Haviam se passado seis dias e agora Manuela estava atolada de coisas na empresa. Novos clientes, financiamentos e claro, a campanha com a empresa rival. Tudo agora estava em suas costas e principalmente a culpa se nada desse certo com os Laurents.
-Senhora, tem uma visita do lado de fora. - A secretária bateu na porta e logo entrou já avisando das visitas.
-Alison, quantas vezes eu disse que não quero ser incomodada. - a menina falou aos gritos.
-Desculpe senhora, ele insistiu muito. - ao terminar de falar, o homem atrás da menina foi entrando na enorme sala à sua frente.
-Pensei que você precisava de mim. - a voz de Stefan se fez presente na sala. Manuela suspirou.
-Ah, claro! Você! - ele abriu os dois braços como se fosse óbvio. -Alison, nos deixe a sós.- a menina saiu da sala e Stefan entrou observando tudo ao seu redor. A enorme sala, as janelas grandes com vista para a cidade. Viu o balcão com as bebidas e na mesa da mulher, alguns acessórios e principalmente o quadro de família. -O que você quer?
-Vim conversar. Você me fez uma proposta, não fez? - ele sentou em uma das cadeiras que estava na frente da empresária.
-Acabou seu dinheiro, não foi? - a mulher perguntou sorrindo e sentou em sua cadeira.
-Eu acho que vamos nos dar muito bem. - ele piscou o olho e cruzou as pernas.
-E eu acho que temos que nos conhecer bem. Quantas pessoas você já matou?
-Que? - o homem perguntou assustado. -Nenhuma! Bom, no exército sim, mas fora dele, ninguém. - ele ficou desconcertado e ajeitou seu casaco. -Não sou um assassino!
-Calma bonitão! - a mulher pediu para ele. -Está disposto a fechar contrato comigo?
-O que eu ganho?
-Dinheiro e poder? - ela sorriu de lado, sabia que aquilo era o que ele queria.
-De quanto estamos falando?
-Do suficiente para você sobreviver. - ela abriu a gaveta de sua mesa e tirou uma pasta. -O contrato está aqui. Tire um tempo e leia. Se estiver de acordo, sabe onde me encontrar.
-Ou você é muito louca e desesperada, ou muito inteligente e quer o poder em suas mãos. - o homem levantou, olhou para os papéis em suas mãos e sorriu.
-Eu fico com a segunda opção. - Manuela levantou e sorriu. -Te acompanho até a porta. - eles foram andando e ao deixar ele na porta do elevador, voltou seu corpo para sua secretária. -Se alguém perguntar, diga que não sabe quem ele é.
-Mas eu realmente não sei, senhora!
-Ótimo! - ela sorriu e voltou andando para a sua sala. O sorriso estava estampado no rosto de Manuela, talvez ela estivesse mais próxima de sua liberdade. A mulher então resolveu ligar para sua amiga e advogada pessoal, Dani. A advogada ainda insistia que aquilo era uma loucura e que mesmo que ela soubesse do passado dele, não sabia do que ele seria capaz de fazer. Contudo, a morena pediu apenas que ela confiasse.
Dois dias haviam se passado e finalmente a reunião com os Laurents havia chegado. Os quatro homens e a mulher estavam ali, na sala de reunião esperando por eles. Alison havia servido café e biscoitos enquanto os Cesarinis não chegavam. Cinco minutos depois, Manuela e Victor passaram pela porta.
-Boa tarde á todos! Perdão pelo atraso. - Manuela chegou falando e logo sentou na cadeira ao lado de seu pai.
-Então, trouxeram o planejamento? - Victor perguntou com toda sua soberba.
-Sim, Sr. Cesarini. - Alice tomou a voz chamando a atenção dele, que com certeza esperava que algum dos homens ali presente falassem. -Tenho tudo aqui! - ela mostrou seu pequeno notebook. -Posso? - ela perguntou indicando a pequena área de mídia que tinha ali.
