Três dias depois, contrato em mãos e agora Manuela entrou em contato com Alice para poder marcar a reunião entre todos eles. A mais velha não sabia se a ruiva já tinha conversado com sua família sobre, mas se ela tinha um plano, essa era a hora de colocá-lo em prática.
-Não poderíamos marcar na nossa empresa? - Alice perguntou quando as duas se encontraram para um café, sugestão da própria Alice.
-Você veio até nós, então nada mais justo do que ser na nossa empresa. - uma garçonete chegou perto delas e as mulheres fizeram o pedido. -Você já falou com seus irmãos?
-Sim! Eles não aceitaram muito bem, mas o papai concordou. Então, eles não tinham mais o que fazer.
-Claro, você sempre foi a menininha do papai. - Manuela agora revirou os olhos enquanto a ruiva a sua frente sorriu.
-Não fique com ciúmes, você não é a menininha do papai, mas é da mamãe.
-Até parece! A dona Helena não frouxa nem um pouco e você sabe bem disso. E agora, ela está com medo da nossa aproximação. - a garçonete chegou com os pedidos.
-Com medo de nós duas termos alguma coisa? Novamente? - agora a ruiva riu. -Se fossemos pra ter, não teríamos tido antes?
-Você não estava noiva? Acho que você já estava em um relacionamento.
-Você adoraria ter sido minha amante. - Alice falou do modo mais sedutor possível e colocou sua mão por cima da mão da mulher mais velha.
-Não fala besteira! - Manuela tirou sua mão debaixo da de Alice. -Por favor, já te falei que é só negócios. - A mulher levantou e pegou sua bolsa. -Te encontro na empresa. - e então ela foi embora da cafeteria. Ao sair, recebeu uma ligação de Dani.
“Achei o seu cara!”
“Estou indo para sua sala!”
A chamada se encerrou e Manuela seguiu diretamente para a sala da advogada. Antes de subir até a sala de Daniela, a mulher foi parada pelo seu pai e dois clientes da empresa. Eles trocaram algumas palavras, como de costume, tentaram jogar seus filhos para a menina e ela tentou se sair da maneira mais educada possível.
-O que tem para mim? - Manuela chegou entrando e sentou na cadeira à frente da mulher.
-Tenho respostas. -A ruiva mais velha entregou uma pasta com vários papéis. Manuela abriu e tinha papéis com dados e fotos. - Stefan Christopher Heiden. Naturalidade Alemã. 31 anos. Órfão. Ex-servente da marinha da Alemanha. Chegou ao Brasil há 6 anos atrás pela sua antiga empresa, mas foi colocado para fora por justa causa. Sem detalhes sobre.
-Bom, pelo menos o português dele é muito bom.- a morena falou ainda observando os papéis em sua mão.
-Ele tem passagem pela polícia, duas na verdade. Falsificação de documentos. - o sorriso apareceu no rosto de Manuela. -Ele não me parece ser uma boa pessoa.
-Eu tenho um endereço?
-Final da última folha. Você quer ir até ele?
-Sim!
-Você não está pensando em ir sozinha, né?
-Não, você vai comigo.
-O quê? - Manuela levantou da cadeira, guardou os papéis dentro da bolsa e ficou esperando a amiga se arrumar.
-Anda, eu não vou sozinha. Estou falando sério, você vai comigo. Estou te pedindo como amiga, não como sua chefe.
-Ah, Manuela. - a mulher revirou os olhos e se levantou. -Você hein, me mete em cada coisa. Sinceramente. - ela pegou a bolsa e as duas saíram juntas do enorme prédio. Manuela saiu dirigindo em seu carro, andaram por alguns minutos e logo Daniela começou a guiá-la pelas ruas, seguindo o gps e o endereço que havia achado. As mulheres chegaram no que parecia uma pensão, não era bem o que estavam esperando. Elas desceram do carro e foram em direção a enorme casa.
-Já pensou no que vai dizer? - Dani perguntou bem atrás da mulher.
-Não, mas eu sou boa em improvisação. - a mulher respondeu sem parar de andar.
-É bom que seja! - a mulher praguejou atrás e as duas entraram. A casa era simples, tinha uma recepção com uma senhora de cabelos negros e bandana na cabeça. Algumas curvas em seu corpo e no momento lia uma revista.
-Olá, boa tarde. Estou procurando o Stefan. - Manuela começou simpática.
-Desculpa, querida. Não conheço nenhum Stefan.- a mulher respondeu sem nem mesmo tirar os olhos da revista. As mulheres se entreolharam e Dani deu de ombro.
-Senhora, eu realmente preciso falar com ele. É importante.
-Eu não me importo.
-Olha aqui, senhora, estamos procurando esse cara. - Dani tomou a revista da mulher, segurou em seu pulso com uma mão e com a outra mostrou a foto de Stefan que tinha impresso em sua ficha criminal.-Se não quiser problemas comigo e nem com a polícia, eu sugiro que me diga o número do quarto dele.
