Autora: Nair Fagundes
Capítulo 5 – O Cofre da Igreja
A noite já havia tomado conta de Santa Aurora quando Helena e o investigador Marcos chegaram à antiga Igreja de São Miguel. Construída há mais de cem anos, ela permanecia fechada desde que um incêndio atingira parte do telhado. O lugar era envolvido por histórias de mistério e lendas que assustavam os moradores.
Helena retirou do bolso a pequena chave enferrujada encontrada nas mãos de Amanda. As últimas palavras de Ricardo ecoavam em sua mente:
— A chave... abre o cofre... na igreja antiga...
Empurrando a pesada porta de madeira, os dois entraram. O silêncio era interrompido apenas pelo som do vento atravessando os vitrais quebrados.
Depois de alguns minutos procurando, Marcos encontrou uma antiga porta de ferro escondida atrás do altar.
— Acho que é aqui.
Helena aproximou a chave da fechadura. Com um leve giro, ouviu-se um estalo. A porta se abriu lentamente, revelando uma pequena sala subterrânea.
No centro havia um cofre antigo.
A mesma chave servia para abri-lo.
Dentro, encontraram uma pasta cheia de documentos, fotografias e um pen drive. As fotos mostravam reuniões secretas entre empresários influentes, políticos da cidade e Ricardo Moreira. Em uma delas, Amanda aparecia escondida atrás de uma porta, como se estivesse espionando a reunião.
Helena ligou o pen drive em seu notebook portátil.
O vídeo começou a ser reproduzido.
Amanda gravava tudo escondida.
— Se alguém encontrar esta gravação, significa que tentaram me matar. Descobri um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e assassinatos. As pessoas envolvidas fingiram minha morte para me manter em silêncio. Durante três anos vivi escondida, mas eles me encontraram novamente. Se eu desaparecer, procurem o homem conhecido apenas como "Corvo". Ele é quem controla tudo.
O vídeo terminou.
Helena e Marcos trocaram um olhar preocupado.
Naquele instante, ouviram passos vindos da escada.
As luzes da igreja se apagaram.
Um disparo ecoou pelo subterrâneo.
A bala atingiu a parede a poucos centímetros de Helena.
Os dois se esconderam atrás do cofre enquanto alguém descia lentamente as escadas.
Uma voz grave rompeu o silêncio:
— Vocês chegaram longe demais.
Helena segurou firme sua arma.
Ela sabia que o confronto decisivo estava apenas começando.