A Determinação de Aydan

1587 Words
Capítulo 009: A Determinação de Aydan Naquela noite, Ash e Rowt finalmente decidiram contar tudo a Atthy e Ay. Mais cedo ou mais tarde, os dois perceberiam que havia algo errado. Manter aquilo em segredo apenas faria com que desconfiassem ainda mais. Somente Gafy e Dimi ficaram de fora da conversa. Na opinião de Ash e Rowt, eles ainda eram jovens demais para carregar um fardo daquela magnitude. Mais tarde naquela noite... Atthy encontrou Ay deitado no telhado da casa. Suas mãos estavam entrelaçadas atrás da cabeça, servindo como travesseiro, enquanto seus olhos permaneciam fixos no mar de estrelas que se estendia pelo céu acima de Caihina. "Não consegue dormir?" perguntou Atthy enquanto subia cuidadosamente. "Estou apreciando o céu noturno", respondeu Ay sem se virar. "É mais silencioso aqui em cima." Atthy deitou-se ao lado do irmão mais novo. Uma suave brisa do deserto carregava o ar fresco da noite. Por um longo tempo, nenhum dos dois falou. "Ay..." chamou Atthy suavemente. "Hm?" "No que você está pensando?" "Em nada." Atthy apenas sorriu. "Você esqueceu quem criou você?" Ay soltou um leve resmungo. "Eu realmente só estou olhando para o céu." "Sua voz sempre fica assim quando você está mentindo." Ela deu um toque na testa dele. "Ai!" Ay esfregou a testa e lançou um olhar irritado para ela. "Irmã..." "Vamos. Diga a verdade." Ay soltou um longo suspiro. "Irmã..." Ele se virou para ela com uma expressão séria. "O maior motivo de você ter aceitado aquela proposta..." "...foi por causa do que Gafy disse, não foi?" Atthy ficou em silêncio. "Então..." Ay continuou, "...você realmente vai se casar com aquele velho?" "Aydan." A voz de Atthy imediatamente se tornou severa. "Cuidado com suas palavras." Ay desviou o olhar. "Se o Pai ouvisse você dizer isso, ele ficaria furioso." "Eu não me importo." "É exatamente por isso que você deveria se importar." Atthy olhou para ele com gentileza. "Nós fomos criados como uma família nobre." "Pai e Mãe nos ensinaram a etiqueta adequada desde que éramos crianças." "Palavras descuidadas podem se tornar um problema sério se forem ouvidas pela pessoa errada." Ay soltou outro longo suspiro. "Desculpe." Mas um momento depois, ele falou novamente. "Eu ainda não entendo." Ele cerrou os punhos. "Nós já recusamos a proposta." "Então por que eles ainda estão enviando um emissário?" Atthy voltou seu olhar para as estrelas. "Eu também não sei." "Então como você ainda consegue ficar tão calma?" Ela sorriu suavemente. "Porque se eu também entrar em pânico..." "...quem vai acalmar você?" Ay bufou. "Você está me provocando de novo." "Meu irmãozinho corajoso não disse uma vez..." Um sorriso travesso apareceu no rosto de Atthy. "'Eu não me importo se ele é um Grão-Duque ou qualquer outra pessoa.'" "'Eu vou proteger minha irmã.'" Ay imediatamente virou o rosto. "Aquilo..." "...foi porque eu estava irritado." "Sério?" "Sim." "E agora?" Ay permaneceu em silêncio por um longo tempo. Então respondeu calmamente, "Eu ainda não consigo aceitar." Dessa vez, não havia raiva em sua voz. Apenas sinceridade. "Nós somos apenas uma família pequena." Ay encarou as estrelas. "O Avô está ficando velho." "Gafy sempre tenta esconder o quanto está sofrendo." "Dimi ainda é apenas uma criança." "Nós nem sequer somos conhecidos entre a nobreza." Ele mordeu o lábio. "Como devemos enfrentar um Grão-Duque que até mesmo a família real respeita?" Atthy olhou para o irmão. Por trás de todas aquelas emoções, Ay havia pensado em tudo cuidadosamente. Ele não estava com medo por si mesmo. Ele estava com medo de perder sua família. Atthy acariciou gentilmente o cabelo dele. "Você cresceu." Ay se virou para ela. "Tenho orgulho de você." "Irmã..." "Mas existe uma coisa que você ainda precisa aprender." "O que é?" "Coragem nem sempre significa sacar sua espada." Atthy sorriu calorosamente. "Às vezes, coragem significa permanecer calmo quando todos os outros começam a entrar em pânico." Ay abaixou a cabeça. "Eu vou tentar." Depois de um momento, ele falou novamente. "Irmã..." "Sim?" "Por que você realmente aceitou tudo isso?" Atthy soltou uma respiração baixa. "Gafy." A resposta foi breve. Mas Ay entendeu imediatamente. "Gafy quer ver o mundo." Atthy assentiu. "E Dimi." Ela sorriu levemente. "Eu quero que ele estude na academia." "Quero que todos eles tenham uma vida melhor do que a nossa." Ay cerrou os punhos. "Mas não sacrificando seu próprio futuro." "Esse não é um preço alto demais?" Atthy deu a ele um sorriso amargo. "Talvez." "Não talvez." Ay olhou para ela com os olhos avermelhados. "É um preço alto demais." "Você não acredita em mim?" "Ay..." "Eu sei que somos pobres." "Eu sei que não temos poder." "Mas eu vou trabalhar." "Vou caçar mais." "Vou negociar." "Vou forjar ferro." "Vou fazer o que for necessário." "Mas não desista do seu futuro por nossa causa." O silêncio voltou a se estabelecer entre eles. Apenas o vento sussurrava pelo telhado. Atthy olhou para o irmão por um