O PREÇO DO AMPARO A tia Zuleide deu um passo pra trás, como se as minhas palavras tivessem sido um tapa físico na cara dela. Ela apertou o avental com as mãos nervosas, aquele olhar de piedade cristã que só servia pra me dar mais asco. — Para de ser assim, Sara! — ela exclamou, a voz trêmula, tentando manter uma postura de autoridade que ela já não tinha mais sobre mim. — O Golias tem sido o nosso amparo quando todo mundo deu as costas. Sem ele, a gente nem teria esse teto sobre a cabeça! Você precisa ser mais grata, guria. Abaixar essa tua crista de elite e entender como as coisas funcionam aqui se quiser sobreviver... — Grata? — soltei uma gargalhada histérica, um som seco, sem vida, que rasgou a minha garganta. — Grata por ser um troféu de guerra? Grata por ser humilhada, tocada e ma

