— Marcos? — minha voz saiu como um suspiro quebrado. Eu não sabia se sentia alívio ou mais pavor. Marcos estava ali, parado na penumbra. O jaleco branco dele brilhava como um fantasma no meio daquela sujeira, um símbolo de uma vida que parecia estar a mil anos-luz de distância. Ele soltou meu braço, mas não se afastou. Deu um passo para frente, invadindo meu espaço pessoal, me obrigando a sentir o cheiro de antisséptico e álcool gel que emanava dele — um contraste bizarro e quase agressivo com o cheiro de pólvora, maconha e suor que dominava o baile lá fora. — Olha como você está, Sara... — ele disse, a voz destilando uma piedade que soava como veneno. Ele esticou a mão e, com uma lentidão torturante, passou o dedo indicador na borda do meu decote ensopado, seguindo o rastro do uísque qu