-Quarto 215. - a mulher respondeu totalmente assustada.
-Obrigada pela informação. - Dani a soltou. Elas seguiram para o corredor que dava acesso a uma escada onde deduziram ficar os quartos. -Improvisação, é, sei.
-Tá, você se saiu bem melhor que eu. - as duas foram subindo as escadas e chegaram até a porta com o número 215 na frente. Manuela bateu na porta. Nada.Ela bateu novamente. Ao abrir a porta o homem sorriu ao ver a mulher à sua frente.
-Você vai ficar me perseguindo mesmo? Nossa, você realmente não desiste.
-Olá Stefan, como é bom te rever.
-Não sabia que tinha causado um impacto tão grande em você. - a mulher riu e foi entrando no quarto. Dani foi entrando junto com a amiga. -Fiquem à vontade! -ele falou após ver elas entrando sem serem convidadas. Ele fechou a porta e sentou em um pequeno sofá que havia ali. O quarto era grande, havia espaço para cama e um pequeno lugar para o que ele poderia chamar de sala e um banheiro no finalzinho do quarto.
-Eu preciso de você e você precisa de mim.
-Eu não tenho tanta certeza! - o homem pegou um pacote de salgadinho que provavelmente estava comendo antes e voltou seus olhos para a televisão.
-Chegou a hora de me apresentar. - Dani tomou a voz. - Eu sou a Dra. Smith. Advogada. Eu tenho tudo sobre você. Principalmente sua ficha policial. - a mulher jogou os papéis no criado mudo na frente dele e agora elas tinham chamado sua atenção. -Minha cliente quer conversar com você sobre um possível contrato e vendo pelo seu histórico, você poderia ser o único maluco que aceitaria.
-Isso me soa como uma ameaça. - o homem olhou para os papéis em sua frente.
-Eu chamo de oportunidade. Se mudar de ideia, pode me ligar. - Manuela deixou seu cartão de visita no mesmo lugar que os papéis haviam sido deixados. -Estou pronta para falar de negócios! - ela piscou o olho e saiu. Dani cumprimentou ele com um aceno de cabeça e logo saiu também. Stefan revirou os olhos e escutou a porta bater.
Ao entrarem no carro, pareciam que as meninas haviam tirado um peso das costas e permitiram respirar aliviada. Cinco segundos depois, elas pareceram tirar um peso nas costas e Manuela começou a dirigir. O caminho foi silencioso. As duas subiram e Daniela foi direto para a sala da amiga.
-Você vai mesmo fazer um contrato com ele? - ela perguntou assim que elas entraram na sala e fecharam a porta.
-Olha, eu estou pensando seriamente. É bom para as duas partes.
-Não é bom, você não conhece ele.
-Você me deu tudo sobre ele.
-Manuela, é sério. Eu estou falando como sua amiga. Você não o conhece.
-Ele pode ser um bom amante.
-Por Deus, Manuela! - agora a voz de Daniela estava mais alta, mas o esbravejo foi cortado pelas batidas na porta.
-Entre! - a dona da sala ordenou e sua secretária entrou.
-Desculpe interromper, mas eu tenho o Sr. Laurent em ligação dizendo que é urgente.
-Pode passar, obrigado! - a menina saiu da sala.
-Está vendo? Negócios! Tudo gira em torno de negócios. - Manuela atendeu o telefone. -Olá, Sr.Laurent. A que devo a honra? - a mais velha revirou os olhos e saiu da sala da empresária. -Ah sim, sua filha entende bem de negócios e nos fez uma proposta que acho que vale a pena investir. - o homem falou do outro lado. - Bom, pedi para que entrassem em consenso e vinhessem até nossa empresa. Nossa sala de reunião está esperando por vocês e nossa parceria. - mais algo foi falado. -Tudo bem, posso formalizar tudo por um e-mail. Espero que a Alice seja boa em apresentação, esperamos uma bem feita. Até logo, Sr. Laurent! - a ligação foi encerrada e o sorriso estava mais do que estampado no rosto da mulher. A mesma se levantou e foi em direção até a sala de seu pai, informa-lhe a notícia. Eles teriam uma reunião em dois dias com a empresa Laurent.
-Eu espero muito que isso dê certo! - o pai esbravejou para a filha. Ele estava em pé perto da janela e sua filha sentada.
-Se fizermos por onde, vai dar. Pode dar mais certo para nós, do que para eles.
-A Laurent é nossa concorrente direta. Todos sabem disso.
-Papai, é uma jogada de marketing e já falamos sobre isso. - a menina se levantou. - Estou voltando para minha sala, só vim te avisar. - a menina saiu bufando da sala de seu pai e foi em direção da sua, passando feito foguete por todos do corredor. Ao entrar em sua sala, a empresária foi direto para sua cadeira e permitiu respirar. Seu pai e a mania de controlar a vida de todo mundo. Agora ela só tinha que mostrar, que aquilo foi uma boa negociação.