NARRAÇÃO: SARA Eu atravessei as vielas da Muralha num borrão de lágrimas ácidas e um desespero que fazia o chão sumir sob os meus pés. Meus pulmões ardiam, o mormaço infernal do meio-dia parecia querer me sufocar, mas nada era pior do que a sensação do hálito de charuto e ódio do Golias ainda impregnado na minha pele e o gosto de tabaco e soberba que ele deixou na minha boca. Eu me sentia suja, marcada com ferro quente, como se o toque daquele animal tivesse queimado a minha alma e deixado uma cicatriz que nem a eternidade ia apagar. Subi os degraus da minha casa tropeçando nos próprios pés, sentindo a fraqueza do antídoto ainda sabotando meus reflexos. Abri a porta de madeira e a bati com uma força que fez os quadros da sala as últimas lembranças de uma vida de elite que não existe mai

