele se defina logo… Lucas: - Agora voltando à questão...se eu fosse você, o que realmente creio ser sua dúvida, eu contaria tudo para Amália e pediria a opinião dela. Lúcio: - Pensei nisso, mas é o pai dela. Lucas: - Justamente por isso...e faria antes do casamento. O amor em primeiro lugar. Confie nos seus sentimentos e nos dela. Se forem verdadeiros, tudo se resolve e juntos vão achar uma saída. Lúcio diz: - E ainda tem dúvida de que caminho seguir? Sabe mais sobre um casal do que eu, que sempre sonhei com isso… Lucas sorri pelo elogio do irmão. Lúcio sente-se mais aliviado. Ele ainda está receoso, com medo de perdê-la, mas tem certeza que o irmão está certo. O amor realmente é o único caminho. Eu vou rezar e esperar que ela me entenda, apoie e consigamos uma saída. Lucas: - Sempre que precisar estarei aqui, meu irmão. Lúcio: - Eu sei disso, meu irmão. Lucas: - Já que desabafamos, quero lhe contar algo que aconteceu. Lúcio: - Pois diga. Lucas: - Padre Emanuel achou em um beco Samuel. Ele é um mendigo que levou uma surra daquelas. Lúcio: - A troco do que? Lucas: - Pois durante a noite, estava em delírio e deixou escapar o nome de nosso irmão Júlio. Lúcio diz: - Eu não acredito que Júlio esteja agora, perseguindo mendigos. O que esse pobre homem possa oferecer ao nosso irmão? Lucas: - Estou tentando descobrir, mas Samuel é muito desconfiado. Sua vida por certo não está sendo fácil e apanhar uma surra de um juiz não é algo que se esqueça tão fácil, pois se o delatar, qual será o próximo passo? Lúcio: - Quer que converse com esse homem? Lucas: - Creio que não será necessário. Irei aos poucos tentar colher alguma informação. Agora preciso que me ajude a tentar descobrir quem, exatamente, é Samuel. Vou tentar colher algumas informações e vou lhe passando. Preciso ver se conhece alguém em comum com ele. Farei o mesmo. Lúcio: - Conte comigo. Precisamos saber o que Júlio quer com ele, boa coisa sabemos que não é. Lucas: - Eu, sinceramente, não tenho mais esperanças em nosso irmão. Depois dessa...fica difícil acreditar em uma redenção. Lúcio: - Desde que Júlio se afastou de mim, não tenho mais esperanças. Há uma maldade nos olhos dele que me assusta. Lucas: - Eu nunca perdi as esperanças, mas confesso que vendo o estado do pobre homem e o pavor dele no delírio...perdi a que tinha… Lucio: - Mamãe jamais desistiria dele. Isadora aparece sem ver Angélica e está sem vê-la também. Miguel logo em seguida, também não vê, nem é visto por Angélica. Ambos dão um passe nos filhos. Lucas: - Nem papai. Eu lembro que ele passava bastante a mão na cabeça de Júlio era muito enérgico com você. Lúcio: - Lembro em nossas conversas de que me falava que se arrependera. Lucas: - De passar a mão na cabeça do Júlio, né? Lúcio sorri e diz: - Por certo que era isso, sim. Lucas: - Ele foi duro contigo, mas tinha orgulho do homem que se tornou. Lúcio: - Eu sei disso. Lucas: - Eu só gostaria de saber o que poderia fazer para ajudar Júlio a se encontrar. Confesso que até minha afeição por ele acabou. Isadora diz: - Não fale assim, meu filho. Lúcio: - Só mesmo Madalena para ainda gostar dele. Isadora não entende e diz a Miguel: - O que Madalena tem a ver com isso? Miguel não responde, mas convida sua esposa para irem ver outros filhos. Ela aceita estranhando. Os dois conversam mais um pouco. Lucas abraça o irmão e sai. Ele estava aliviado como se não tivesse o peso do mundo em suas costas. Ele chega na paróquia e vai direto ver Iolanda, que estava cozinhando. Ele pega em sua mão e a leva para sentar na mesa da cozinha. Iolanda fica apreensiva com a atitude dele. Ela teme que ela se afaste. Lucas olha para ela com carinho. Ele diz: - Andei pensando… Iolanda fica assustada. Lucas nota e diz: - Eu vou conversar com o padre Emanuel. Vou falar que vou deixar a igreja. Iolanda sorri e o abraça. Lucas diz: - Só vamos com calma, até tudo se ajeitar. Talvez leve um tempo para a igreja me dar o consentimento. Iolanda: - Eu não me importo com isso. Só quero ficar com você. Lucas beija a mão da moça e diz: - Assim que sair da igreja, podemos ir para a casa do meu irmão. Se você quiser, podemos viver juntos. Agora se quiser esperar o consentimento da igreja, isso pode levar anos. Iolanda segura a mão dele e diz: - Eu não quero esperar. Assim que você deixar a igreja, eu vou com você, onde você for... Os