Autora: Nair Fagundes
Capítulo 7 – O Galpão Abandonado
O sol m*l havia nascido quando Helena Duarte reuniu sua equipe na delegacia. O medalhão em forma de corvo encontrado na igreja escondia um pequeno pedaço de papel com um endereço: um antigo galpão industrial, abandonado havia mais de dez anos, na saída de Santa Aurora.
— É nossa melhor pista até agora — disse Helena. — Mas entrem com cuidado. Se "Corvo" realmente estiver por trás de tudo, ele já deve estar esperando por nós.
Duas viaturas seguiram em silêncio pela estrada de terra. Quando chegaram, encontraram um prédio enorme, cercado por muros rachados e vegetação alta. O lugar parecia deserto, mas Helena tinha a sensação de que havia alguém observando cada movimento.
A equipe entrou pelo portão principal. O galpão estava escuro, cheio de máquinas enferrujadas e caixas espalhadas pelo chão. O silêncio era tão intenso que o som dos passos ecoava por todo o prédio.
Marcos encontrou marcas recentes de pneus e pegadas na poeira.
— Eles estiveram aqui há pouco tempo.
Helena fez sinal para que todos continuassem.
Enquanto revistavam o local, encontraram uma sala escondida atrás de uma estante metálica. Dentro havia computadores destruídos, documentos parcialmente queimados e um grande mapa da cidade preso à parede. Vários locais estavam marcados com tinta vermelha.
Em outra parede havia dezenas de fotografias.
Helena se aproximou lentamente.
Seu coração acelerou.
Entre as imagens de Amanda, Ricardo e outras vítimas, havia uma fotografia sua, tirada em frente à delegacia apenas dois dias antes.
Abaixo da foto estava escrito:
"Ela está chegando perto."
Na mesa havia um envelope branco.
Helena o abriu com cuidado.
Dentro existia apenas um bilhete:
"Detetive Helena, você é inteligente, mas toda investigação tem um preço. Pare agora ou será a próxima."
Antes que alguém pudesse dizer qualquer coisa, um forte estrondo sacudiu o galpão.
Uma explosão aconteceu na parte dos fundos.
A fumaça tomou conta do ambiente.
Os policiais correram para a saída enquanto pedaços do telhado começavam a cair.
Helena percebeu uma sombra correndo entre a fumaça.
Sem pensar duas vezes, iniciou a perseguição.
O homem pulou uma cerca e entrou na mata.
Helena correu o máximo que pôde, mas o criminoso desapareceu entre as árvores.
Ao voltar para o galpão, encontrou Marcos segurando um pequeno pendrive que havia sobrevivido à explosão.
— Acho que eles não conseguiram destruir tudo — disse ele.
Helena guardou o pendrive no bolso.
Ela tinha certeza de que aquele pequeno objeto continha a prova capaz de revelar a verdadeira identidade do homem conhecido como Corvo.
Enquanto deixavam o local, Helena olhou pela última vez para o galpão em chamas.
Ela não sabia, mas alguém escondido entre as árvores observava cada passo da equipe.
E esse alguém já preparava o próximo ataque.