NARRAÇÃO: MARCOS A Sara apertou a minha mão com uma força que eu não sabia que ela ainda tinha, os dedos gelados se cravando na minha pele como se eu fosse a última boia em um naufrágio no meio de um mar de merda. Ela tentou se sentar, mas o corpo falhou legal, e ela desabou novamente contra o colchão encardido, os olhos azuis vagando pelo teto descascado do posto, tentando costurar as memórias rasgadas pela química pesada. Dava pra ver o desespero dela tentando entender como o mundo de porcelana dela tinha virado esse lixo. — O que... o que aconteceu? — a voz dela saiu arrastada, uma frequência baixa e dolorida que parecia lixa riscando o vidro. — Minha cabeça... parece que vai explodir, Marcos. Como eu vim parar nesse lugar imundo? Cadê o meu quarto? Eu senti o peso do bisturi no meu

