O Despertar da Mercadoria: O Primeiro Dia no Inferno de Golias NARRAÇÃO: GOLIAS O Tubarão bateu o pé no corredor, o som das botas se afastando até sumir na recepção, e o silêncio voltou a reinar naquele box de emergência. Mas não era um silêncio de paz; era um silêncio pesado, denso e carregado, como fumaça de óleo queimado pairando num galpão fechado antes da explosão. Eu puxei uma cadeira de metal encardida, daquelas que rangem reclamando da vida e do peso do pecado, e sentei bem na frente da maca. Apoiei os cotovelos nos joelhos, entrelacei os dedos brutos e fiquei ali, na vigília do predador, observando cada centímetro do que sobrou da Sara Vasconcelos. A luz branca daquela lâmpada fluorescente em cima da gente piscava de vez em quando, num zumbido irritante que dava um ar de necrot

