NARRAÇÃO: GOLIAS Atravessei o corredor daquele posto com os passos pesados, sentindo o chão de linóleo quase estalar sob a minha bota. O equilíbrio da Muralha tinha acabado de mudar, e o ar ali dentro tava carregado, denso, com aquele cheiro de hospital misturado com a fumaça do meu charuto que eu fiz questão de deixar impregnado no box 4. Era pra marcar território, pro Marcos saber que até o oxigênio que ele respira ali dentro tem o meu carimbo. O jaleco nem deu as caras; o rato devia estar escondido em algum buraco, lambendo as feridas da surra que o Tubarão deu e tentando digerir o fato de que, no final das contas, ele teve que baixar a crista e obedecer a minha ordem de ressuscitar a loira. Saí pra rua e o ar frio da madrugada bateu no meu rosto, mas o sangue ainda tava fervendo, lat

