ALICE PEROZZI - Fuga!

1400 Words
ARCANJOS CAPÍTULO 6 ALICE PEROZZI Ele segura em meu braço e entrelaça ao seu. Tento sorrir, mas não consigo. Andamos e só penso em como posso falar com ele que quero terminar. Da maneira mais direta possível, para que o Bruno não fuja dessa conversa. Somos recepcionados e levados até a nossa mesa. Bruno trata logo de conversar com o maître sobre os vinhos e depois com o garçom. Nem tenho oportunidade de falar com ele. Assim que ficamos sozinhos, ele me encara e diz: — Amor! Sei que tem algo importante para conversar comigo. — Assenti. — Mas faz tanto tempo que não saímos assim, para um jantar romântico. — Bruno, é que o que preciso te falar... O garçom chega e paro de falar. Ele serve o vinho para o Bruno e eu recuso. BRUNO Levanto fingindo atender meu celular, mas na verdade, ligo para o Fábio. Não acredito que a Alice quer mesmo terminar comigo. E ia fazer isso agora, durante o nosso jantar. Achei que as mensagens e ligações que fiz para ela ontem e hoje seriam o suficiente para ela ver o quanto sou maravilhoso. Mas não. Ela continua indiferente a mim. E acha que pode simplesmente me dizer que não quer mais casar comigo. Agradeço ela ser tão educada e gentil. Ou ela já teria dito que quer terminar antes de chegarmos ao restaurante. Fábio finalmente atende e falo desesperado. Ligação: — Me diz que tem alguma emergência no hospital agora! — Quê? Como assim, Bruno? — Cazzo! Preciso sair daqui agora ou ela vai terminar comigo. — Cazzo! Vou ver agora o que posso fazer... — Você vai achar um caso de emergência que precise de mim agora, Fábio. Já estarei a caminho. — Certo. Ele diz e desligo. Coloco minha expressão de preocupado e viro para mesa onde Alice está experimentando a entrada. Espero ela estar de boca cheia e me aproximo. — Amor! Ela me olha sem emoção. — Me perdoe! Mais preciso ir para o hospital agora. Ela arregala os olhos. — Surgiu uma situação urgente. Fábio me pediu apoio. Alice engole rápido e bebe um pouco de água. — Bruno, mas eu preciso te dizer que... — Alice! É trabalho. Nunca pensei que você, logo você, não pudesse entender isso. É um caso de vida ou morte. Me perdoe por ter que te deixar sozinha. Ela assente frustrada. Mas sei que não é por eu ter que ir. E sim por não conseguir me chutar para fora da sua vida. “Ah, Alice! Vai se arrepender de tentar terminar comigo.” Levanto pronto para sair e toco em sua mão. — Pode esperar para conversarmos depois? Ela me olha e assente. — Te amo mais que tudo, Alice. Ela reage surpresa à minha declaração. Sorrio e digo: — Tudo bem voltar de taxi? — Não se preocupe. Tenho os seguranças. — Te ligo depois! Me afasto rápido. Saio do restaurante e vejo os soldados da máfia. Eles me olham sérios e nem me dou ao trabalho de cumprimentá-los. Sigo para o meu carro, apressado e revoltado. Sabia que Alice trabalhar para máfia seria a pior ideia do mundo. Principalmente para mim. Ela já estava distante de mim e a pedi em casamento achando que isso a faria voltar a ser amorosa e apaixonada. Ou, ao menos, me garantir logo tudo que sonhei. Podem se perguntar por que não me casei logo com ela. E a resposta é simples. O avô dela e a mãe iriam desconfiar. Alice era centrada demais na sua carreira como médica e estava fazendo a especialização para ser pediatra. Um casamento nessas condições seria muito suspeito. Fábio me manda mensagem dizendo que chegou um paciente em estado cirúrgico grave e agradeço por isso. Meu álibi está garantido. Acabo de ganhar tempo. Mas isso não é suficiente. Preciso pensar em um jeito de enredar a Alice. Fazer ela desistir de terminar comigo, pelo menos por enquanto. Vou aceitar a proposta do avô dela. E, mesmo que ela termine comigo, já serei um dos diretores gerais. Vou conseguir ter muito influência no hospital. O velho não vai poder me demitir de imediato depois de me promover. Não sem parecer irresponsável. ALICE PEROZZI Fico sentada olhando o Bruno sair