O Contrato

2170 Words
Dois dias depois, Daniela havia redigido todo o contrato.Ela acabara de sair da sala do Victor e estava indo em direção a sala de Manuela. Geralmente a advogada não era avisada para entrar na sala, ela apenas bateu e entrou. -A que devo a honra? - Manuela encostou o tablete em sua mesa. -Eu trouxe uma cópia do contrato para você. Contando que eu sei que o tio Victor não vai te mostrar ou te explicar tudo. - a mulher colocou a pasta azul escuro em cima da mesa da empresária. -Você realmente fica com Alice para cuidar do marketing e bom, você sabe que se não tiver um bom engajamento e vendas, vai sobrar para vocês. -Claro, eles estão contando com isso!- Manuela revirou os olhos e pegou a pasta. -Acho incrível como eles não acham que não temos capacidade. -Sabe qual a minha maior preocupação? - Manuela a olhou negando com a cabeça. -Você e a Alice, juntas. Passando bastante tempo juntas. -Não vai acontecer nada, fica tranquila. Estou esperando o retorno do Stefan. -Você vai realmente insistir nisso? -Sim, estou planejando tudo. Eu tenho quase certeza que ele vai aceitar. E sinceramente, eu dispenso a sua opinião, quero minha amiga do meu lado. Você é a única. -Mentirosa! Você vive saindo com suas amigas da faculdade. - Manuela riu de lado. -Não seja ciumenta! - a loira respondeu rindo e se levantou para abraçar a amiga. -Você é a única pessoa que sabe disso, então eu estou contando muito com você. -Tá Manuela, tudo bem. Eu já entendi. Estou do seu lado! - ela abraçou de volta a amiga. -Obrigado! Quando o papai ficou de mandar assinar o contrato? - Manuela voltou a sentar na sua cadeira e pegou seu celular, havia mensagem do Matteo. -Ele me deixou encarregada disso. Irei marcar para ir ainda essa semana, precisamos da assinatura do tio Arthur. -Tudo bem para você ir sozinha? Eu percebi que o Lucas ainda não está tão de bem com você. -Nós sempre fomos assim, mas está tudo bem. Coisa de família! - Dani deu de ombros e levantou para sair da sala. -Quer que eu fale alguma coisa para a Alice? -Não, eu tenho o número dela. Pode deixar! - a amiga piscou o olho e a mais velha apenas balançou a cabeça negativando o ato. Daniela saiu da sala e Manuela logo ligou para seu irmão. Ele perguntou se os dois poderiam almoçar juntos e a mais velha disse que iria buscá-lo na escola. Ao entrar no elevador, a loira recebeu a ligação de um número que não estava salvo em seus contatos, ela estranhou, mas logo atendeu. -Alô? - ela atendeu desconfiada. -Manuela Cesarini? - a voz grossa porém cínica soou do outro lado. Manuela sorriu. -Stefan Heiden. Não esperava sua ligação. - deu para ouvir a risada dele do outro lado. -Mentirosa! Você estava louca pela minha resposta. E eu tenho uma. -Então fala! -Podemos nos encontrar? -Amanhã? Para um almoço, no Pilar perto do escritório. -Passo no seu escritório! Até amanhã!- e a chamada encerrou e Manuela riu olhando para o telefone. Ela pegou seu carro e foi até a escola de Matteo. Logo ao entrar no carro, o garoto percebeu que havia algo diferente com a irmã. -O que aconteceu com você? -Por quê? - ela rebateu rapidamente. -Seu ar está leve! Como se estivesse se dado bem em alguma coisa. -Quase isso, em breve você vai ver. Onde quer comer? -Sushi, por favor! - o garoto falou com uma voz quase implorando, a irmã atendeu seu pedido. Eles ficaram conversando durante um bom tempo, aquilo era normal e os dois gostavam da presença um do outro. Após conversarem bastante, os irmãos foram até a empresa. Como de costume, Matteo ficou na sala da irmã, no enorme sofá de couro marrom que havia no fundo, ao lado da estante de bebidas e perto do banheiro. Após alguns minutos, o pai dos garotos entrou na sala. -Matteo, não sabia que você estava aqui. - ele falou ao ver seu filho deitado no sofá. -Olá papai! - o garoto não tirou os olhos do tablet. -Preciso falar com você sobre o contrato com os Laurents - o homem com estatura média, um pouco gordo e com cabelos ralos escuros, sentou em frente à sua filha. -Pode falar! - a