dois se abraçam. Lucas: - Só vamos tomar cuidado. Eu vou falar agora mesmo com ele. Assim que conversamos, fazemos as malas e saímos. Iolanda faz sim com a cabeça. Lucas sai para conversar com o padre Emanuel. Iolanda fica sorrindo. Lucas chega no convento, na sala de padre Emanuel. Ele bate a porta, aberta, dizendo: - Posso entrar? Emanuel levanta-se e diz: - Entre, meu querido. Estava terminando o sermão da missa de amanhã. Lucas chega e senta-se. Emanuel repara o jeito receoso do moço. Ele diz: - Aconteceu algo? Lucas: - Aconteceu sim. Precisamos conversar. Emanuel: - Diga. Lucas faz silêncio por uns minutos e começa: - Pensei muito, meu querido amigo. E tomei uma decisão. Emanuel sente um aperto no peito. Ele intuiu que o rapaz ia dizer. Lucas: - Eu decidi sair da igreja, padre. Emanuel diz: - Você só está confuso. Tenha paciência, logo esse desejo acaba. Lucas: - Não é só desejo, padre. Eu amo Iolanda. Decidi e vou sair da igreja. Gostaria muito da sua benção. Emanuel sente que não adiantava falar nada. O rapaz estava convicto. Lucas fecha qualquer receptividade aos seus argumentos. Então diz: - Pois muito bem, se quer assim, bênção dada. Lucas levanta-se e o abraça. Ele faz uma pausa e diz: - Queria lhe pedir mais uma coisa… Emanuel: - Pois diga. Lucas: - Sabemos que vai demorar minha dispensa da igreja. Emanuel: - Pode levar anos… Lucas: - Gostaria de ao menos contar com suas bênçãos para mim e Iolanda. Emanuel: - Sabe que a igreja não pode abençoar o matrimônio enquanto for um padre… Lucas: - Não em matrimônio. Só uma cerimônia simples, abençoando nosso amor. Emanuel coloca a mão no seu ombro e diz: - Posso fazer algo simples, sem ser o sacramento. Lucas: - Eu lhe agradeço, meu amigo. Emanuel coloca a mão no rosto de Lucas e diz: - Eu quero que seja muito feliz, meu filho. Lucas o abraça dizendo: - Eu sei que sim. Emanuel: - E irá para onde? Lucas: - Eu e Iolanda iremos morar na casa dos meus pais, com meus irmãos. A antiga, pois a nova, que construíram só para eles, pegou fogo. Emanuel: - Vai querer que faça a cerimônia quando? Lucas: - Se possível amanhã? Quero falar com meus irmãos. Gostaria de alguns presentes. Talvez Iolanda queira um vestido. Acho que vou ver da minha mãe. Vou levá-la até lá. Emanuel fala sorrindo: - Se precisar de alguns ajustes, as irmãs podem ajudar. Lucas diz: - Vou falar com Iolanda. Ele sai feliz. Emanuel fica com olhar triste, após sua saída. Ele apostava no futuro brilhante do rapaz. Tinha certeza que era junto da igreja, mas não podia forçá-lo a perceber isso. Em sua cabeça, iria se arrepender. Lucas vai até a cozinha e pega Iolanda nos braços. Ele diz: - Pronto. Amanhã o padre Emanuel fará uma benção ao nosso amor e partiremos para casa dos meus pais. Iolanda lhe abraça e os dois se beijam. Finalmente ficariam juntos. Lucas diz: - Não sei se quer um vestido para amanhã? Tem os da minha mãe. Guardamos no sótão lá em casa, se quiser, depois do almoço, vamos lá para você ver. Iolanda responde: - Eu adoraria. Lucas: - O padre Emanuel disse que se precisar de qualquer ajuste, as irmãs farão. Iolanda pergunta, preocupada: - Ele aceitou? Lucas: - Tentou argumentar, mas ele viu que estava decidido e nos abençoou. Iolanda: - E o que te fez mudar de ideia? Ela a abraça e diz: - O amor. Preciso de motivo maior? Novamente se beijam. Eles almoçam e vão até a casa dos pais de Lucas. Chegando lá, Lúcio vem cumprimentar a moça, já sabendo das notícias. Lúcio : - Que boas notícias vem nos dar, meu irmão? Lucas: - Vamos chamar todos, quero dizer uma só vez. Todos chegam à sala. Lucas abraça Iolanda e os demais irmãos ficam sem entender. Ele diz: - Quero comunicar, que deixei hoje a igreja e convido todos para irem até a paróquia assistir uma benção que padre Emanuel fará para meu amor e o de Iolanda. Todos ficam surpresos, mas no final percebem a felicidade de Lucas e os cumprimentam. Lucas fala para a ursinha: - Queria mostrar o vestido de mamãe para Iolanda. Ela gostaria de um vestido para a cerimônia. Ursinha coloca a mão na boca, emocionada. Ela diz: - Tenho certeza que sua mãe ficaria muito feliz. Iolanda e Miguel estavam abraçados, sorrindo. Ao menos um filho ela tinha conseguido salvar de seus erros. Ursinha leva Iolanda até o sótão e mostra o vestido de noiva de Isaura.
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