POV: Elisa Silva
Saí daquela sala sentindo que o ar estava eletrizado. Olhar para a Isadora e a Melissa e ver o reflexo do meu próprio desespero nos olhos delas só me deu mais certeza: o tempo de chorar pelo que perdemos acabou. Agora, a gente ia fazer o mundo chorar pelo que nos tirou.
— Eli, espera — o Luan me chamou, segurando meu braço suavemente assim que pisamos no quintal. — Você falou sério lá dentro. Sobre os pontos, sobre crescer... você sabe que isso não tem volta, né?
Olhei para ele, para o homem que estava comigo há seis anos e que nunca me deixou cair. Ele viu minha família ser estraçalhada, viu meu pai se perder nas drogas e minha mãe na bebida. Ele sabia que eu não tinha mais nada a perder, a não ser o Oliver.
— O Oliver não tem tempo, Luan. E o nosso primo... — minha voz falhou por um segundo ao lembrar da covardia que fizeram com ele. — Ele morreu porque era fiel a nós. Se a gente recuar agora, a morte dele e a do Tio Léo não terão servido de nada.
O Luan suspirou e ajeitou a jaqueta, os olhos escaneando a rua escura de São Paulo.
— Então vamos fazer do seu jeito. Já falei com os moleques. O ponto da principal agora é nosso. Ninguém entra, ninguém sai sem a nossa palavra. A gente vai criar um cerco de proteção em volta da nossa família que ninguém vai conseguir quebrar.
Eu assenti, sentindo um peso enorme no peito, mas uma determinação ainda maior. Eu não era mais apenas a irmã da Isadora ou a namorada do Luan. Naquela noite, eu estava me tornando a mulher que ia garantir que o Oliver voltasse para casa, nem que eu tivesse que queimar a cidade inteira para isso.
— Vamos, Luan. Temos muito trabalho a fazer. A "Ocupação" começou.