Capitulo 47 Bruno

2372 Words

NARRAÇÃO: BRUNO A carcaça daquela ambulância velha, toda enferrujada e comida pelo tempo, era o meu único escudo contra os holofotes da guarita principal que varriam o pátio do posto igual olho de rapina. Eu sentia o barro gelado e fedorento entrando por baixo do meu jaleco, misturando o cheiro de morte do valão com o cheiro azedo do meu próprio desespero. Cada vez que eu tentava mover a perna direita, uma fisgada violenta, um choque elétrico de dor, subia pelo meu quadril, me lembrando que a queda daquela janela basculante tinha cobrado o seu preço em osso e carne. Mas o rosto do meu filho, aquele molequinho que nem nome direito tinha ainda na certidão, era o que me empurrava pra frente, me fazendo rastejar no lodo. — Eu não posso morrer... agora não, porra... — sibilei entre dentes, se

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