Manuela havia dado uma tarefa de casa para Stefan, estudar sobre o mundo dos vinhos e claro, os concorrentes deles. Ele tinha que saber um pouco do negócio para começar a inserir ele no meio familiar dela. E era o que ele estava fazendo, em seu pequeno notebook ele buscava as notícias sobre os nomes das famílias que ela havia deixado com ele. O homem também aproveitou para estudar sobre a família Cesarini. Entrou em contato com algumas pessoas de confiança e pediu o total de informação possível sobre aquela família.
Três dias depois, Stefan recebeu um pequeno dossiê dos Cesarinis, ele sorriu. Ele tinha algo grande em suas mãos e não poderia falhar. Entrou em contato com Manuela e marcou um almoço para eles conversarem. Antes de conversarem, ele também foi até a casa do tio dele.
-Olá, tio! - foi a primeira coisa que o homem falou ao ver seu tio parado na porta.
-Olá, Christopher! É bom ver que você não está preso.
-Também estava com saudades, titio!
-Anda, entra! - o homem mais velho, com um cabelo emaranhado e uma barba grande. Seu rosto aparentava uns 50 e poucos anos, mostrando sua barriga um pouco avantajada provavelmente de tantas cervejas tomadas. - Tomy, olha quem está aqui! - o homem gritou no final da escada e seu filho apareceu no topo. Ao ver o Stefan ele desceu correndo.
-Chris! - o garoto se jogou no braço do primo. O menino deveria ter uns 12 anos.
-Nossa cara, você está grandão! - o mais velho colocou o garoto nas costas. -Então, vamos jogar bola? Onde está sua mãe?
-A mamãe foi fazer compras! Podemos jogar lá no quintal.
-Tudo bem para o senhor? - Stefan o perguntou.
-Claro, daqui há pouco chego com cervejas. - os dois foram para o lado de fora, enquanto o mais velho foi até a cozinha, pegou as cervejas e levou para onde seu filho e seu sobrinho estavam. -Então, o que te traz aqui? - ele entregou uma cerveja para Stefan.
-Estou conhecendo uma nova pessoa! A Manuela.
-Manuela? Você não vai dar um golpe nela, não é? Pelo amor de Deus, Christopher!
-Calma, eu não vou fazer isso. Nos conhecemos numa festa e estamos nos dando bem. É só isso, como você é minha única família, resolvi contar. É importante ela saber que eu tenho uma família também.
-Nossa família ainda está na Alemanha.
-Meus pais morreram. Além de você, não me vejo com outra família.
-Tudo bem, não vou entrar nesse assunto novamente. Mas saiba que a mamãe quer vê-lo. Inclusive, irá ter uma festa de família no final do ano, seria interessante você ir conosco.
-Tio, não começa!
-Christopher, você se afastou de toda a família quando entrou na marinha. Eu entendo que você quis traçar seu caminho, mas se distanciar de nós não é a melhor forma. - a voz de Otto estava firme e ele olhava seriamente para seu sobrinho.
-Se eu estivesse em relação com eles, colocaria todos vocês em perigo. Ou pior, os deixar preocupados, eu não aguentaria em saber o que a Oma pensaria.
-Auf Keinen Fall, Heiden! Somos família! - a voz dele ecoou forte e alta, fazendo com seu filho parasse de jogar e Stefan passasse a mão no cabelo irritado. O silêncio se fez presente.
-Olá, garotos! - a voz da mulher ecoou pelo jardim. -Stefan, quanto tempo que não te vejo. Está tudo bem? - agora os homens estavam respirando fundo.
-Oi tia Mariana! - eles trocaram um abraço. -é, vim ver o Lukas. E conversar com o tio Otto.
-Então vai com a gente no final do ano para a Alemanha?
-Não! E eu prefiro não falar nisso. - o homem se voltou para o primo menor. -Lukas, joga a bola! - os dois começaram a jogar a bola e voltaram a trocar passes. A tarde passou e Stefan voltou para sua casa. O homem começou a pensar no que seu tio havia falado e ponderou se era uma boa ir ver seus familiares.
Dois dias depois, Stefan estava em frente ao prédio de sua futura namorada e agora ele estava bem mais vestido do que da primeira vez. Ele tinha uma blusa social azul, que realçava seus olhos claros. Sua barba estava feita e seu cabelo perfeitamente penteado para trás. Novamente ele pediu acesso a secretária e dessa vez Alison sabia quem ele era e o deixou passar sem problemas. O homem bateu na porta e abriu uma brecha.
-Atrapalho? Posso entrar! - a voz dele se fez presente, chamando atenção da mulher.
-Uau, você está mais gato que o normal. - ela se levantou e o abraçou.
-Serei um Cesarini não é? Preciso me vestir bem! - ele passou a mão na camisa como se estivesse limpando ela, assim arrancando um sorriso de Manuela.
-Bobo! Senta, fica à vontade. Preciso terminar algumas coisas e vamos almoçar. - os dois sentaram e agora ele a olhava.
-Andei pesquisando sobre vocês. Sua família, seus concorrentes.
-Ah que bom, fez o dever de casa direitinho. - Manuela não o olhava, pois estava assinando alguns papéis. -Devo me preocupar ? Está fazendo um plano contra minha família?
