Após a volta de Manuela e Stefan, todos estavam cheios de perguntas e claro que os pais da mulher queriam saber como foi em relação aos negócios. No jantar da família Cesarini, Manuela contou a experiência do evento e as reuniões marcadas na semana pós-evento, a garota recebeu parabéns de sua mãe e de seu irmão, mas não de seu pai, de quem ela procurava mais aprovação.
Assim que ela voltou para o escritório, a primeira visita que recebeu em sua sala foi de sua advogada e amiga. A mulher queria saber de tudo.
-Anda, me conta! - Daniela sentou na cadeira à frente da sua amiga. -E com detalhes!
-Eu não sei do que você está falando e também não tenho nada para contar. - a mulher voltou seus olhos para os papeis que estava lendo agora a pouco.
-Você me passa um final de semana com minha prima e seu namorado de mentira, e acha mesmo que eu vou acreditar nessa história de que não aconteceu nada? Qual é, Manuela. Eu sou sua melhor amiga, eu te conheço.- a mulher abaixou a papelada e a olhou.
-Eu fiz uma burrada! - “ahá”, Dani fez batendo palmas confirmando que ela estava certa.
-Transou com o Stefan?! - a mulher tapou a boca como se estivesse surpresa, a mulher negou. -Brigou na frente de todo mundo com ele? Descobriram a farsa de vocês dois? Se bem que vocês estavam bem casalzinho nas redes sociais.
-Não foi nada com o Stefan, Daniela. - a mais nova chamou a atenção de sua amiga.
-Ah não! - a ruiva havia entendido tudo. -Beijou a Alice de novo?
-Mais ou menos isso!
-Mais ou menos? Fala logo, mulher! - a mulher mais nova estava extremamente curiosa.
-Eu transei, mas não foi com o Stefan. - um o enorme se formou na boca de Dani. - E é, uns beijos no Stefan, mas apenas para manter a pose de casal feliz. Também dormimos juntos, mas não como você pensa, não teve nada s****l.
-Manuela, começa a fazer sentido, por favor. - Dani estava realmente confusa.
-Acabou que eu e a Alice ficamos no mesmo quarto, o Dalio havia feito apenas uma reserva. E bom, além de networking, também estávamos experimentando vinho e uma coisa levou a outra. Me lembro de chegar em nosso quarto um pouco alterada e o que deveria ser apenas provocações, gerou uma noite maravilhosa. -a menina sorriu ao lembrar. -Mas? - Daniela perguntou assim que viu que ela não continuou a história.
-Mas no outro dia eu percebi o que fiz e disse que não aconteceria novamente, então passei o dia com o Stefan, fomos novamente para o evento e quando cheguei no quarto não a vi mais. Ela havia ido embora. Então passei o final de semana com a família do Stefan, dormimos no mesmo quarto, mas não transamos. Porque eu não quis, porque ele está todo saidinho.
-Que perfeito triângulo amoroso você foi arrumar a essa altura do campeonato, Manuela. Um cara que você namora por contrato e nem conhecemos bem, e uma rival que pode atrapalhar seus negócios e trazer problemas na sua família por ser uma mulher e por ser uma Laurent. - Dani colocou as duas mãos na cabeça.
-Obrigada por me lembrar! - a garota deu de ombros. -Você é uma Laurent e é bem vinda aqui!
-Você entendeu o que eu quis dizer.- houve um silêncio. - E agora, o que vai fazer?
-Seguir com minha vida, normal! O que aconteceu na Alemanha, fica na Alemanha.
-Está gostando do Stefan?
-Não tanto quanto ele está de mim.
-No que você se meteu, Manuela? Um contrato com um desconhecido, um triângulo amoroso envolvendo o inimigo da família.Quando seu pai souber…
-Ele não vai saber, pois não vamos contar.
-Claro, eu não vou contar, mas você não pode esconder o que sente para sempre.
-Eu não sinto nada por ninguém. - a menina falou abaixando a cabeça.
-Você tem certeza disso?
-Claro que eu tenho!
-Tudo bem, eu vou para uma reunião e podemos tomar um café no final da tarde se você quiser. - a mulher se levantou e foi até a porta. - Me manda uma mensagem! - ela piscou o olho e saiu. Manuela suspirou profundamente, ela se sentia dividida entre a lealdade à sua família e os sentimentos complicados que começavam a surgir. Levantou-se, caminhou até a janela e observou a cidade lá fora. E no final da tarde, preferiu fugir do encontro com Dani.
