O Beijo do Monstro: O Silêncio da Soberba NARRAÇÃO: GOLIAS A guria tinha um fogo no olhar que eu ainda não tinha visto, uma mistura de ódio com uma vergonha que ela tentava camuflar atrás daquela postura de quem nunca pisou numa poça de lama na vida. O papel amassado ficou ali, em cima do meu mogno, desafiando a ordem que eu impus na ladeira. O Tubarão parou de rir por um segundo, só pra ver qual seria o meu próximo movimento, porque ele sabe que ninguém joga nada na minha mesa e sai sem levar o troco em dobro. — Eu vim avisar que não pedi o seu dinheiro sujo! — ela disparou, a voz trêmula de nervoso, mas cortante feito caco de vidro. — Eu não quero nada que venha das suas mãos, Golias. Mas como a minha tia já pegou e o estrago tá feito, eu vim te dar o aviso: eu vou devolver cada centa

