Uma nova semana estava começando para a família Cesarini e Manuela ainda não havia conseguido tirar o Stefan de sua cabeça. Naquele dia ela não iria trabalhar na empresa, resolveu ver como estava a produção das uvas para a industrialização. Ela abriu o tablete em sua planilha e foi andando por dentro de toda a vinícola. A mulher cumprimentou todos ali, diferente de seus pais, ela era bastante simpática com todos os funcionários. Logo no final, na entrada da casa das máquinas, a mulher avistou Jeremy. O senhor que fazia tudo acontecer.
-Olá, Srta. Manuela. A que devo a honra? - Jeremy tinha seus 50 e poucos anos, baixo, com barbas e cabelos brancos, vivia sempre acompanhado por um chapéu de palha e uma blusa xadrez.
-Eu vim contabilizar tudo. E principalmente saber quantos barris temos.
-O bastante em estoque. - o homem respondeu tirando seu chapéu. -Depois da senhora. - ele fez menção da mulher ir primeiro e assim ela o fez. Ele foi logo em seguida. Os dois seguiram e a mulher atualizou toda sua planilha. Logo depois ela voltou para casa e ficou no escritório onde compartilhava com seu pai. A mulher verificou sua agenda e logo viu que sua reunião com Alice estava marcada para daqui há dois dias. Em meio a pensamentos, ela lembrou de Stefan e resolveu ligar para Dani.
“Olá, a que devo a honra?” - Dani atendeu já falando com a amiga.
“Você consegue achar a pessoa pelo nome?”
“Que tipo de pergunta é essa?” - ela perguntou sorrindo.
“Dá ou não?” - ela retrucou.
“Eu tenho pelo menos o sobrenome da pessoa?”
“Não!”
“Bom, torna mais difícil. Mas eu posso falar com um amigo que trabalha na polícia.”
“É por isso que eu te amo!”
“Anda, qual o nome dele?”
“Stefan. Se é que esse é o nome dele mesmo.”
“Você tem alguma foto?”
“Não!”
“Você não está facilitando pra mim, Manu!”
“Infelizmente é só o que tenho. Posso dar detalhes de como ele é.”
“Pode falar.”
“Branco, alto, cabelos cortados tipo soldado do exército, olhos castanhos claros.”
“Bom, talvez eu consiga algo. Te ligo quando achar.”
“Muito obrigado, te devo uma!” - a chamada foi encerrada entre as duas mulheres. Manuela foi para as redes sociais procurar por um Stefan e percebeu que sem o sobrenome, ela ficaria por dias procurando por aquela pessoa. Então Manuela lembrou do aplicativo e do perfil que seu irmão fez para ela, a mulher ficou um bom tempo passando por alguns pretendentes, mas nada que chamasse sua atenção.
-Manuela? - a porta se abrindo a fez fechar rapidamente o notebook. Era sua mãe.
-Oi, mãe! - a menina se ajeitou na cadeira.
-Podemos conversar um pouco?
-Claro! - a mais velha sentou à frente da mulher.
-Nós duas nos damos muito bem, certo? - a mulher confirmou com a cabeça. - E sempre conversamos sobre tudo, não é? - dessa vez ela sorriu. -Então, tem algo que queira contar-me?
-Mamãe, por favor. Pergunte o que quer perguntar.
-Está se envolvendo com alguma mulher? Por isso não está namorando? Está com medo do que o seu pai vai falar? - a gargalhada da mulher foi alta.
-De onde você tirou isso mãe?
-Nós duas sabemos o que aconteceu com você na faculdade.
-Exatamente, faculdade. Foi só um envolvimento e pronto. - a mulher levantou. - Eu não estou com ninguém, porque os que chegam junto de mim, é apenas pelo meu sobrenome. É puro interesse.
-Ora querida, você pensa que eu e o seu pai apaixonamos-nos de primeira?
-Não? - a cara de confusão dizia tudo.
-Não! - a mais velha sorriu dando pouca importância. -Nossos pais tinham um contrato. Por isso que ele se acha tão dono daqui, quanto eu. O pai dele entrou com a administração, o papai com o produto e o resto. Mas, isso pertence a minha parte da família, o seu pai pegou o nome Cesarini depois que nos casamos.
-É, faz sentido! - a filha deu de ombros.-Mamãe, a senhora concorda que eu não preciso de um homem ao meu lado para dar conta disso, não é? Eu tomo conta muito bem com a ajuda do papai e em breve será o Matteo, qual o problema?
-Viemos de uma família tradicional querida. E por mais que eu esteja do seu lado, temos uma reputação a zelar.
-Acho que terminamos aqui! - a mulher mais nova se levantou e saiu do escritório, deixando sua mãe lá dentro sem palavras. Manuela subiu as escadas e foi direto para o seu quarto.
