VALENTINA — Você está sorrindo para o celular faz cinco minutos. Quase deixei o garfo cair sobre o prato de porcelana. Ergui os olhos rapidamente na direção do meu pai, tentando forçar uma expressão de neutralidade que eu claramente não possuía mais. — Não estou — menti. Ele arqueou levemente a sobrancelha por cima da taça de cristal, o vinho tinto brilhando sob a luz do lustre. Era uma mentira horrível. Eu sabia disso. Meu pai sabia disso. Porque eu realmente estava sorrindo ao lembrar dele. Da forma como ele falava, do sorriso torto e daquela intensidade absurda no olhar que parecia ter ficado gravada na minha retina. Eu estava completamente ferrada. O jantar acontecia na mansão dos pais do Bernardo. O lugar era gigantesco, elegante e possuía aquele tipo de silêncio que só casas

