Na manhã seguinte, enquanto Manuela tentava recuperar o sono perdido, Matteo estava animado e queria logo falar sobre os preparativos para a festa de celebração do prêmio que ganharam no Mundus Vini.
-Manu, você pode descer? Estamos te esperando para o café da manhã. - Matteo chamou do andar de baixo. Manuela, ainda meio sonolenta, desceu as escadas e encontrou seu irmão rodeado de papeis e listas em uma mesa antes da sala de jantar.
-O que você estava fazendo?
-Me preparando para a organização. Pode me ajudar?
-Claro, Matteo. De que precisa? - ela perguntou vendo toda aquela bagunça.
-Preciso que você confirme algumas coisas. Alice e a equipe dela vão ajudar ou vai ficar em nossas costas? - Matteo explicou, entregando a ela uma lista de tarefas. Manuela olhou para a lista, e instantaneamente pensou na noite anterior.
-Você nem sabe se vai ter festa. O papai deixou?
-Bom, ele está simpático!
-Vamos ver o clima do café da manhã e depois decidimos isso. - a mulher deu a lista de volta para o irmão mais novo e saiu em direção ao café da manhã servido na enorme mesa. Manuela encontrou seus pais já à mesa. O aroma do café recém coado preenchia o ambiente, mas havia uma tensão no ar.
-Bom dia, Manuela. Chegou tarde, não te vi chegar ontem. Onde esteve? - perguntou o pai, um tanto sério.
Manuela sorriu ironicamente para não responder ao pai como ela queria.
-Fui comemorar que ganhamos uma medalha de ouro. Com o Stefan. Até falamos da possibilidade de uma festa.
O pai franziu o cenho, claramente descontente.
-Festa? - ele perguntou. - Com os Laurents?
-Ué, se eu não me engane ganhamos a medalha com eles, temos uma parceria de vinho com eles, não é? - antes do homem responder, Helena tomou a voz.
-Sim, querida! Você está certa!
Manuela respirou fundo, agradecida pelo apoio da mãe. A tensão no ar diminuiu um pouco, mas o pai ainda parecia desconfiado.
-Mas, uma festa? Não é um pouco imprudente?
-Papai, é apenas uma pequena comemoração - Manuela respondeu, tentando manter a calma. - Afinal, todos nós merecemos relaxar um pouco depois de tanto esforço.
Helena sorriu e colocou a mão sobre a de seu marido.
-Querido, uma festa pode ser uma ótima oportunidade para fortalecer nossa parceria com os Laurents. E Manuela tem razão, todos nós precisamos de um momento de descontração.
O pai de Manuela pareceu considerar as palavras de sua esposa e filha por um momento, antes de finalmente assentir.
-Está bem. Mas quero que tudo seja feito com responsabilidade. Nenhum exagero, entendido?Manuela sorriu aliviada.
-Entendido, papai. Matt, você tem uma festa para cuidar, certo? - ela olhou para seu irmão ao seu lado.
-Nem precisa falar duas vezes.
-Anda, te deixo na escola! - Manuela falou se levantando e o garoto foi buscar sua bolsa para seguir para o carro de sua irmã. Eles passaram o caminho conversando e a mulher disse que o levaria para a empresa depois da aula. A Cesarini passou num café e ligou para Stefan para contar que eles teriam uma festa em breve, ele tinha que estar presente na preparação e se possível, ajudar Matteo.
-Então quer dizer que além de namorado por contrato, fui promovido a babá de marmanjo?-Pensei que você gostasse do meu irmão.- ela respondeu no mesmo tom.
-E gosto! Ele é um garoto legal, mas eu prefiro mesmo você.-Stefan! - ela o repreendeu.
- É bom que você consegue ocupar a mente e me deixa em paz. Outra coisa, teremos futuros parceiros na Alemanha, preciso de você ao meu lado para mostrar para eles.
-As vezes, eu esqueço que sou utilizado para bancar a família feliz.
-Você assinou o contrato, lembra?