mulher abaixou a tela de seu notebook e olhou para seu pai. -As divisões ficaram como falamos na reunião, a Dra. Daniela vai até a empresa deles para assinar o documento. Peço que documente toda a reunião do planejamento de marketing. Arrumem a melhor agência de propaganda e façam nossos vinhos venderem. -Irei tomar a frente neste contrato? -Andaremos lado a lado. Mas claro, você terá mais tempo para tratar isso do que eu. - o homem agora levantou e ajeitou seu paletó. Manuela riu. -Claro, o senhor está louco para dizer que a culpa foi minha se não der certo. -Ora, não diga besteiras! Nós jogamos no mesmo time. Se você perder, eu perco! -Que clichê hein pai! - Matteo falou levantando do sofá. -Eu posso participar dessa ação? -Você vai levar a sério? Não é uma brincadeira, Matteo. Estamos investindo e queremos resultados. -Minha palavra de Cesarini vale de alguma coisa? - agora a irmã mais velha sorriu. -Ele pode me auxiliar com a agência e toda a publicização. - ela tomou a voz. -Certo, você vai ficar responsável por ele. - o pai a olhou e ela deu de ombros. -Quando eu não sou? - foi total ironia da parte dela. O mais velho presente, bufou e foi em direção a porta da sala. -Mostre-me que você é capaz de cuidar dos negócios. - o comentário foi direcionado ao garoto e então ele saiu dali, batendo a porta. -Ei, psiu! - ela chamou a atenção do irmão. -Se você quiser fazer isso, vai fazer sério. Não é brincadeira! -Eu não estou brincando! Eu quero estar por dentro, irei realmente participar dos negócios. -Tudo bem, começa procurando uma agência boa o suficiente para fazer nosso marketing. -Sim, senhora! - o menino bateu continência para a irmã e voltou para o sofá onde estava há pouco. A mais velha riu e abriu novamente seu notebook e voltou a trabalhar. Havia alguns relatórios que Manuela tinha que fechar sobre os clientes a qual eles forneciam seus vinhos. Ao irem para casa, no jantar Helena procurou saber de tudo sobre o novo contrato com os Laurents. Ela não tirava o olho de sua filha enquanto todo assunto era conversado. Manuela fingiu que não havia percebido os olhares de sua mãe e assim que terminou o jantar, a menina subiu mas sabia que estava sendo seguida por ela. -O que a senhora deseja? - Manuela entrou em seu quarto já deixando a porta aberta. -Eu concordei com o fato de você trabalhar com a Alice, não me faça me arrepender. -Não vou, mamãe! -Tem certeza que colocar o Matteo nisso, é uma boa ideia?- a mais velha sentou na cama da menina, enquanto a via trocar sua roupa por um pijama de cetim, cor de vinho. -Ele quis entrar. Não vejo o problema dele participar, o papai não quer que ele tome conta das coisas em breve? Então ele tem que estar por dentro. -Espero que esse não seja mais um dos caprichos do seu irmão, e nem que você esteja ajudando ele. -Eu me responsabilizo por ele! - agora a mulher entrou em seu banheiro, mas deixou sua porta aberta. Ela foi escovar os dentes, sua mãe não tinha mais o que debater, então apenas saiu do quarto. Manuela deitou em sua cama, pegou seu celular e quando viu, tinha uma mensagem de Stefan. Eles começaram a trocar mensagens. Aquilo durou um pouco mais do que esperado, o que fez que a mulher dormisse mais tarde. No outro dia, no café da manhã dos Cesarinis, todos comiam em silêncio, sem trocar uma palavra, o que era bastante normal vindo daquela família. Manuela foi com Matteo, o deixou na escola e logo depois foi para a empresa. Ela estava ansiosa para o almoço com Stefan, agora ela não tinha mais medo e sim esperança que seu plano daria certo. -Senhora, tem um homem que quer vê-la! - Alison falou após bater na porta e entrar na sala. -Ele disse que é seu namorado! - Manuela deu um sorriso debochado. -Oi meu amor!