Os meses que Bianca tinha para se preparar para o casamento passaram como horas. E em nenhum momento desde que foi anunciado seu casamento ela deixou de ter medo ou pavor.
Tudo aconteceria em Chicago, numa mansão comprada especialmente para esta ocasião. Dinheiro demais foi gasto nessa cerimônia e se algo desse errado com certeza iria resultar em guerra.
Bianca queria fugir, desde que olhou no fundo dos olhos de Pietro e notou que não existia alma dentro do seu ser, ela quis fugir.
Mas não tinha para onde ir.
Não tinha amigos, tios, ou qualquer pessoa para lhe acolher no mundo á fora. Sabia também que seria caçada tanto por sua famiglia quanto por Pietro, seria caçada como um animal silvestre preocioso e no final seria abatida.
Então fugir não era uma alternativa.
Não havia nada além de aceitar e seguir com a vida como se nada tivesse acontecido. Poderia ser pior, não podia? Era isso que Bianca tentava enfiar em sua mente todos os dias.
Que poderia estar se casando com alguém ainda pior que Pietro.
Mas que castigo poderia ser tão r**m quanto casar com alguém que já foi apaixonado por sua irmã falecida? Seu medo de viver á sombra de Laura caso se casasse com Dante se tornou real, mas no fim das contas não seria com ele que ela subiria no altar.
Tola.
Se sentia assim.
Podia ter conversado com Dante, podia ter pedido para que ele se casasse com ela mas foi burra demais. Agora Dante tinha Angela, a qual era uma mulher linda, inteligente e sem dúvidas especial na vida dele.
Enquanto Bianca se preparava para talvez viver um inferno com Pietro.
Olhava seu reflexo no espelho com o vestido de noiva e queria sentir alguma coisa, Bianca tentava sentir algo além de tristeza. Era para ser um dia especial e passou anos imaginando fazer isso com alguém que amava.
Por que Laura tinha que morrer?
Bianca se sentia m*l* por pensar assim, as vezes sua consciencia pesava por que sentia raiva da sua irmã por tirar sua liberdade assim, mas os pensamentos logo sumiam pois Laura não teve culpa.
O quarto que antes estava cheio de mulheres fazendo o cabelo, unha, e vestindo Bianca, agora só tinha a ruiva. O silêncio era pertubador, parecia gritar em seu ouvido, nada daquilo parecia real ainda.
Não tinha visto Pietro ainda, ele nem se deu ao trabalho de recebe-la da viagem até chicago. A única vez que o viu foi no seu jantar de noivado á meses e desde então nada. Por que parecia que ela era um fardo para todo mundo?
Bianca estava cansada de se sentir assim.
Dois toques na porta foram o suficiente para a menina sair do transe e olhar em direção ao barulho, sem muita emoção.
— Entra. - A voz desanimada de Bianca ecoou no quarto, logo em seguida a porta se abriu e Thomas, seu pai, apareceu.
— Está na hora. - Ele murmurou. Bianca esperava que pelo menos hoje seus pais á tratassem como uma filha querida, queria o mesmo carinho que tiveram com Laura, mas não obteve nem mesmo um sorriso.
Bianca apenas assentiu, engoliu o choro que subia por sua bíle e segurando o vestido pesado andou em direção ao pai, que a aguardava na porta.
— Eu não queria estar aqui. - Bianca murmurou, sentindo seu peito acelerar. Não costumava dizer o que pensava para ninguém mas naquele momento ela queria um colo.
— Por favor, Bianca, não estrague tudo. - Foi o único pedido do pai, que a olhou com um olhar misericordioso. Mas a misericórdia não era para ela, não, era praticamente implorando para que ela não fizesse merda*. Misericórdia para eles...
Apesar de sentir como se seu coração tivesse sido esmagado, Bianca sorriu e assentiu. Não importava o quanto ela tenha sido uma filha perfeita, o quanto nunca desobedeceu as ordens e nunca saiu a noite escondida, ela nunca seria suficiente para eles.
A música começou a soar ao longe assim que Bianca ficou frente á frente com o tapete que lhe levaria direto ao altar. Um altar improvisado no jardim da mansão, pétalas brancas enfeitavam todo o lugar e estava tudo muito bonito, Bianca queria se sentir feliz com aquilo mas não conseguia.
Seu olhar caiu sob Pietro que a aguardava no altar, ele á olhava sério, vestia um paletó cinza de três peças, o cabelo penteado de forma grosseira caindo sobre a testa e cobrindo parte da sua cicatriz. Pietro era bonito, de fato, mas qualquer um que fosse sã olharia em seus olhos e nunca mais voltaria a vê-lo.
Tudo em volta estava inerte. Bianca só conseguia olhar para Pietro, e a cada passo que dava em sua direção sentia pavor. Ela queria olhar para os convidados e ver algum rosto conhecido mas estava presa ao olhar de seu noivo, penetrante, ameaçador.
Assim que chegou em sua frente Thomas lhe entregou á Pietro com pressa, perigo piscava em neon na testa de Pietro mas não havia como fugir. Agora ela era dele, totalmente dele.
Ninguém se importaria com o que aconteceria com Bianca pois agora ela era problema de Pietro, nada poderia separá-los que não a morte*.
Bianca engoliu em seco, desviando o olhar e respirando fundo. A vontade de chorar estava por um fio, sabia que se fizesse qualquer ato que não agradasse eles, poderia estragar tudo e seria odiada pelo resto da vida.
Tinha que se submeter á isso, querendo ou não.
O tempo passou devagar enquanto o padre realizava a cerimônia, Pietro não tirava os olhos um segundo sequer de sua, agora, esposa. Mas não havia como Bianca saber o que ele pensava, mas sabia que era perverso.
Finalmente o padre os declarou como marido e mulher e chegou o momento mais temido do casamento: o beijo.
Bianca tinha certeza que Pietro podia sentir seu tremor mas aquilo parecia animá-lo. As mãos enormes de Pietro vieram de encontro com a sua cintura e então sem muito rodeio, Pietro avançou para beijar os lábios de sua esposa.
Mas Bianca virou o rosto por impulso fazendo com que os lábios de Pietro fossem de encontro com sua bochecha, quase próximo ao canto da sua boca.
No mesmo momento o coração de Bianca disparou, sabia que o que tinha feito iria ter consequências. Temeu mais ainda quando Pietro se afastou com um sorriso perverso nos lábios.
— Não adianta fugir, Bianca. - Ele sussurrou para ela. - Você já é minha.