NARRAÇÃO: SARA Eu sentia o meu estômago revirar a cada palavra que saía da boca do Marcos. Ele não estava mais falando como o amigo que cresceu comigo, nem como o médico que jurou salvar vidas. Ele falava como um colecionador que finalmente tinha a chance de prender a sua peça mais rara em uma redoma. O brilho de obsessão nos olhos dele era mais aterrorizante do que qualquer ameaça que o Golias já tivesse feito. — Você está louco, Marcos! — gritei, minha voz ricocheteando nas paredes da sala vazia. — Sai da minha casa agora! Você não está em condições de falar nada. Quando você estiver melhor, quando esse delírio passar, talvez a gente possa conversar. Mas agora, eu quero você fora daqui! Eu apontei para a porta, minha mão tremendo de ódio e de uma fraqueza que ainda persistia no meu sa