-Não precisa ficar me lembrando sempre. - a voz do homem a fez entender que ele não estava contente.
-Se quiser, podemos cancelar o contrato. Sabe que tem uma multa e você também some pra sempre da minha vida.
-Eu vou considerar isso, te vejo mais tarde. - e a ligação foi encerrada, deixando Manuela surpresa com a arrogância do homem. - enquanto ela estava digerindo a conversa, a porta de sua sala abriu. Uma Daniela sorridente estava entrando.
-Bom dia, dona flor!
-Sem gracinhas, tá? Muito cedo para isso.
-Ih, já começamos o dia r**m? É sobre o prêmio? - Manuela suspirou, ainda abalada pela conversa com Stefan, e tentou manter a compostura diante de Daniela.
-Não, não é sobre o prêmio - respondeu Manuela, tentando parecer calma. - Apenas algumas complicações no planejamento da festa e... outros assuntos pessoais.
Daniela percebeu a tensão no rosto de Manuela e decidiu mudar o tom da conversa.
-Entendi. Então, vamos ter festa?
-É, vamos ter. Estamos progredindo. Matt vai cuidar de tudo com a Alice. - ela recebeu um olhar curioso da amiga. -Não vem com esse olhar não. Anda, o que veio fazer aqui?
-Vim te falar sobre as próximas etapas. - ela jogou uma pasta cheia de papeis relacionado ao Mundus Vini.-Perfeito, papelada logo pela manhã. - Dani deu de ombros e logo começou a falar, Manuela sabia que precisava se concentrar no que a advogada falava, porém a situação com Stefan a incomodava profundamente. O tempo passou e a mulher nem percebeu quando os dois homens entraram pela porta de sua sala.
-Estamos interrompendo? - Stefan tomou a voz chamando a atenção de sua namorada.
-Não! - ela levantou - Estou apenas bem ocupada, preciso dos dois. - a mulher o beijou rapidamente e abraçou seu irmão. -Estão afim de dividir o escritório comigo hoje?
-Pode ser depois do almoço? Estou morto de fome.- Matteo reclamou jogando sua mochila no sofá do escritório.
-Claro. Podem escolher o lugar, eu só vou terminar aqueles papéis.- ela voltou à mesa e enquanto isso se ouvia o sussurro dos homens ao fundo. Ao descerem para almoçar, Stefan falou que iam no carro dele pois ele levaria para um lugar que gostava bastante, Manuela perguntou de onde ele havia tirado aquele carro e o homem disse que estava recebendo bem em seu emprego.
-Como você conseguiu aquele carro? Stefan por favor, não me diga que você está dando golpe em alguém novamente. - a mulher perguntou baixinho enquanto seu irmão saiu para ir ao banheiro.
-Eu não estou dando golpe em ninguém, deixa de ser maluca. Eu realmente estou ganhando bem, além da sua mesada, estou tendo reuniões com alguns clientes do Mundus Vini, sou a ponte da Alemanha com o Brasil.
-Interessante! Porque não me contou?
-Faz tempo que não conversamos, não é? - os dois se olharam e ficaram em silêncio. Matteo voltou e a conversa fluía. O resto do dia foram sobre negócios e ignorar as mensagens de Alice, quando a mulher queria, ela sabia ser bastante incisiva.
Duas semanas depois e a festa aconteceria naquela noite. A casa dos Cesarinis estava mais agitada do que o normal. Mesmo a festa sendo em uma casa de festa no centro, Matteo havia utilizado algum de seus empregados da casa para poder fazer e levar as coisas até o local da festa.
-Parece que a festa de hoje vai ser um sucesso. Todos estão animados com a vitória no Mundus Vini. - Helena apareceu descendo as escadas e chamando atenção dos irmãos que estavam no centro da sala. Manuela sorriu, sentindo-se grata pelo apoio da mãe.
-Espero que sim. Estou muito feliz com os resultados e com a organização da festa.
-Todos nós estamos. - Matteo completou.
-Fico feliz de ver vocês trabalhando juntos, confesso que não era o departamento que eu esperava para você querido, mas fico feliz de querer fazer parte dos negócios.