-Não,dessa vez vou jogar limpo. Assinei um contrato, não quero parar na prisão novamente.
-Boa escolha, Stefan! Teremos uma bela parceria. - alguém bateu na porta e então a imagem de Dani apareceu.
-Ora ora, quem temos por aqui. - Dani comentou olhando para Stefan sentado.
-Uau, ela tem acesso às câmeras da sua sala? - o homem perguntou olhando para a empresária. -Bom, estávamos mesmo falando na senhora. - ele levantou e esticou a mão para a advogada apertar. -Olá, advogada!
-Olá, Stefan! Pelo visto vocês vão levar as coisas a sério, então boa sorte. Manuela, os papéis estão assinados, vamos começar com a produção para a nova linha de vinhos. - uma pequena pasta foi colocada por cima de sua mesa.
-Nova linha? - Stefan perguntou.
-É, com os Laurents. - Manuela respondeu.
-Ué, eles não são seus concorrentes?
-São! - a empresária respondeu. -No almoço eu te explico, muita coisa para te atualizar. Dani, almoça com a gente?
-Acho que vocês precisam conversar sobre muita coisa e se conhecerem melhor. Então, vou deixar os pombinhos a sós. - o sorriso da mulher foi irônico e logo ela saiu da sala.
-Ela não gosta muito de mim, não é? -Stefan comentou enquanto a advogada saia.
-Não costumamos gostar de quem não conhecemos.
-Você gosta de mim.
-Bom, nos demos bem. É diferente! - a mulher começou a guardar suas coisas e pegar sua bolsa para eles saírem. -Anda, vamos almoçar! Ainda tenho muita coisa para resolver hoje. - o homem levantou, abriu a porta para ela e ao chegarem até o elevador, Manuela escutou uma voz conhecida a chamando. Era seu pai.
-Manuela, eu não vou poder participar da reunião às 15h, você vai no meu lugar. - a voz do homem era forte e ele ignorou totalmente a imagem do homem ao lado da sua filha.
-Tudo bem! - ele entrou no elevador. - Papai, esse é o Stefan! - foi então que o homem o olhou e esticou a mão para ele.
-Novo cliente?
-Olá, Sr. Cesarini! Sou o Stefan!- o aperto de mão foi forte e seguro. -Amigo íntimo da sua filha. Estamos trabalhando para algumas melhorias em sua rede de TI.
-E você, é o que? Seu sotaque não parece ser daqui.
-Sou analista de TI, senhor! Sou da Alemanha, de Triberg para ser mais específico. É uma cidadezinha com pouco mais de 5 mil habitantes.
-Hum, interessante! Estamos querendo participar do Mundus Vini, você conhece?
-Ah, sim senhor! Eu sou da cerveja, mas adoro um bom vinho.
-Então você está no local certo! - Victor agora olhou melhor para o homem alto atrás dele e ao lado da sua filha.-Estão indo almoçar?
-Sim, papai! - a menina respondeu depois de um bom tempo apenas observando o falatório de Stefan e seu pai.Vamos no lugar de sempre.
-Ah, ótimo! Posso me juntar a vocês? - agora Stefan olhou para Manuela confuso.
-Claro,papai! - o sorriso da menina não foi tão convincente. Os três foram em direção ao restaurante, por mais que Manuela odiasse quando seu pai a deixava de fora, ela estava adorando sua interação com Stefan, quanto mais gostar dele, mais fácil de aceitar na família. O almoço foi regado a risadas, Stefan sabia ser engraçado e agradar as pessoas. Dessa vez, Manuela fez questão da sobremesa e disse ao seu pai que ia na sorveteria mais próxima com seu novo parceiro de negócios.
-Você se deu bem com meu pai! - foi a primeira coisa que Manuela falou quando chegaram a sorveteria mais próxima, pois ficava a cinco minutos da empresa.
-Eu só dei o que ele queria. Atenção e inflação de ego.
-Verdade! - a mulher soltou um riso. -Acho que vocês vão se dar bem. - ela se voltou para o balcão. - Dois sorvetes de cremes. Por favor!
-Creme? Que sorvete sem graça!
-O que você quer? Eu sou alérgica a abacaxi, só pra você saber.
-Ótimo, sou alérgico a amendoas. Só pra você saber. - ele deu de ombros e chegou mais perto do balcão, onde havia uma placa enorme com os sabores disponíveis.-Hum, coco? Eu amo coco e doce de leite.
-Eu fico com o de alfajor!
-Boa pedida! - o homem sorriu de lado e fez o pedido ao atendente. Ao receberem os sorvetes, eles sentaram frente a frente para comentar sobre o almoço. Marcaram um jantar e combinaram de se conhecerem mais, pois Stefan precisava fazer seu trabalho perfeito. Uma semana havia se passado, Manuela havia recebido uma caixa. Nela continham duas garrafas de teste do vinho da linha Cesarent. Dentro havia um cartão.
“Esta é a primeira leva, queremos saber o que acharam. Podemos tomar juntas, se quiser.”
-Alice Laurent.
Ao terminar de ler, Manuela riu, pelo deboche de Alice. Ela sabia que a garota poderia ser perigosa quando queria e essa parceria juntas, era uma ótima oportunidade para destruir sua família. Tudo sempre foi sobre negócios e ela sabia disso.