NARRAÇÃO: BRUNO A escuridão daquele banheiro privativo não era nada perto do abismo que se abriu na minha mente. A última fita que eu vi antes de tudo apagar foi o brilho maligno do cristal do cinzeiro e os olhos de psicopata do Marcos olhos que não tinham nada daquela compaixão de comercial que ele vendia nas palestras de medicina humanitária. Quando eu acordei, o mundo era um borrão de dor latejante na minha têmpora, um tambor de guerra batendo dentro do meu crânio, e o cheiro azedo de toalhas úmidas misturado com desinfetante barato que embrulhava o estômago. Eu sou o Bruno. O "comédia", o "assistente", o cara que veio lá da Baixada com o sonho de usar o jaleco pra salvar vidas num lugar onde a morte é vizinha de muro e o caveirão é o despertador. Eu nunca fui de guerra, nunca fui de