-E estava demorando. - Manuela falou baixo revirando os olhos.
-Mãe, eu estou bem onde estou. Aprendo muito com a Manuela.
-Não adianta, Matt! - a irmã tomou a voz -Eu estou indo buscar a medalha fictícia. Te encontro mais tarde. - com as chaves do carro na mão, a mais velha saiu da sala.
-Às vezes a senhora poderia ser menos rude, menos parecida com o papai, sabe?
-Eu não tenho culpa se sua irmã não aguenta ouvir verdades. - a mulher o respondeu, o garoto respirou fundo, deu de ombros e saiu dali.
Ao anoitecer, todos estavam prontos na sala central esperando os motoristas chegarem, Stefan fez questão de ir buscar sua namorada e Matteo, enquanto os Cesarinis mais velhos foram acompanhados por seu motorista particular. Haviam fotógrafos na entrada e foi feito um pequeno lugar para tirarem fotos com os logos das empresas.
Ao chegar à festa, Manuela percorreu o salão com um olhar atento, absorvendo cada detalhe da decoração elegante e do brilho nos olhos dos convidados. Matteo já estava conversando animadamente com alguns empresários, enquanto Helena cumprimentava conhecidos com seu sorriso impecável.
Com a medalha fictícia guardada no bolso do casaco, Manuela se aproximou do irmão, que levantou o olhar assim que a viu.
- Trouxe a condecoração? — Matteo brincou, segurando uma taça de espumante.
-E você, conseguiu convencer alguém a investir? — ela provocou de volta, estendendo a pequena caixa para ele.
-Calma, porque não vamos ver se com a chegada de nosso parceiro, esquenta as coisas. - Matteo apontou com sua taça para os flashes na entrada do lugar, ali estavam a família Laurent, realmente vermelho era a cor de Alice. O coração da mulher errou uma batida, mas logo se recompôs quando percebeu Stefan chegando junto a ela.
-Acho que agora realmente começou a festa. - ele comentou.
-Só espero que nada dê errado.
-Relaxa, maninha! É sua noite! - ele segurou a mão da irmã - Anda, vamos cumprimentá-los. - após ironias e farpas, uma foto das duas mulheres foi tirada com a medalha em mãos de ambas, além de uma foto do Victor apertando a mão do Arthur Laurent.
Alice chegou perto de Manuela segurando sua taça, inclinou levemente a cabeça.
- Espero que esta noite seja tão memorável quanto dizem — comentou, a voz doce, mas com um tom que sugeria algo mais.
Manuela sustentou o olhar, um sorriso calculado se formando em seus lábios.
-Com certeza será — respondeu. — Algumas coisas são inesquecíveis.
E, por um breve segundo, houve um silêncio carregado. Foi então que Helena surgiu ao lado delas, sua presença firme e absolutamente consciente do que acontecia. Seu olhar encontrou primeiro o de Manuela, analisando o modo como ela mantinha a compostura rígida. Depois, seus olhos pousaram sobre Alice, e foi impossível não notar o instante de tensão no rosto da jovem.
-Espero que estejam aproveitando a noite — disse Helena, seu tom envolto em uma delicada neutralidade.
Alice sorriu, mas não sem um vestígio de desconforto.
-Sem dúvida, a festa está magnífica.
Helena apenas assentiu, mas seu olhar se demorou alguns segundos a mais sobre Alice antes de se voltar para Manuela.
-Querida, talvez devêssemos falar sobre algumas coisas mais tarde — sua voz era baixa o suficiente para que apenas Manuela ouvisse.
A jovem manteve seu sorriso, mas seu estômago revirou com a sugestão implícita.
— Claro, mãe. Quando quiser.
Alice observava a cena, e Manuela percebeu algo nos olhos dela—talvez um desafio, talvez um aviso.
-Ah, e por favor, não façam nada que eu não faria. - Mas antes que qualquer coisa fosse dita, Helena já se afastava, deixando as duas pensar no que ela sabia.