POV: Isadora Volkov
A porta da sala rangeu quando Elisa e Luan entraram. O rosto dela estava pálido, marcado pela tensão da rua, mas os olhos brilharam de medo quando viram o envelope em cima da mesa. Antes que pudéssemos dizer qualquer coisa, a porta do quarto se abriu. Melissa apareceu, com o rosto inchado de sono, mas a postura alerta de quem já acorda pronta para a briga.
— É do Oliver? — Melissa perguntou, a voz rouca, sentando-se no sofá velho. — Leiam logo. Eu não aguento mais esse silêncio.
Reunidas sob a luz fraca da sala, lemos cada linha. As palavras do Oliver sobre a tentativa de assassinato e as dúvidas sobre o nosso pai Luiz foram como sal em uma ferida aberta. O silêncio que se seguiu foi pesado, quebrado apenas pelo choro contido da Melissa.
— Chega — Elisa disse de repente, levantando-se com uma determinação que me assustou. — Isa, eu e o Luan não vamos mais apenas "vigiar". Nós vamos assumir os pontos que eram do Oliver. Já estamos conseguindo mais alguns na região.
— Eli, isso é loucura! É perigoso demais — eu tentei intervir, pensando nos gêmeos dormindo no quarto ao lado.
— Loucura é enterrar mais um de nós, Isadora! — Ela rebateu, a voz vibrando de ódio. — Mataram nosso primo há poucos dias. Na trairagem, do mesmo jeito que fizeram com o Tio Léo. Ele era como um irmão para nós, ele nos protegia... e agora ele se foi.
Melissa cerrou os punhos, os olhos fixos na foto do Tio Léo na parede.
— A Eli está certa. Nossa família está sofrendo demais. Se a gente não crescer agora, se não impuser respeito, eles vão terminar o serviço e matar o Oliver lá dentro.
Olhei para minhas irmãs. Éramos três mulheres marcadas pela tragédia, tentando sobreviver em um mundo que só queria nos destruir. Eu sentia o sangue russo fervendo em minhas veias, uma força que eu ainda não entendia, mas que me dizia que o tempo de apenas "sofrer" tinha acabado.
— Se vamos fazer isso — eu disse, a voz fria como o gelo —, vamos fazer direito. Ninguém mais encosta no nosso sangue.