Os devaneios de Manuela foram embora quando se ouviu batidas na porta. Ao permitir a entrada, ela viu seu namorado entrando. Ela suspirou fundo e colocou sua taça em cima da mesa.
-Olha só, meu namorado resolveu aparecer! - ela falou com ironia.
-Quanta graciosidade! Também estava com saudades, meu amor.
-Não vem com gracinhas, você sumiu.
-Eu te disse que estaria na Alemanha. E olha só, vim com novidades. - ele colocou alguns papéis em cima da mesa da mulher. -Essas são as políticas para podermos participar, está em alemão, eu posso traduzir pra você se quiser. - ele sentou a sua frente.
-Eu sei ler alemão!
-Claro, você é rica! Deve ter feito cursinho. O que mais sabe? Francês? Chinês? Italiano?
-Não que te interesse, mas para sua informação aprendi tudo na faculdade. Só troca o Chinês pelo Russo. - nesse momento o homem ficou perplexo.
-É sério? - a pergunta foi sincera. - Que faculdade você fez?
-Sim! Relações Internacionais. - agora a mulher tirou a atenção do homem e pegou os papéis para ler. -Agradeço por isso. Fico encantada como você está se colocando muito bem no personagem. Devo me preocupar?
-Não vamos misturar as coisas. - ele semicerrou os olhos - Temos um acordo e eu só estou tentando cumprir com ele.
-Ótimo! Eu vou tentar marcar um jantar na minha casa, você precisa conhecer minha mãe antes de tornar isso público e precisamos fazer isso para ontem, até porque a notícia já está se espalhando.
-Se espalhando? Eu posso saber?
-Ainda não! - eles trocaram olhares -Você tem algo para fazer agora?
-Não exatamente! Do que precisa?
-Que busque o Matteo para mim! - ela jogou as chaves para ele. -Pega ele na escola e traz ele aqui para a empresa.
-Sim, senhora! - ele pegou as chaves e saiu. Matteo já havia conhecido o Stefan, em uma das idas do mais velho a sala de sua irmã, o garoto o conheceu e gostou bastante dele. Contudo, ele não sabia do contrato de ambos. Os dois homens foram para onde Manuela havia mandado, sua sala. Eles ainda trocaram algumas conversas e logo depois saíram para almoçar, a felicidade de Manuela estava estampada em sua cara ao ver os dois homens se dando tão bem. Fazia tempo que ela não via o Matteo sorrindo daquela forma.
-Sabe, eu gostei dele! - Matteo falou assim que Stefan saiu para ir ao banheiro.
-Fico feliz que se deem bem. Ele vai passar um bom tempo na família.
-Então é sério? Quer dizer que já estão namorando?
-Sim!
-Engraçado, não estou vendo anel no seu dedo. - esse momento ele parou para observar e o Stefan chegou. -Nem no dele. - Manuela por um milésimo de segundo paralisou e começou a pensar em uma história.
-O que eu perdi?
-Ah querido, nosso anel de compromisso. O Matteo está cobrando ele. - ela sorriu de lado para tentar levar o assunto numa boa.
-Claro! Eu ainda vou comprar, sabe, eu a pedi num momento bem íntimo. Na verdade achei que ela não ia aceitar, você sabe como sua irmã é independente e não quer ficar com ninguém, pois é autossuficiente.
-Olha só, alguém que já te conhece tão bem quanto eu. -Matteo comentou rindo e o casal trocou olhares, enquanto Stefan sorria, Manuela o olhava fuzilando.
-É, ele é cheio de gracinhas! -ela deu um leve t**a no braço do namorado e voltaram a almoçar em boa harmonia.
Uma semana depois o jantar foi marcado. Stefan já havia comprado os anéis de compromisso e os dois usavam uma aliança prateada finas, mais brilhantes que os normais. E claro que o pai dela não poderia deixar de soltar gracinhas enquanto aguardavam as mulheres descerem.
-Olha só quem diria, o cara da TI! - foi a primeira coisa que o Victor falou ao ver o homem entrando em sua sala sendo acompanhado por Matteo.
