CAPÍTULO 3

2449 Words
H E R O N Ainda olhando para o celular e me perguntando o que fiz da vida para essas coisas acontecerem comigo, suspirei com força e cai de volta no sofá. Como explicaria para esse ser que eu não quero alugar meu apartamento e que só efetuei o anúncio porque estava bêbado? Não tem como. — Bom dia senhor Parker — a voz da senhora Bennett é ouvida por mim, alegre. — Bom dia senhora Bennett... — saiu mas como um choramingo do que cumprimento. — Venha, tome esse remédio. Levanto-me do sofá e observo a bandeja com dois copos cheios d'água e dois comprimidos. Não importa quanto anos eu tenha, aquela senhora de idade, baixinha, com os fios grisalhos e o rosto marcado pelo tempo, sempre vai me conhecer. Até parece que foi ontem que ela chegou na casa dos meus pais, quando eu tinha apenas sete anos. Aquela mulher sempre foi e sempre será minha segunda mãe. Lembro-me quando meus pais precisavam viajar e era a senhora Bennett quem cuidava de mim, me alimentava e me colocava na cama. Ainda me lembro das noites em que ela cantava para eu dormir ou contava alguma história. Ela participou mais da minha vida de criança e adolescente do que meus pais. Não culpo eles, longe de mim, eu os amo demais. Eu via minha mãe chorar quando voltava para casa depois de uma viagem e me pedia perdão por não está por perto, ou escutava ela chorando no quarto enquanto meu pai tentava lhe consolar. “Fazemos isso por ele querida, ele entenderá. Não se mártires tanto assim.” Era o que eu ouvia ele dizer-lhe. Eu sabia que eles trabalham muito, por isso mesmo que eu nunca pedir mais do que devia. Eles viajavam por uma semana, mas ficavam duas em casa cuidando de mim. E quando eles estavam em casa, eu não via nem a cor da senhora Bennett porque meus pais diziam que; agora era a hora de cuidar de mim. Então nesses dias eles cozinhavam para mim, dormiam comigo, assistiam e brincavam comigo. Eles foram presentes do jeito deles. Lembro-me até hoje que eles nunca faltaram em uma data comemorativa, não importava se eles estavam do outro lado do mundo, eles pegavam o primeiro avião e vinham embora para casa ficar comigo. Meus pais nunca erraram comigo, mas eu sim errei com eles. E quando tentei fazer a coisa certa, já era tarde demais. — Obrigado... — agradeci após tomar os dois comprimidos e toda aquela água. Acordar de ressaca não é bom, principalmente quando precisa trabalhar no outro dia. — Senhora Bennett... — chamei-a choramingando — Acho que fiz a pior coisa na minha vida. A mulher que antes me olhava com preocupação, talvez pela minha dor de cabeça, mudou o semblante para desconfiança e sentou-se ao meu lado, como se fosse uma mãe pronta para dá um cascudo no filho que fez coisa errada. — Quer me contar menino? — Perguntou toda amorosa, porém aquele olhar ameaçador ainda estava lá. — Anunciei meu apartamento ontem, eu estava bêbado e não me lembro muito bem, mas agora tem uma pessoa interessado nele. — Tudo bem... então qual é o problema? — Perguntou ainda mais confusa. — Eu não, não tenho certeza se estou pronto, como será daqui pra frente se essa pessoa não tiver um bom caráter? Eu não sei mãe... Às vezes a chamo de mãe, talvez por ela ter me visto crescer, chorar, sofrer, sorrir; ela sempre esteve lá, sempre. Depois que a trouxe da casa dos meus pais para morar e trabalhar comigo, eu tentei demiti-la. Ela já estava com a idade avançada, e ela sabia que eu a considerava como minha mãe, não tinha o porquê dela trabalhar para mim. Mas quase apanhei quando disse que ela não iria mais trabalhar comigo, naquele dia fui expulso da minha própria casa pela mulher gritando comigo e com uma vassoura na mão, me fingir de sonso e coloquei na minha cabeça que aquele dia foi apenas um surto da minha mente. Desde então, deixo ela fazer o que quiser, se quer trabalhar; trabalhe, senão quiser; peça demissão. E desde então ela cuida da minha casa, mas isso não muda o amor que sinto por ela e tenho certeza que o amor dela também não. — Ora menino, é simples, se você quer compartilhar ele com alguém, compartilhe, se não quer, não compartilhe. — Como se fosse óbvio, ela falou. — Esse é o problema, eu quero, mas tenho medo. A senhora sabe que eu não gosto de ficar aqui sozinho, o silêncio me atormenta, mas tenho medo de compartilhar ele com uma pessoa que não conheço e quebrar a cara... — murmurei respirando fundo. — Não tenha bebê, vou está aqui pra você, sempre... Antes que eu possa lhe responder, meu celular toca, mostrando que tem alguém querendo me contactar. Suspiro cansado. Tenho certeza que não é ninguém querendo saber como estou e sim