Alguns dias se passaram, e Manuela manteve a rotina com Stefan, tentando esconder a confusão interna. Certa tarde, enquanto caminhavam pelo parque, Stefan segurou sua mão.
-Manuela, precisamos conversar. Sei que nosso acordo é complicado, mas sinto que há algo mais acontecendo entre nós. Eu realmente gosto de você.
Manuela parou e olhou nos olhos de Stefan. Ela não sabia como responder aquilo e queria sentir confiança em suas palavras.
-Stefan, eu... não sei o que sentir. Tudo isso é muito novo e confuso para mim. E nós temos um acordo, é só isso.
Stefan suspirou fundo.
-Eu entendo, você não confia em mim. Mas estou disposto a esperar o tempo que precisar.
-Ai Stefan, você está dificultando tudo.Vamos seguir com o combinado está bem? E me tira de seus pensamentos.
-Mimada! - ele resmungou baixo e seguiu caminho indo um pouco na frente. Manuela sabia que precisava tomar uma decisão, mas estava aterrorizada com as possíveis consequências.
Os resultados da ida ao Mundus Vini estavam chegando. O concurso era importante não apenas para a reputação de sua vinícola, mas também para sua relação com seus parceiros e concorrentes.
Quando finalmente os resultados foram divulgados, Manuela recebeu a notícia que sua vinícola havia ganhado uma medalha de ouro. Ela sentiu uma mistura de alegria e apreensão. Sabia que Alice entraria em contato a qualquer momento, claro que aquilo geraria uma boa campanha para o vinho Cesarent. E em meio aos seus pensamentos, ouviu sua porta bater e então ela permitiu entrar. Alice apareceu com flores em sua mão.
-Parabéns pela vitória - disse Alice, com um sorriso que não chegava aos olhos.
-Obrigada, Alice. - Manuela respondeu, tentando manter a voz firme. - Sua vinícola também foi reconhecida. Então acho que é um parabéns duplo. - ela recebeu as flores. A ruiva se aproximou, diminuindo a distância entre elas. O perfume dela era intoxicante, e Manuela sentiu seu coração acelerar.
-Então vamos comemorar? Quer dizer, apenas nós duas?
-Não começa, Ali! Você sabe que isso não muda nada entre nós.
-Você tem razão! A tensão entre nós continua, - a mulher tocou em seus cabelos - a vontade segue - as bocas chegaram mais perto - e o perigo nos cerca. Nesse segundo Manuela avançou em sua direção e as duas se beijaram.
-Me encontra no Manhattan às sete. - Manuela falou e voltou a sua cadeira, percebeu um sorriso de canto de Alice que não disse nada, apenas se retirou dali.
Manuela sabia que estava se metendo em um território perigoso. Havia muito mais em jogo do que apenas negócios e sentimentos. Mas, por enquanto, ela decidiu se entregar à complexidade de seus próprios desejos. Aqueles dias na Alemanha ficariam gravados em sua memória para sempre, e o que aconteceria depois, só o tempo diria. No mesmo instante, a mulher enviou uma mensagem para Stefan.
“Preciso resolver umas coisas à noite, se alguém perguntar, estava com você.”
Manuela guardou o celular no bolso e suspirou, sabendo que estava entrando em um território cada vez mais complicado. As horas passaram voando, e logo o relógio marcou sete da noite. Ela retocou sua maquiagem e saiu com cuidado para seu pai não a procurar e nem interrogá-la para onde iria, ela avisou ao Matteo que iria sair com Stefan caso a mãe deles perguntasse.
No bar do Manhattan, Manuela avistou Alice sentada em uma mesa reservada. A ruiva sorriu ao vê-la, e Manuela sentiu seu coração acelerar novamente. Alice levantou-se para cumprimentá-la.
-Não achei que você realmente viesse! - Alice falou.
-Quando eu digo que vou fazer, eu faço! - as duas sentaram e os drinks foram servidos. A conversa fluiu naturalmente, misturando risos e olhares significativos. À medida que a noite avançava, a tensão entre elas aumentava.