-Senhor, Victor! É uma honra poder estar na sua casa. - eles apertaram as mãos.
-Para um cara de TI, você até que se veste bem. - o homem olhou bem para Stefan que continha uma camisa polo cinza e uma calça caqui segurada por um cinto preto.
-Papai, por favor, ele tem nome. - Manuela chegou no alto da escada chamando atenção dos rapazes. -Oi, querido!- eles se abraçaram e ele deu um beijo na cabeça dela.
-Você está linda! - a fala dele fez com que ela o olhasse e sorrisse.
-Você deve ser o Stefan! - a voz da mulher mais velha se fez presente na sala chamando a atenção de todos. Então Helena chegou até mais perto, vindo de um dos corredores do andar de baixo.
-Sim! Senhora, Helena Cesarini, correto? - com toda sua cordialidade, Stefan a reverenciou.
-Exatamente! Senhor Heiden? - a mulher esticou sua mão e ele a pegou para beijar.
-Podem me chamar de Stefan. - aquele sorriso galanteador apareceu.
-Fico feliz em finalmente te conhecer. Ouvi boatos sobre você e minha filha.
-Sinto muito pelos boatos, por isso estou aqui, vim esclarecer quaisquer dúvida que houver. - nesse momento todos estavam se encaminhando para a mesa de jantar. Stefan ficou ao lado de Manuela, em frente a Matteo. Nas pontas, estavam os anfitriões, a mesa era de seis lugares, onde sempre foi perfeito para eles. Após algumas conversas sobre a família de Stefan e o jantar regado a indiretas soltadas pelo homem mais velho ali presente, a sobremesa foi tomada na varanda da casa. Manuela e Stefan comiam uns pães com Chimia.
-Nossa, eu sabia que eles queriam te agradar, mas dessa forma…- Manuela falou assim que viu a geléia de Chimia.
-Parece que estou em casa! - Stefan sorria enquanto comia. Chimia era uma geleia alemã que pode ser feita com as mais diversas frutas, como goiaba, uva, maçã, figo, morango, abóbora, entre outras. -Preciso agradecer aos meus sogros! - Stefan fez menção de se levantar, mas logo foi parado por Manuela.
-Deixa de graça! - ela o segurou pelo braço. -Não se acostume com isso, que tem prazo de validade.
-Então deixa eu me aproveitar um pouquinho, vai! - Stefan começou a fazer cócegas na mais nova e então começaram a rir na varanda, sendo atrapalhados somente pela mãe de Manuela. Ela pigarreou para chamar atenção dos dois. -Hã, Senhora Cesarini desculpe. Eu queria agradecer pela sobremesa, está uma delícia e pela lembrança também, é claro.
-Fico feliz que tenha gostado, Sr. Heiden. Acredito que já esteja ficando tarde e é melhor o senhor seguir seu caminho, estou correta? - os mais novos se olharam e Manuela deu de ombros.
-Claro que sim! - ele colocou o bowl que continha a geleia em cima da mesinha.
-Eu te acompanho até a saída! - Manuela fez o mesmo que ele. Stefan se despediu de todos e os dois foram até a porta. -Me desculpa pela minha família!
-Eles são sempre assim? - ela ficou esperando o resto da frase -Certinhos e chatos?
-São! - os dois riram. -É por isso que eu preciso sair daqui e preciso de você para isso.
-Seus pais são de que ano? 50?
-Quase isso! Somos uma família com muito dinheiro, então, quanto mais próximos, melhor. Não para mim, para eles.
-E você me quer para sair desse palácio?
-Com um tempo você se cansa e quer viver sua própria vida. Agora anda, vai! Nos falamos depois.
-Posso abraçar minha namorada?
-Ninguém está vendo, não precisa! Só vai!
-Doce como uma mula. Até mais! - ele se despediu, entrou no carro que havia alugado e saiu dali. A menina entrou novamente na casa e quando ia subindo as escadas, foi chamada pela sua mãe.
-Manuela! - ela parou no meio e se virou. -Gostei dele! - ela permitiu respirar fundo. A mulher assentiu e seguiu seu caminho. O começo do seu plano, estava dando certo.