NARRAÇÃO: SARA O silêncio na cozinha da Fortaleza era tão denso que eu podia ouvir o som da minha própria pulsação martelando nos ouvidos, um ritmo frenético de quem sabia que estava pisando em território inimigo. O único barulho que cortava a penumbra era o estalo baixo e intermitente da chama azul do fogão, um som que parecia amplificar a minha total incompetência naquela situação. Eu estava ali, em pé, sentindo o peso absurdo daquela camisa de seda preta que o Golias tinha me dado. O tecido era frio e macio, mas contra a minha pele, parecia um lembrete constante da minha nudez e da minha vulnerabilidade. A barra da camisa m*l cobria o início das minhas coxas, e cada movimento que eu fazia para tentar focar na frigideira era um exercício de humilhação silenciosa. Eu, que passei anos deb

