Helena Duarte O som do motor do carro era quase hipnotizante, misturado ao ritmo constante da estrada. Sofia continuava dormindo profundamente no banco de trás, e eu olhava pela janela, vendo as árvores passarem como borrões na escuridão. Minha mente, no entanto, não estava ali. Ela vagava pelo passado, como se aquela estrada fosse um portal que me levava direto para momentos que eu tinha tentado esquecer. Eu me lembrei de como Gabriel era comigo naquela época, do quanto ele era atencioso, divertido, e de como eu me sentia segura ao lado dele. Ele era o tipo de pessoa que eu sempre quis que estivesse presente na minha vida, e por um momento doloroso, pensei que talvez ele fosse a pessoa certa para ser o pai de Sofia. Não Rafael. Nunca Rafael. A lembrança de Rafael me atingiu como uma on