sobre trabalho. Sempre é. — Tome... — ela pegou meu celular na mesinha de centro e colocou em minhas mãos, depois se levantou e pegou a bandeja da mesinha. — Vou está na cozinha, quando terminar venha também, você precisa comer. — E saiu. Hector Chevalier. Era ele quem me ligava. — Sim? — Fechei meus olhos e encostei a cabeça no vão do sofá. — Temos um problema. — Esse é o meu cumprimento. — Bom dia pra você também Hector Chevalier, sim, estou bem, obrigado por perguntar e você? Como está em Tóquio? — Ironizo. — Não tenho tempo pra isso Parker, temos um problema. — Suspira. Suspirei e ergui meu corpo, adotando meu eu concentrado no trabalho, aquele que nunca se cansa e sempre está disposto a consertar o mundo todo. — Tudo bem, estou ouvindo. — Falei sério. — Primeiro, a última peça que você ficou de enviar não chegou aqui. — Droga... — murmurei baixinho. — Terminei sexta-feira mas esqueci de enviar o esboço, enviarei quando chegar na empresa, tudo bem? — Que tal trazer ele em mãos? — Acho que não entendi... — franzir. — Temos um problema com o tecido da peça quatro, ela veio errada e o produtor disse que não dá tempo para customizar outra, preciso de você aqui para resolver isso. Ok... mais trabalho. Hector Chevalier é o vice-presidente da Moon, conheci ele através do meu irmão que é seu namorado — apesar de todos tratarem eles como casados. Quando meus pais morreram, faltavam poucos dias para eu completar meus 23 anos, e ainda faltava alguns meses para meu curso de moda ser finalizado. Por isso a empresa iria ser destinada ao meu irmão, que já tinha uma estabilidade, conhecimento e tinha 27 anos na época. Mas então veio, ele negou, não queria assumir a empresa. Justificou dizendo que a empresa era da minha mãe e do meu pai e ele era filho apenas do meu pai, e que não tinha o porquê de assumir a empresa que era deles. E então, nesse meio entrou eu. Eu não queria assumir a empresa naquele tempo, talvez após uns 20 anos à frente, porém o destino não quis assim. Então tive que correr para terminar meu curso rápido e não deixar a empresa que meus pais suaram tanto nas mãos de pessoas com carácter duvidoso. Naquele tempo eu apenas queria ser um estilista renomeado sem a ajuda e influência dos meus pais. Decerto que meu amor por moda veio deles, mas eles nunca me obrigaram a fazer aquilo que eu não queria. Fui eu quem quis cursar moda, e eles me apoiaram até o último suspiro, literalmente. Então no fim, assumi a empresa. Meu irmão, como tinha sua comissão de herdeiro, renegou o cargo maior, porém me fez um pedido que eu não poderia negar nem se eu quisesse. O único pedido do meu irmão foi dá um cargo importante para o seu namorado, Hector. Na época eu não conhecia ele, nem conhecia meu irmão direito, já que ele cresceu com a mãe na França. Nós nos falávamos pouquíssimo por ligação, nosso companheirismo de irmãos começou mesmo quando nossos pais morreram e ele voltou para República com o namorado. Hector assumiu a empresa temporariamente para eu poder terminar meu curso em paz. Foi assim que eu descobrir o cérebro maravilhoso que aquele homem tinha. No fim, ele virou o vice-presidente, não pelo pedido do meu irmão, mas sim por sua inteligência que nenhum ser humano era capaz de entender. — Tudo bem... — respondi por fim. — Tentei ligar para Senhorita Kim lá na empresa, mas soube que ela se demitiu, como você está? Não trabalhe muito e contrate alguém logo. — Preocupado como sempre, ele falou. — Eu sei, tô analisando alguns currículos ainda. Você, melhor que ninguém sabe que eu preciso de alguém capacitado. — Alonguei minhas costas, ouvindo elas estralarem. — Sei... mesmo assim não se force muito, sabe que me preocupo. No fim, eu não ganhei apenas um irmão, e sim dois. Quer dizer... três. — Pedi para minha secretária entrar em contato com seu piloto, ele estará pronto às 11, e ela também confirmou sua estadia no hotel de sempre. — Informou. — Quantos dias? — No máximo 3, você vem hoje da terça e volta na quinta a noite, na sexta de madrugada já estará na República de novo e eu também voltarei com você, daqui para lá meu trabalho aqui já vai está concluído. Esse era o meu primeiro deslize que eu organizava desde que assumir a presidência, por conta do trabalho excessivo e exaustivo eu não conseguia trabalhar em várias coisas ao mesmo tempo. Esse seria o primeiro desfile com peças feitas inteiramente por mim, e nada poderia dar errado. Faltava menos de dois meses para ele ocorrer e eu não tinha como consertar um problema em cima da hora. Por meu trabalho na empresa ser exaustivo demais, eu não pude ir resolver os preparativos