-Então, Manu, o que pretende fazer agora que ganhamos a medalha de ouro? - perguntou Alice, enquanto seus dedos tocavam os de Manuela por cima da mesa.
-Ainda não sei. Há tantas possibilidades. Mas e você, Ali? Quais são seus planos? - Manuela respondeu, sentindo o toque de Alice como uma corrente elétrica.
-Bem, eu estava pensando em algo um pouco mais... pessoal - Alice disse, com um olhar provocador. - Eu sei que a comemoração vai ficar por conta do Matteo. E ele sabe bem organizar uma festa. - as duas sorriram. Antes que Manuela pudesse responder, Alice inclinou-se para um beijo, e Manuela não resistiu. Elas sabiam que estavam jogando com fogo, mas naquele momento, nada mais importava. Depois de algum tempo, Manuela afastou-se levemente e sorriu.
-Acho que precisamos sair daqui antes que fiquemos ainda mais expostas. - Alice concordou, e as duas saíram do bar e subiram para o quarto que a ruiva estava havia reservado há poucas horas atrás, subiram no elevador rindo e sussurrando segredos.
-Ali, eu não sei onde isso vai dar, mas sei que não quero parar agora. - Alice sorriu e acariciou o rosto de Manuela.
-Nem eu, Manu. Vamos ver até onde podemos ir. - E com isso as duas começaram a trocar carícias e tirar a roupa enquanto iam em direção a cama. -Igual a Alemanha?
-Melhor! - a resposta fez com a outra mulher tomasse os lábios dela e apertou as coxas a fazendo arfar. -Eu adoro quando você faz isso!
-E eu adoro quando você geme! - as coisas foram ficando mais intensas entre elas, enquanto os dedos de Alice tocavam em sua i********e, Manuela massageava os s***s da mais velha. Elas se conheciam, as sensações com os corpos mostravam isso.
-Infelizmente eu não posso ficar. - após dois momentos íntimos, as duas estavam deitadas na cama se acariciando.
-Até quando vamos ficar assim?
-Até parece que você também não precisa voltar para casa.- a mulher levantou e começou a vestir sua roupa. -Isso não vai acontecer novamente. - Manuela chegou junto da mulher.
-Eu sei que vai! - Alice segurou o rosto dela e a beijou.
Quando Manuela chegou em casa, tentando não fazer barulho, encontrou seu irmão acordado na sala. Ele estava sentado no sofá, lendo um livro, mas levantou o olhar assim que ela entrou.
-Maninha? Chegou tarde! Você perdeu a falação do prêmio, aliás, Parabéns!- disse Matteo, com um tom de preocupação na voz. Manuela suspirou, sabendo que precisaria ser cuidadosa com suas palavras.
-Obrigada! É,sim, tive algumas coisas para resolver, e o tempo passou mais rápido do que imaginei. - Matteo observou-a por um momento, tentando decifrar o que realmente acontecia. Manuela sempre fora uma ótima irmã, mas ultimamente ele percebia que havia algo diferente nela desde a viagem para a Alemanha.
-Então vamos falar sobre o prêmio? O que vamos fazer? Uma festa? Comemoração?
-Amanhã, Mat! Eu estou cansada.
-Tem certeza? Você está bem?
-Sim, pirralho! Só estou exausta!
-Tudo bem! Se precisar de ajuda com alguma coisa, você sabe que pode contar comigo, não é? - Manuela sorriu, agradecendo o apoio do irmão. Ela sabia que poderia confiar nele, mas certas coisas eram complicadas demais para compartilhar, mesmo ele sabendo de seu envolvimento com Alice no passado.
- Claro, Matteo. Eu sei que posso contar com você. Só estou um pouco cansada. Vou subir e descansar um pouco. -Matteo assentiu, ainda com uma expressão preocupada no rosto.-Anda, vamos subir.
Os dois subiram no quarto e cada um entrou em seu quarto, sentindo uma mistura de alívio e apreensão. Sabia que manter aquele segredo seria cada vez mais difícil, mas por enquanto, precisava continuar com a fachada.
Deitou-se na cama e olhou para o teto, pensando em Alice e em como a relação delas complicava tudo. Mas ao mesmo tempo, sabia que aquela paixão valia o risco.Enquanto fechava os olhos, decidiu que encontraria uma maneira de equilibrar suas responsabilidades e seus desejos.