longo tempo. No fundo do coração, ela sentiu orgulho. O irmão mais novo que ela sempre considerou uma criança havia crescido e se tornado alguém que realmente colocava sua família em primeiro lugar. "Ay..." "Hm?" "Eu acredito em você." "Você acredita?" "Sim." "Mas..." Atthy voltou a olhar para as estrelas. "Às vezes, a vida não nos dá tempo suficiente para esperar." Ay mordeu o lábio. "Então..." Ele se virou para a irmã. "Prometa-me uma coisa." "O quê?" "Não enfrente tudo isso sozinha." Um sorriso caloroso surgiu no rosto de Atthy. "Isso é fácil." "Porque desde o começo..." Ela gentilmente acariciou a cabeça dele. "...eu nunca tive a intenção de caminhar por esse caminho sozinha." Eles ficaram em silêncio novamente. Sob o céu estrelado de Caihina, os dois irmãos olharam para um futuro ainda escondido pela névoa. Nenhum deles sabia o que os aguardava. Mas naquela noite, ambos perceberam uma coisa. Não importava o que estivesse por vir... Eles enfrentariam tudo juntos como uma família. Naquele mesmo momento, em outro lugar... A sala era adornada com decorações que refletiam décadas de poder acumulado. Grandes janelas revelavam uma cadeia de montanhas sem fim, enquanto uma longa mesa permanecia no centro, cercada por cadeiras com entalhes requintados. O luxo preenchia cada canto, mas o próprio ar parecia pesado pela tensão. Margrave estava sentado calmamente na cabeceira da mesa. Seus olhos afiados estavam fixos em seu neto, Davion, que permanecia do outro lado da sala. Apenas os dois estavam presentes. Aquele era o único lugar onde conversas importantes poderiam ser realizadas sem interrupções. "Então, o que vamos fazer?" perguntou Davion, quebrando o silêncio. "Estamos ficando sem tempo." "Nossos inimigos já começaram a se mover." Margrave não respondeu imediatamente. Ele cruzou as mãos sobre a mesa antes de falar em voz baixa. "Paciência é a arma que as pessoas mais subestimam." "Fomos pacientes por tempo demais." "E é exatamente por isso que ainda estamos de pé hoje." Davion suspirou frustrado. "Mas se continuarmos esperando, outra pessoa ficará à nossa frente." Margrave balançou lentamente a cabeça. "Se nos movermos cedo demais, seremos nós que daremos a eles a oportunidade de atacar primeiro." "O poder não é conquistado por aqueles que se movem primeiro." "Ele pertence àqueles que obrigam seus oponentes a fazerem o primeiro movimento." Davion começou a andar de um lado para o outro. "Sinto que passamos tempo demais fazendo planos e pouco tempo agindo." "Isso acontece porque você ainda é jovem." Margrave olhou para o neto sem a menor mudança em sua expressão. "Todo movimento tem um preço." "Um pequeno erro pode destruir tudo o que construímos durante décadas." Davion parou de caminhar. "Então vamos apenas ficar sentados aqui?" "Não." Margrave recostou-se. "Esperaremos pelo momento certo." O silêncio voltou a preencher a sala. Davion cerrou os punhos. Ele entendia o raciocínio de seu avô, mas cada segundo que passava parecia outra oportunidade perdida. Depois de algum tempo, Margrave finalmente falou novamente. "Athaleyah Galina." Davion imediatamente ergueu o olhar. "Ela é uma parte crucial do nosso plano." "Eu sei." Davion assentiu. "Mas nós nunca sequer a encontramos." "Apenas ouvimos relatos." "Isso é suficiente." Margrave respondeu calmamente. "As informações que possuímos são mais do que suficientes para tomarmos nossa decisão." Davion franziu a testa. "Mas não é arriscado demais colocar um plano tão importante nas mãos de alguém que nunca encontramos pessoalmente?" "É justamente por isso que não podemos agir de maneira imprudente." Margrave entrelaçou os dedos. "Quanto maiores forem os riscos..." "...menor será o espaço para erros." Davion soltou um longo suspiro. "Eu apenas temo que outra pessoa faça o primeiro movimento." Margrave sorriu levemente. "Sempre existe alguém assim." "Mas apenas aqueles que controlam o ritmo do jogo sobrevivem." A expressão de Davion tornou-se cada vez mais séria. "Estamos enfrentando o Duque Hugh e as principais facções do reino." "Um movimento atrasado pode acabar com tudo." Margrave assentiu. "Eu sei." "Então por que ainda estamos esperando?" Pela primeira vez desde o início da conversa, o olhar de Margrave se tornou mais afiado. "Porque nosso objetivo não é vencer uma única partida." Ele fez uma pausa. "Nosso objetivo..." "...é vencer o jogo inteiro." Davion permaneceu em silêncio. Margrave continuou com uma voz baixa, porém cheia de autoridade. "Athaleyah Galina não é apenas uma futura noiva." "Ela é a chave." "A chave?" repetiu Davion. "Sim." Margrave olhou diretamente nos olhos de seu neto. "Se tudo prosseguir conforme o planejado, esse casamento mudará o equilíbrio de poder." Davion ainda não compreendia completamente. "Ela é realmente tão importante assim?" Um leve sorriso apareceu no rosto de Margrave. "É justamente porque todos acreditam que ela é insignificante..." "...que ela é tão valiosa."
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD