O que era para ser resultado de cinco meses de vendas, veio em dois meses. A parte financeira estava feliz com os resultados e agora as mulheres teriam uma reunião com Matteo, ambos para mostrarem os relatórios. Para não ser algo tão formal, Alice decidiu por se encontrarem num café, onde geralmente as pessoas iriam para trabalhar.
-Eu gostei desse lugar, estou me sentindo muito importante e adulto. - Matteo falou assim que entrou com sua irmã.
-Aja como tal, sem nenhuma gracinha. - Manuela falou ao irmão.
-Nossa, o que você tem? O Stefan não está comparecendo não?
-Primeiro, me respeite que eu sou mais velha. Segundo, não vamos falar sobre minha vida s****l. Terceiro, não te interessa. - a mulher foi na frente, pediu um café duplo e sentou em uma mesa para esperar Alice. Matteo fez o mesmo. Cada um dos irmãos, abriram o computador e logo depois perceberam a presença de uma mulher ruiva em sua frente.
-Uau! Vocês assim, parecem uma capa de revista de negócios. - ela chamou a atenção deles. -Matteo, desde a última vez que te vi, você ainda era uma criancinha.
-Olá, Alice! E da última vez que eu te vi, você estava beijando minha irmã! - ele falou sorrindo e se levantando para cumprimentá-la.
-Você sempre foi uma criança obediente! - a mulher respondeu sorrindo.
-É, eu gostava de jogos. E de dinheiro!
-É, você é um Cesarini nato.
-Dá para vocês dois pararem de conversinhas e vamos tratar logo de negócios?
-O que ela tem? - Alice perguntou para o menino que ainda estava em pé ao seu lado.
-Acho que o Stefan não está comparecendo! - ele deu de ombros e voltou para o seu lugar.
-Ah, claro! O Stefan! - parecia que aquilo tinha afetado a mulher, então ela sentou, tirou seu notebook da mesa e pediu um café também.
-Quando estiver com o relatório pronto, podem mostrar.- foi a última coisa que Manuela falou antes deles falarem de negócios.
Após algumas horas, foi resolvido que seria feita uma festa em comemoração aos altos números. Nada muito extravagante, mas eles tentariam fazer aquela reunião acontecer. Alice pediu para conversar um pouco mais com Manuela, mas a mulher negou, alegando que tinha muita coisa para resolver. Matteo voltou com ela para a empresa e ficou na sala da irmã mais velha. Sem muita conversa, os dois trabalharam a tarde toda e no carro na volta para casa, a mulher só pensava em como dizer aos seus pais que eles iriam receber seus maiores concorrentes em sua casa.
-Não, de jeito nenhum! Por mais que eu esteja feliz com as vendas, não quero eles na minha casa. - Helena tomou a voz assim que Manuela falou.
-Um restaurante? Seria importante para a imprensa ver que não há rivalidade!
-Mas há rivalidade, Matteo! - o pai tomou a voz em um tom alto.
-Não precisamos brigar! Tudo bem, não haverá a junção das famílias para comemoração. - Manuela falou tranquilamente tomando a atenção de todos. -Deixem as pessoas pensarem o que quiserem, se caso as vendas caírem antes da temporada dos vinhos acabarem, nós corremos atrás do prejuízo. Certo, papai? - agora a mulher encarou seu pai, apenas esperando uma resposta. Todos estavam atônitos.
-Certo! - o homem concordou espantado.
-Que? Manuela? - Matteo parecia não ter gostado da atitude da irmã.
-Quieto, Matteo! Já está decidido! - a fala dela foi firme. O garoto revirou os olhos e voltou a comer, o resto do jantar foi em total silêncio.
No andar de cima, Matteo estava no quarto da irmã andando de um lado para o outro enquanto ela estava em seu banheiro. Eles já haviam discutido brevemente o que fazer, já que o garoto havia entendido que sua irmã não queria brigar com o pai. A mulher disse que eles iriam comemorar sozinhos, os três, pois era mérito deles, por mais que sua família não os creditassem.
-Eu sabia que você não ia deixar para lá.
-Deixa o papai pensar que ele tem as coisas no controle. Você precisa saber a hora de parar. - a irmã agora saiu do banheiro pronta para dormir. -Agora dá o fora do meu quarto. -Matteo a obedeceu e saiu rindo do quarto. Ao deitar, ela checou seu celular e viu que havia duas mensagens, uma do Stefan e outra da Alice. Mesmo na dúvida ela respondeu primeiro o Stefan e em seguida Alice.
Na manhã seguinte, Manuela saiu mais cedo do que o esperado, perdendo assim o café da manhã dos Cesarinis. A mulher não foi direto para a empresa, mas sim para uma padaria se encontrar com o Alex.
-Eu agradeço você ter aceito meu convite. - o homem falou ao ver a mulher sentando à sua frente.
