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A VIÚVA DO DONO DO MORRO

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Blurb

Helena acreditava conhecer o homem com quem dividiu sua vida.Até Diego morrer.No enterro do marido, ela descobre que o homem que conhecia como empresário escondia uma vida que jamais imaginou existir. Diego era, na verdade, o temido dono do Jacarezinho — e agora, com a morte dele, segredos perigosos começam a vir à tona.Sem entender por que homens desconhecidos passaram a procurá-la e ameaçá-la, Helena descobre que se tornou um alvo.A única pessoa capaz de protegê-la é Victor, o melhor amigo de Diego e o homem que assumiu o comando do morro após sua morte.Frio, perigoso e cheio de segredos, Victor faz uma promessa: ninguém tocará em Helena.Mas, enquanto tenta descobrir quem matou Diego e o que ele deixou escondido antes de morrer, Victor percebe que mantê-la por perto será muito mais perigoso do que imaginava.Porque o que começou como uma promessa de proteção está se transformando em algo que ele não consegue controlar.O que era proteção virou obsessão.E Helena está prestes a descobrir que, no morro, nem todos os segredos morrem com quem os levou para o túmulo. 🔥🖤

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Capítulo 1 — A Viúva
Helena Eu nunca imaginei que enterraria meu marido. Muito menos aos vinte e cinco anos. A chuva caía fina naquela manhã, transformando o céu em uma imensa mancha cinzenta acima de mim. O som das gotas batendo sobre os guarda-chuvas se misturava às vozes baixas das pessoas e ao barulho dos carros que passavam pela rua. Mas eu não conseguia ouvir nada direito. Era como se o mundo inteiro estivesse distante. Como se alguém tivesse colocado uma parede entre mim e tudo o que acontecia ao meu redor. Meus olhos permaneciam presos ao caixão. Ao caixão onde Diego estava. Meu Diego. Meu marido. O homem com quem eu tinha dividido os últimos anos da minha vida. O homem que, poucos dias antes, tinha me beijado na testa antes de sair de casa e dito que voltaria para o jantar. Eu ainda conseguia ouvir sua voz. — Não me espera acordada, Helena. Eu tinha cruzado os braços e feito cara feia. — Você prometeu que ia chegar cedo hoje. Diego tinha sorrido. Aquele sorriso que sempre conseguia me fazer esquecer qualquer discussão. — Eu vou tentar. Ele tinha me beijado. E ido embora. Foi a última vez que o vi vivo. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, mas eu nem tive forças para limpá-la. Eu estava cansada de chorar. Desde que recebi a notícia da morte de Diego, parecia que meu corpo tinha esquecido como fazer qualquer outra coisa. Dormir era impossível. Comer parecia errado. Respirar era doloroso. Tudo era doloroso. A mulher ao meu lado segurou meu braço. — Helena, querida... Eu não respondi. Nem sabia quem tinha falado comigo. Desde cedo, tantas pessoas tinham se aproximado para oferecer condolências que os rostos começaram a se misturar. Alguns eram conhecidos. Colegas de trabalho de Diego. Pessoas que diziam ter feito negócios com ele. Outros eram completamente estranhos. E eram esses que estavam começando a me incomodar. Homens. Muitos homens. Eles chegavam em silêncio. Vestidos de preto ou com roupas escuras. Alguns usavam bonés. Outros permaneciam afastados, observando tudo. Não choravam. Não conversavam. Apenas estavam ali. Olhando. Eu apertei os dedos em volta do lenço que segurava. — Você conhece aquelas pessoas? — perguntei baixinho para a mulher ao meu lado. Ela acompanhou meu olhar. — Quais? Olhei novamente. Mas o homem que eu tinha visto perto do portão já não estava mais lá. Franzi a testa. Talvez eu estivesse ficando paranoica. Talvez fosse o cansaço. Ou a dor. Diego tinha uma empresa. Conhecia muitas pessoas. Era normal que eu não reconhecesse todos que estavam no enterro. Era isso que eu repetia para mim mesma. Era normal. Tudo estava normal. Mas não estava. Eu soube disso quando um homem se aproximou. Ele devia ter pouco mais de trinta anos. Era alto, forte e tinha o rosto sério. Não parecia triste. Na verdade, parecia... respeitoso. Ele parou diante de mim. Eu o encarei. Esperei que dissesse alguma coisa sobre Diego. Que falasse sobre o quanto sentia pela morte dele. Mas ele apenas abaixou levemente a cabeça. — Meus sentimentos, patroa. Meu coração falhou uma batida. — Desculpa? Ele levantou os olhos. — Pela perda. Olhei para a mulher ao meu lado, confusa. Depois voltei a encará-lo. — Acho que você está me confundindo com alguém. O homem não respondeu. Apenas