NARRAÇÃO: GOLIAS Soltei o cabelo dela devagar, sentindo cada fio loiro escorregar pelos meus dedos tatuados e brutos, um contraste absurdo. Ela se empertigou, tentando recuperar aquela postura de "doutorinha" de elite, mas as bochechas coradas entregavam que o sistema dela ainda tava em curto-circuito. — Posso ir agora fazer algo pra você comer? — ela soltou, a voz ainda um pouco trêmula, mas querendo fugir daquela tensão que tava a ponto de esticar e quebrar no meio do quarto. Arqueei a sobrancelha, medindo ela de cima a baixo com um desdém que escondia a minha fome de outra coisa. A camisa de seda preta, que em mim ficava justa, nela era um vestido improvisado que batia no meio das coxas brancas, e a imagem dela na minha cozinha, toda desajeitada entre panelas e temperos, era um bagul