-Você sabe, eu não n**o quando o assunto é negócios. Em que posso te ajudar?
-Queremos entrar como investidor do Cesarent. E assim levar vocês até o Mundus Vini. - aquela proposta fez os olhos de Manuela saltarem.
-O que? O senhor está falando sério?
-Sim, senhorita! - o homem sorriu. -Parece que essa leva fez muito sucesso.
-Ficamos muito honrados com a sua iniciativa. De antemão eu consigo te falar que aceitamos, mas você sabe, precisamos de tudo documentado. E claro, preciso falar com o papai.
-Eu sei que você vai dobrar ele e fazer isso acontecer. - Alex piscou o olho para a mulher à sua frente. -Não me leve a m*l, mas o Sr. Cesarini ainda tem alguns pensamentos antigos e não olha tanto para o futuro. Então, com todo respeito, eu prefiro tratar de negócios com a senhorita.
-Eu entendo e fico lisonjeada. -ela pigarreou, pois percebeu o olhar que recebeu - Acredito que já deve saber que o meu namorado também está no meio dos negócios, ele também é flexível.
-Claro, o Stefan não é? - o homem se ajeitou na cadeira. -Pelas revistas, parece ser muito bem afeiçoado.
-É, ele é alemão, pode nos ajudar muito com a ida ao Mundus Vini. - a mulher olhou no relógio. -Quem sabe não coloco ele para tratar com você diretamente. Agora eu preciso ir. - Manuela levantou da cadeira, vestiu seu blazer e pegou sua bolsa. -Espero o contrato em meu escritório.
-Com você tudo é contrato, não é? - ele também levantou ajeitando seu terno.
-Negócios, Alex. Sempre negócios. - ela deu uma piscada e saiu dali. Manuela entrou em seu carro e partiu para a empresa, entrou direto para sua sala como faz todos os dias sem falar com ninguém. Abriu seu computador e já foi contar as novidades para Matteo e Stefan. Mais algumas horas e logo depois recebeu a visita de seu irmão. Eles bateram um papo e decidiram que iriam incluir o Stefan na jogada, mas antes teriam que falar com o pai deles.
-Eu estou a pouco tempo nesse ramo e já entendo todas as brigas que você teve com ele. Não dá para conversar com o papai, ele nunca entende.Tudo é do jeito dele.
-É, Mat. Para você ver o que eu passo.
-Por favor, quando você tomar conta disso não seja igual a ele. - nesse momento a porta se abriu e o Victor apareceu.
-Falando de mim? - o homem perguntou -Porque eu não sabia que vocês estavam reunidos aqui? - ele chegou mais próximo e ficou no meio da visão de Manuela e Matteo.
-O Matteo chegou quase agora da escola e resolveu vim até aqui. - Manuela tomou a voz. -Mas que bom que está aqui, temos um assunto para tratar. - o homem mais velho desabotoou o terno, olhou para seu filho mais novo esperando uma notícia r**m.
-Espero que não estejam aprontando nada. - ele respondeu sentando na cadeira à frente da mesa de sua filha.
-Recebemos uma proposta para irmos ao Mundus Vini. - o olhar do homem brilhou. -Mas, ele quer que concorremos com o Cesarent e que eu tome a frente.
-O quê? Quem é? - a voz dele já continha raiva.
-O Alex Dalio. - o homem soltou uma risada irônica. -Se o senhor não se importar, eu posso resolver tudo e ficar a frente disso. Posso conversar com a Alice e verificar se há possibilidade de entrarmos nessa sozinhos.
-Não sei, parece muito para você. - mais uma vez ele estava invalidando sua responsabilidade e dessa vez Matteo não pode ficar quieto.
-Parece muito? - o garoto se levantou. -Senão fosse pela Manuela essas vendas nem daria certo e nem metade de seus clientes estariam aqui. Ela é a simpatia e lábia da empresa, coisa que o senhor com certeza não é.
-Mat, menos! - a irmã pediu calma.
-Calma? Não! Se eu vou tomar conta disso aqui, preciso ser igual a ele, não é? Estou aprendendo direitinho papai? - os dois agora travaram uma batalha de olhares.
-Pai, nós estamos trabalhando para o mesmo propósito aqui. Crescer a empresa e nosso nome, nós podemos fazer isso juntos. Mas não podemos crescer quando começamos com problemas internamente.
-Não vejo problemas aqui, vejo dois garotos dizendo como fazer meu trabalho.
-Tudo bem, eu falo com a mamãe quando chegar em casa. Vou me encontrar com o Stefan, até mais! - a mulher pegou suas coisas e saiu da sala deixando seu irmão e seu pai lá dentro sem nem ligar para o que poderia acontecer. Na verdade ela não havia combinado nada com o seu falso namorado, mas ela ligou para ele e ele imediatamente disse que a encontraria.