Mais tarde naquele mesmo dia, a família estava jantando. Todos juntos na enorme sala de jantar, em silêncio, como normalmente faziam. Manuela não deu uma palavra, seus pensamentos estavam bastante distantes e Matteo percebeu isso na irmã. Após o jantar, ele foi até o quarto da mais velha.
-Manu? Podemos conversar? - ele perguntou batendo na porta.
-Claro! - a mulher abriu a porta e o menino entrou. -O que quer? - ele sentou no sofá.
-O que está acontecendo com você? Ficou calada o jantar todo?
-Ué, eu preciso falar sempre? Não estava afim de rebater o papai.
-Aí é que está, porquê não?
-Por que eu não queria, é simples.
-Tem alguma coisa que está na sua cabeça. Então, senta aqui e conta para seu irmão. - o menino bateu com a mão no sofá, na tentativa de chamar sua irmã para sentar ao seu lado. Ela primeiro revirou os olhos, mas logo foi sentar ao lado de seu irmão. -Anda, conta!
-Talvez eu esteja obcecada por um cara.
-Um cara?
-É, o nome dele é Stefan. Pelo menos eu acho.
-Calma, estou um pouco confuso. Quer me contar do começo? - ali Manuela começou a contar tudo que aconteceu no dia do jantar. Matteo também prometeu ajudá-la. Mais uma parceria havia sido fechada naquela noite.
Havia chegado o dia da reunião com a Alice Laurent e a mesma já estava esperando na sala de Manuela. A mulher chegou com a sua assistente já informando a presença da mesma na sua sala.
-Bom dia, Srta. Cesarini. - Alice levantou ao ver a mulher entrando.
-Por favor Alice, não temos essa cordialidade. - Manuela foi até sua cadeira e sentou. -A que devo a honra? - ela fez menção para a mulher sentar.
-Vamos fazer uma campanha juntos. - Alice era uma mulher ruiva, com olhos verdes e pele num tom mais escuro, não tão branca quanto toda sua família por parte de mãe, já que ela puxou bastante ao seu pai.
-Ah, sério? - Manuela riu alto. - Somos concorrentes declarados. Eu nem sei se o seu pai sabe que está aqui ou os seus irmãos. Eles sabem?
-Eu estou tentando fazer um acordo de paz aqui.
-Então eles não sabem. - Manuela sorriu de lado. -Alice, sério, eu não quero problemas.
-Manuela, essa é uma ótima oportunidade para crescermos juntos. Podemos fazer uma safra dos nossos melhores produtos e lançar um produto novo. Vai beneficiar as duas empresas.
-Você pode me contar porque isso agora? - a mulher que era um pouco mais nova que Manuela por 3 anos, era a mais inteligente da sua família. Ela respirou fundo.
-Talvez estejamos tendo problemas com um parceiro nosso. E bom, vocês tem uma ótima safra e podemos fazer uma leva de vinhos rosés.
-Está pedindo nossa ajuda? - agora o cinismo estava explícito no rosto da empresária.
-Sou a única corajosa ao ponto disso. Meus irmãos nunca iriam fazer isso.
-Até porque eles nem sabem. - Alice revirou os olhos. -Você tem algo documentado?
-Ainda bem que você perguntou. - ela tirou uma pasta da sua bolsa. - Se você puder dar uma olhada, eu iria agradecer bastante. - Manuela pegou a pasta.
-Pode deixar, eu vou dar uma olhada e se eu julgar ser bom, falarei com o papai.
-É sempre bom saber que ainda nos entendemos bem. - a fala fez com que Manu olhasse para o rosto da ruiva. As duas sorriram.
-Vamos focar nos negócios, sabemos que funciona bem melhor entre nós duas.
-Ótimo! - Alice levantou da cadeira. -Muito bom conversar com você.- Manuela também levantou e foi para junto dela. As duas apertaram as mãos. E em um único movimento, Alice puxou o corpo de Manuela para junto dela. -Espero que possamos nos ver em breve.
-Não faz isso! - a voz de Manu estava arrastada. -Na última vez não deu muito certo pra nenhuma de nós duas.
-Estávamos na faculdade, éramos mais novas e não tínhamos independência. - agora a boca da menina estava mais perto de seu pescoço.
-Ali, para! - Manuela empurrou a ruiva. -Se vamos ter uma parceria, não podemos ter segundas intenções. E eu estou falando sério.
-Ok, você sempre foi mandona mesmo. Posso ir ver minha prima?- Alice se afastou e pegou sua bolsa.
-Fica a vontade, você sabe qual o andar dela.
-Até mais, parceira! - ela deu as costas e foi andando para a saída.
-Não somos parceiras ainda. - a mulher parou e virou para olhá-la.
-Mas vamos ser! - a ruiva deu uma piscada para a morena e saiu dali.