do restaurante. Respiro fundo, frustrada. Não acredito que não terminei com ele. Mais um dia. Sussurro de cabeça baixa. Ouço passos se aproximando e olho. É um dos soldados Mariano. — Boa noite, senhorita! Vim verificar se aconteceu algo ou se precisa de nós. Seu noivo deixou o lugar. Tento sorri e digo: — Ele teve uma emergência no hospital. — Vai jantar sozinha? Assinto. — Como deseja voltar para casa? — Taxi? Posso ligar para minha mãe. — Pode ir conosco ou pedimos outro carro para a senhorita. — Obrigada! Irei com vocês então. Depois de jantar. Já havíamos feito os pedidos. — Entendido. Estaremos aguardando. Ele fala e se afasta. Mas noto que, dessa vez, ele fica na entrada do restaurante me observando atento. Finalmente meu jantar é servido. Não que tenha demorado, mas eu quero sair logo daqui. Dispenso o pedido do Bruno e janto tranquila. A comida estava maravilhosa. Peço a conta e penso: “E se eu não tivesse condições de pagar a conta? Bruno me deixou aqui sozinha sem nem se preocupar.” “Como não notei isso antes?” No início ele não tinha condições financeiras e eu nunca me importei em pagar. Mesmo que ele disfarçasse e sempre parecesse ser ele a pagar. Porém, agora ele ganha muito bem no hospital e já tem uma condição financeira boa. Não tem problema. Esse será o nosso último jantar mesmo. O garçom se aproxima e me entrega o porta-conta. Assinto com um sorriso, sem entender. Abro e vejo que não há conta alguma. Apenas um agradecimento pela presença. — Como? — Sussurro. Olho para o soldado e ele assente. " Até mesmo um soldado da máfia teve mais cuidado e atenção comigo do que o meu noivo?" Sorrio para o garçom e levanto para ir embora. Assim que me aproximo do soldado, olho-o com indagação. Ele é um homem comum, de meia-idade. — Ordens do Arcanjo, senhorita. Olho para ele surpresa e curiosa. Claro que quis perguntar qual Arcanjo, mas me controlei. Mesmo que a curiosidade esteja a tomar conta do meu corpo. — Esse é um restaurante... Penso em como falar que a conta foi de milhares de euros. — Não se preocupe. O lugar é associado à máfia Mariano. E dinheiro não é problema para um ARCANJO. — Não? Ele assente e abre a porta do carro para mim. Decido não prolongar a conversa. Nunca falei com eles além dos cumprimentos e agradecimentos. E agora estou quase pedindo mais informações sobre os Arcanjos. E por quê? Porque minha mente grita que o Fausto é um ARCANJO. E quer saber mais sobre ele. FAUSTO PIGNATELLI Hoje conversei com os soldados que cuidam da segurança da Alice. Pedi que me passassem qualquer situação atípica envolvendo ela. Usei a desculpa de que, com as crianças herdeiras sob os cuidados dela, precisamos ter mais informações sobre tudo que acontece ao seu redor. E agora à noite o soldado me avisou que o noivo a deixou sozinha no restaurante para atender uma emergência no hospital. Entrei em contato com o restaurante e paguei a conta. Depois avisei ao soldado que deveria contar a ela que a máfia era associada do lugar e a conta estava quitada. Pode parecer estranho eu fazer isso. Querer cuidar dela mesmo sabendo que não posso me aproximar. Que ela não será minha, que vai se casar com outro. Mas é mais forte que eu. Não consigo me afastar completamente. ................. Chegou o dia do casamento de Magno e Maia. Nem acredito que finalmente eles irão se casar. Meu amigo esperou e sofreu por quase dois anos. Mas agora finalmente vai acontecer. Lamento que isso signifique que em um mês ele irá embora para Grécia. Ele e o Maycon. Ainda levarão o Davide. Esses dias já foram intensos para os Arcanjos que continuarão aqui em Roma. Apenas sete de nós para estar com o Dom e os dois Consiglieres, faz com que trabalhemos muito mais. Mesmo que à noite estejamos dispensados da guarda da propriedade, ficamos em alerta, caso haja um ataque ou emergência. Me arrumo e sigo para a igreja. ......................
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