A CAPTURA DA SERPENTE E A NUVEM BRANCA A noite já tinha caído pesada na Muralha, mas o mormaço continuava sufocante, grudando na pele como o cheiro de pólvora e óleo de fuzil. Eu estava pronto para subir para o meu casarão no topo, querendo apenas um banho gelado e um uísque puro para tirar o gosto de fel daquela tarde e planejar o amanhã, quando o rádio na minha cintura estalou com uma urgência que me fez travar o passo no meio do pátio. — Salve, Gigante! Visão total aqui na contenção da rua 3... — a voz do vapor saiu picotada pelo sinal r**m, mas deu para sentir o nervosismo genuíno do moleque. — Chefe, a guria amiga da doutorinha, a tal da Júlia, foi pega no pulo tentando pular o muro dos fundos da casa da Sara. Ela tá com uma carga suspeita no sutiã, patrão. O bagulho é estranho, ela