em Tóquio, por isso Hector viajou para lá, mesmo assim eu fazia de tudo para está a pá de tudo que acontecia virtualmente. Mas nesse momento só me preocupava uma coisa. — Quem cuidará da Moon nesse tempo? — Era essa a minha preocupação. — São menos de 3 dias, Heron, ela não quebrará por isso, e você sabe que Ethan pode comandar ela. Sem ter mais o que fazer, concordei e encerrei a ligação. Fora quase sete anos cuidando daquela empresa, tirar três dias para fazer aquilo que eu sempre sonhei não fará diferença. Encerrando aquela conversa, decidir também que estava na hora de mudar as coisas dessa casa. Não gosto de morar sozinho, então seguirei aquilo que todos me mandam fazer. Por isso respondi aquele rapaz. Estava feito. Agora precisava torcer para que ele não fosse um pé no saco do c*****o e tivesse um caráter no mínimo, digno. Depois te lhe responder, subir para tomar um banho e arrumar uma mala pequena de viagem. Depois desci novamente e fui direto para a cozinha, informar a senhora Bennett que irei viajar e falar sobre a visita do meu — talvez — companheiro de apartamento. — Mandarei a secretária de Hector lhe mandar o contrato, caso ele se interesse a senhora resolve tudo com ele, tudo bem? — Perguntei quando já estava na porta do apartamento, arrumado e com a mala ao meu lado, pronto para sair. — Tudo bem menino, não se preocupe com isso. Que horas ele vem? — Vou mandar ele vir meio-dia, tudo bem? — Sim... — me deu um abraço carinhoso e depois um beijo na testa. — Tome cuidado e se alimente bem, ouviu Heron Parker? — Sim, mãe, ouvi — revirei os olhos, logo sendo repreendido pelos olhos dela. — tchau. E então fui. Tinha que resolver meus problemas, os problemas da empresa e talvez do mundo também. Informando ao porteiro do prédio que amanhã aos meio-dia chegará uma visita, passei pela coragem e peguei meu carro; deixarei ele no estacionamento do aeroporto. Não gostava de andar em táxi, principalmente depois que fiquei conhecido, o medo de algo de r**m acontecer comigo era grande. Quando cheguei no aeroporto, fui direto para a pista que ficava meu jatinho, observando por baixo das lentes pretas do meu ósculo de sol um rapaz, que era com certeza um paparazzi, tentando tirar fotos minhas do jeito mais escondido possível, não muito já que eu vi. Queria saber como p***a é que esses fotógrafos sabem que eu estaria ali, talvez eles tenham poderes. Quando entrei no jatinho, cumprimentado meu piloto, copiloto e a aeromoça, fui direto para o fim dele, lá na porta onde se encontrava um quarto, meu quarto. Descansando deitado, mas ainda assim trabalhando pelo notebook, só me dei conta da hora quando meu celular apitou. Observando a hora pelo notebook vi que já se passavam das 14 horas da tarde, ainda faltavam algumas horas para chegar em Tóquio. Pegando meu celular do outro lado da cama, observei ser mensagens do meu novo inquilino. scocott2: |Claro! |Posso ir amanhã sim, tem preferência de hora? 14:23p.m. lina.bennett8: Meio-dia está bom para você?| 14:34p.m. scocott2: |Está ótimo! 14:34p.m. lina.bennett8: Ótimo! O contrato estará com minha governanta.| Diga na portaria que foi falar com Lina Bennett, eles lhe deixarão entrar.| [endereço]| 14:35p.m. scocott2: |Obrigado por essa oportunidade senhora. |Farei o possível para não desapontar. 14:36p.m. Bom... parece ser uma pessoa boa pelas mensagens, porém só terei certeza quando conversar com ele pessoalmente. Até lá, para mim, ele é um aproveitador que quer tirar algum podre meu e vender para mídia. Depois desse episódio, dormir sem nem perceber, estava cansado e ainda minha cabeça doía pela ressaca. Me acordei apenas quando o jatinho estava pronto para pousar, e só acordei porque a aeromoça veio me chamar, já que eu precisava está sentado e com o sinto de p******o. Observando pela janela, o sol do Japão já estava quase se pondo, já se passavam das 17, provavelmente só teria tempo para resolver as coisas no dia seguinte. Quando o jatinho pousou, me despedir do piloto, copiloto e da aeromoça, desejando uma boa estadia — já que eles iriam ficar no país me esperando. Encontrei Hector na sala de desembarque, vestindo suas roupas imponentes como sempre; o paletó completo preto, um sobretudo bege, e os cabelos jogados para trás dava um ar ainda mais viril ao seu rosto. — Como foi a viagem? — Perguntou quando pegou minha mala. — Melhor impossível. — Respondi com a feição fechada. — Ótimo — se fingiu de sonso. — Temos muitas coisas para resolver. Essa viagem será mais longa do que esperava. Meu emocional que lute. [...]
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