assentiu uma vez. Então se afastou. Eu fiquei olhando para suas costas. Patroa? Por que ele tinha me chamado assim? Diego nunca teve funcionários que me chamassem daquela forma. Na verdade, os poucos funcionários que eu conhecia da empresa sempre me chamavam de Helena. Meu peito apertou. Tentei ignorar. Mas, alguns minutos depois, outro homem se aproximou. E aconteceu novamente. — Meus sentimentos, patroa. Dessa vez, eu nem respondi. Apenas o observei se afastar. Algo estava errado. Muito errado. Olhei ao redor. Agora eu conseguia perceber. Havia mais homens desconhecidos do que eu tinha imaginado. Eles estavam espalhados pelo cemitério. Próximos aos carros. Perto das árvores. Ao redor do portão. Como se estivessem vigiando o lugar. Como se esperassem alguma coisa. Ou alguém. Meu estômago se revirou. Foi então que o homem apareceu. Eu nunca o tinha visto antes. Pelo menos, não que me lembrasse. Ele se aproximou devagar. Tinha um olhar frio. Daqueles que faziam você entender que alguma coisa r**m podia acontecer antes mesmo de ele abrir a boca. Parou diante de mim. — Helena? Assenti. — Sim. Ele olhou para o caixão. Depois voltou os olhos para mim. — Onde está o que o Diego deixou? Por alguns segundos, eu não entendi a pergunta. — O quê? Ele deu um passo mais perto. — Não brinca comigo. Meu coração acelerou. — Eu não estou brincando. — Então responde. — Eu não sei do que você está falando. O homem me encarou. E, pela primeira vez desde que Diego tinha morrido, senti medo. Um medo real. Cru. Porque havia algo no olhar dele que dizia que ele não estava ali para prestar condolências. Ele estava procurando alguma coisa. — O Diego deixou uma coisa antes de morrer — disse ele. Balancei a cabeça. — Não deixou nada comigo. — Tem certeza? — Eu não sei o que você quer! Minha voz saiu mais alta do que eu esperava. Algumas pessoas começaram a olhar em nossa direção. O homem se aproximou mais. Meu corpo inteiro ficou tenso. — Escuta aqui... — Ela não sabe de nada. A voz surgiu atrás de mim. Profunda. Firme. Autoritária. O homem à minha frente ficou imóvel. Eu me virei. E foi quando o vi. Victor. Ou melhor... Victor Falcão. Eu o conhecia havia anos. Ele era amigo de Diego. Também era sócio dele na empresa. Era o homem que aparecia em jantares de aniversário, churrascos e algumas reuniões de trabalho. Mas, naquele momento, havia algo diferente nele. Talvez fosse a expressão. Ou a maneira como todos ao redor pareciam prestar atenção quando ele apareceu. Victor caminhou até nós. Alto. Forte. Vestido de preto. O rosto completamente sério. Seus olhos pararam em mim por alguns segundos. E, por alguma razão, senti como se estivesse sendo protegida. Como se, no meio de todas aquelas pessoas estranhas, ele fosse a única pessoa que eu conhecia. Então ele olhou para o homem. — Ela não sabe de nada — repetiu. O desconhecido soltou uma risada sem humor. — E você sabe? Victor não respondeu. O silêncio entre os dois ficou pesado. Aquele homem olhou para mim. Depois para Victor. — O Diego morreu e agora você acha que pode falar por ele? Victor deu mais um passo à frente. Dessa vez, ficando entre mim e o homem. Meu coração acelerou. — Não — respondeu. A voz dele era baixa. Mas carregava algo perigoso. — Agora eu falo por mim. O homem estreitou os olhos. Olhou para Victor por alguns segundos. Então fez a pergunta que fez meu corpo inteiro gelar. — E agora você manda? O silêncio caiu sobre nós. Victor nem piscou. Seu olhar permaneceu fixo no homem. Então respondeu: — Agora eu mando. O homem deu um passo para trás. E, naquele instante, percebi uma coisa ainda mais estranha. Todos os homens ao redor estavam olhando para Victor. Esperando. Respeitando. Como se aquelas palavras significassem muito mais do que eu era capaz de entender. Eu virei o rosto lentamente para encará-lo. — Victor... — sussurrei. Ele olhou para mim. Por alguns segundos, seus olhos perderam a frieza. — Você não devia estar aqui sozinha, Helena. Meu coração disparou. — O que está acontecendo? Ele não respondeu. Apenas olhou ao redor. Para os homens. Para o cemitério. Para os carros estacionados. Então voltou a olhar para mim. E naquele momento eu entendi que a morte de Diego tinha levado muito mais do que meu marido. Tinha levado embora a vida que eu acreditava conhecer. Porque, pela primeira vez, comecei a desconfiar de uma verdade terrível. Eu nunca soube quem era o homem com quem me casei. E, agora, eu também não tinha certeza de quem era Victor Falcão. Fim 🔥🔥🔥

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