-Fique à vontade! - dessa vez foi Manuela que respondeu. A menina assentiu e logo foi preparar as coisas. Ali estavam os irmãos mais velhos de Alice. Entre eles, Adam era o mais novo. Logo depois vinha o do meio, Nicolas, e Lucas sendo o mais velho.
-Bom, como eu já havia conversado com a Manuela… - quando a mulher começou a falar, a porta abriu e mostrou Daniela entrando.
-Desculpem pelo atraso! - a mulher pediu e sentou na cadeira vazia ao lado de Manuela com sua pasta embaixo do braço.
-O que ela faz aqui? - Lucas se pôs de pé e era visível que ele estava irritado.
-Olá priminho! - Dani sorriu cinicamente para o primo.
-Lucas, por favor. Sente-se, agora!- o Laurent mais velho chamou a atenção do seu filho. O homem o olhou, respirou fundo, olhou novamente para Dani e sentou onde estava há pouco.
-Bom, continuando. - Alice chamou a atenção de todos. -Eu havia conversado com a Manuela e falei do meu projeto de fazermos um vinho rosé. E podemos juntar nossas melhores formas de fazer um vinho rosé ao nosso modelo. O que queremos de vocês? O seu método de Sangria e finalização das garrafas e nós, damos as castas tintas de Pinot Noir. - a mulher tinha total atenção de todos. - Poderíamos dar um nome único para esse vinho, pois ele seria uma edição especial, em comemoração ao dia do vinho e podemos entrar no Mundus Vini, na Alemanha. Então, o que acham?
-De quantos por cento estamos falando? - Victor tomou a voz.
-40% Cesarini. 60% Laurent. - dessa vez o pai da garota respondeu.
-Porque vocês ficam com mais? - Victor perguntou olhando a mulher à sua frente.
-As castas são nossas! - Lucas o rebateu civilizadamente. -E bom, elas as Pinot Noir são bem mais caras.
-50/50 ou não temos acordo. -Victor falou travando uma batalha de olhar.
-Como seria chamado o vinho? - Manuela perguntou à mulher que ainda estava em pé.
-Cesarent. - Alice respondeu.
-Bom, o nosso nome fica na frente. - Manuela deu de ombros e olhou para o seu pai.
-E contando que a ideia também foi nossa, eu acho bastante justo ser 40,60. - Alice tomou a voz novamente. -E sem querer ser desrespeitosa, mas eu tenho todo o plano formado, a ideia e o produto.
-Se está tudo tão encaminhado, para que precisa de nós? - dessa vez Victor demonstrou ironia e total deboche. Nicolas se ajeitou preparando-se para dar uma resposta, mas Adam segurou em seu braço, falando apenas com os olhos que ele ficasse quieto.
-Precisamos de um nome forte na indústria. E quem melhor que os Cesarinis, não?
-Eu acho válido. - Manuela concordou. - Papai?
-Doutora Daniela, você acredita que seria um bom investimento? - o homem olhou para a advogada ao lado deles, ignorando sua filha totalmente.
-Temos o nosso nome em primeiro, teremos menos custo que eles, isso é um bom ponto. Podemos colocar a Srta.Manuela a frente do planejamento de marketing com a Srta.Alice para termos a certeza que tudo está a ir como planejado. O senhor pode ficar responsável pela fabricação e o Adam pelo fornecimento das castas. Acredito que eu e o Lucas podemos cuidar do contrato. - Daniela terminou.
-Ótimo! Estão de acordo?- Victor perguntou olhando para Arthur. Os dois travaram um olhar. Lucas falou algo no ouvido do seu pai, enquanto os homens falavam entre si, Alice e Manuela se olhavam. Manuela revirou os olhos e a ruiva já havia entendido.
-Fechado! - Arthur se levantou e esticou a mão. Victor também se levantou e os dois apertaram as mãos. Ali se iniciava uma grande parceria ou uma grande guerra.