- Stefan apareceu por trás de Alison. -Senhor, por favor! Eu pedi para esperar lá fora. - a secretária tentou barrar ele. -Tudo bem, Ali. O deixe entrar. - Stefan tinha seu sorriso mais cínico, o mesmo sorriso que ele tinha quando ela o conheceu. Seus olhos pareciam estar mais claros, por conta de sua jaqueta marrom escura. -Oi meu amor! - Stefan abriu um sorriso e entrou na sala, olhando para Manuela. -Pensei que íamos nos encontrar no Pilar. - a mulher se levantou e foi até ele. Trocaram um abraço e um beijo na bochecha. -Fique á vontade! - ela mostrou o lugar para ele sentar. -Eu achei melhor falarmos sobre isso aqui, num lugar mais privado. - ele colocou a pasta com o contrato em cima da mesa da empresária. -Estou te ouvindo! - ela sentou a sua frente,atrás de sua mesa. -Não estou achando esse contrato justo. Parece que estarei sendo pago para ser seu cachorrinho. Eu vou ter que fazer tudo que você mandar? -Você vai ganhar muito dinheiro para posar de casal feliz. Está achando r**m? Sério? Quer continuar falsificando documentos ou trabalhando para sei lá quem. -Você se acha muito esperta, não é? -Na verdade, eu sou! - Manuela agora levantou e foi até a estante de bebida. Serviu-se de um pequeno drink, o homem então girou sua cadeira para vê-la de frente. -Podemos rever alguns termos? -Não acho necessário. Saiba que minha advogada tem a cópia desse contrato, se você quebrar ele, você automaticamente para de receber sua mesada. Você deve ter lido isso! -É, li! - o homem respondeu a contra gosto. -Ótimo! Da mesma forma que se você fizer alguma coisa comigo, ela sabe de tudo e pode ir direto à polícia. -Eu não vou fazer nada com você. -Precauções! - ela deu de ombro e foi sentar ao lado dele. -Então, temos um trato? - a mulher estendeu sua mão para poder o homem apertar. -Temos um trato! - ele apertou de volta. -Me dá uma caneta para eu assinar logo isso. - Manuela pegou uma caneta e o entregou. O homem assinou e entregou para ela, mostrando seu belo sorriso de lado. -Eu adoro seu sorriso, sabia? - ela pegou os papéis e se levantou. -E se você se apaixonar por mim? Como ficamos? - ele chegou junto dela. -O contrato é por um ano, impossível eu me apaixonar por você. E espero que você também não. Bonitão! - ela deu um breve t**a no peitoral dele. -Anda, vamos almoçar que estou começando a ficar com fome. - a empresária guardou o contrato em sua gaveta, pegou sua bolsa e indo em direção da porta para sair, Stefan estava logo atrás. -Alison, estou indo almoçar. Se o papai passar, pode dizer que irei demorar para voltar e você, tire 2 horas de almoço. -Tudo bem, obrigado senhora! - a menina confirmou com a cabeça e eles partiram. Trocaram algumas conversas no elevador e logo chegaram no restaurante. Claro que ao chegarem juntos, os olhares caíram sobre eles. Stefan sentou na mesa, percebendo que havia algumas pessoas o olhando. -Se acostume, vamos ser notáveis.- Manuela sentou à sua frente e percebeu toda sua confusão. -Eu costumo vir aqui, sozinha ou com a Dani. Então aparecer com um homem, chama a atenção. Preste atenção em mim! - ela estalou os dedos e ele a olhou. -Aqui temos alguns investidores e clientes. Atrás de você, estão sentados dois clientes nossos. Os Mawai. O restaurante é nosso associado, vinho em troca de almoço. E geralmente fazemos nossos jantares de associados ou eventos aqui. -Uau! Eu tenho que babar essa gente toda? -Mais ou menos isso! Eles são importantes para os negócios e ao ver que você está comigo, vão querer tratar de negócios com você. -Mas eu não sei sobre seu negócio. -Mas eu sei! - a mulher parou de falar para dar as ordens ao garçom e logo depois continuou. -Você vai trazer até mim, é só fingir que concorda com eles e que vai estudar e dar uma resposta. -Além de tudo ainda quer me usar de laranja para seus negócios? - ele sorriu sarcástico. -Você também ganha com isso, se mostrar que posso confiar em você. Posso redigir um contrato onde cada cliente que você fechar, pode ganhar em cima. -Tudo com você é contrato? - ele perguntou parecendo irritado. -No mundo dos negócios, devemos ter todo cuidado. - a comida dos dois chegou. Eles comeram e trocaram mais algumas informações, Manuela tinha que deixar ele a par das coisas mais essenciais.
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